Trecho recém-reformado da BR-153 tem nova intervenção em Marília

Pouco mais de um mês após ser totalmente liberado para o tráfego, o trecho da rodovia Transbrasiliana (BR-153), em Marília, voltou a ser alvo de obras emergenciais nesta quinta-feira (7). O surgimento de um buraco próximo ao acostamento recém-recapeado exigiu o uso de maquinário pesado e gerou divergências nas informações divulgadas pela concessionária responsável pela via.
Um trator e um caminhão foram vistos atuando no trecho que havia passado por reforma recentemente. O trânsito precisou operar no sistema “Pare e Siga”, mas a concessionária Triunfo não publicou nenhum alerta prévio em suas redes sociais para orientar os motoristas.
Questionada, a empresa informou que a interrupção parcial ocorreu apenas entre 13h e 15h, por um motivo não relacionado a obras, e garantiu que o fluxo já havia sido normalizado. A informação, porém, não se confirmou na prática, já que, às 15h42, os trabalhos de reparo ainda seguiam no local.

Não é a primeira vez neste ano que o trecho apresenta problemas. Em 20 de março, o acostamento da rodovia cedeu na altura do quilômetro 258 após o comprometimento de uma tubulação de escoamento de águas pluviais, causado pelas fortes chuvas.
Inicialmente, a via operou em esquema de “pare e siga”, mas a Polícia Rodoviária Federal (PRF) ampliou a restrição para interdição total diante do risco de colapso do pavimento.
O trecho permaneceu bloqueado por duas semanas para obras, provocando transtornos logísticos, aumento no tempo de viagem e obrigando motoristas a utilizarem desvios por estradas de terra. A liberação total ocorreu apenas na noite de 3 de abril.

Intervenção da Justiça Federal
As sucessivas falhas acontecem em meio a questionamentos sobre a segurança da BR-153. Em 14 de abril, a Justiça Federal de Marília determinou a elaboração de um plano emergencial para a rodovia, após ação civil pública movida pelo Ministério Público Federal (MPF).
Na decisão, a Justiça destacou o “elevado índice de sinistros no trecho, com graves consequências fatais”, e determinou a realização de um diagnóstico técnico independente sobre as condições do pavimento, da drenagem e da sinalização entre Marília e Ourinhos.
O juiz também estabeleceu que as medidas deverão incluir a recomposição estrutural do asfalto, proibindo expressamente intervenções paliativas, conhecidas como tapa-buracos.