‘Ceará Tapeceiro’, réu por feminicídio, tem júri remarcado

O julgamento de Francisco Alexandre da Silva, mais conhecido como ‘Ceará Tapeceiro’, acusado de matar Adriana da Penha Gonzaga, teve a data alterada pela Justiça após um pedido apresentado pela defesa. A sessão do Tribunal do Júri, que estava inicialmente marcada para 26 de março, foi remarcada para o dia 7 de abril deste ano, às 9h, no Fórum de Marília.
Ceará responde a processo por feminicídio na 3ª Vara Criminal de Marília. Mudança da data foi determinada pelo juiz responsável pelo caso, após solicitação da defesa. Durante a preparação para a sessão, uma das testemunhas, considerada relevante para o caso, informou à Justiça que não poderia comparecer presencialmente porque já tinha uma viagem previamente programada para a mesma data.
A testemunha apresentou documentos comprovando o compromisso e pediu dispensa da presença no plenário do júri. Diante da situação, o juiz determinou que o Ministério Público e a defesa se manifestassem sobre a possibilidade de o depoimento ser prestado de forma remota, em caráter excepcional.
O magistrado ressaltou que, em julgamentos do Tribunal do Júri, o depoimento de testemunhas relevantes é considerado essencial para a reconstrução dos fatos e para a formação da convicção dos jurados.
Posteriormente, a defesa apresentou pedido para o adiamento da sessão plenária. Com isso, o juiz decidiu redesignar o julgamento para 7 de abril de 2026, às 9h.
Ceará segue preso, decide juiz
A situação da prisão preventiva do acusado passou por revisão, sendo concluído que continuam presentes os requisitos que justificam a medida cautelar, mantendo Francisco Alexandre da Silva preso enquanto o processo segue em tramitação.
No julgamento pelo Tribunal do Júri, sete jurados serão responsáveis por decidir se o acusado é culpado ou inocente pela acusação de feminicídio. Caso seja condenado, a pena será fixada posteriormente pelo juiz presidente da sessão.

Culpa da vítima, diz réu
O tapeceiro contou que morava junto há quase um ano com a vítima, sendo que cerca de três meses antes do crime, começaram a reformar o salão de beleza de Adriana. Ela teria comprado cadeiras para a reforma, e ele estava fazendo o serviço.
Segundo Ceará, o local ficou pronto, mas estava sendo pressionado pela vítima para terminar o trabalho com os estofados.
“Eu não sabia que ela era daquele jeito. Ela me pressionava com aquele estofado. Nem cliente meu pressionava daquele jeito. Eu falava que ela não estava gastando nada. Eu estava dando o sofá. Eu comprei o material para a reforma”, relatou o tapeceiro.
No dia do crime, segundo sua versão, ele trabalhou pela manhã e foi para casa depois de fechar a loja, pois a cabeleireira precisava do carro. Ele contou que ela já estava brava, reclamando da demora na finalização dos estofados.
“Cheguei em casa e ela estava brava. Até hoje eu não entendo para que tanta braveza daquele jeito por causa dos estofados. Eu deixei ela na casa da filha dela e voltei para a oficina para fazer os estofados. Ela falou que queria os estofados no salão de qualquer jeito. Foi um inferno por causa desse bendito sofá. Levei ela, terminei o sofá dela e levei lá no salão. Deixei tudo montadinho”, disse o acusado.
O homem revelou que retornou às 19h e assim que a vítima voltou já começou a perguntar sobre o estofado. O tapeceiro teria dito que já estava montado no salão, mas segundo seu relato, a vítima estava procurando briga.
“Começou a brigar comigo e eu estava tomando cerveja. Ela pegou a cerveja e jogou na parede. Eu falei para ela parar de tanta briga, mas ela pegou um copo e quebrou o copo na sala. Falei para ela parar com isso e ela pegou uma faca. Pedi para ela abrir a porta que eu ia embora, mas ela disse que eu não ia com o carro. Eu paguei o carro, só estava usando o nome dela, mas o carro era nosso”, conta.
Em determinado momento, o tapeceiro afirmou que não se lembrava do que aconteceu, apenas que Adriana já estava caída no chão, toda ensanguentada.
“Por que que ela fez isso? Sem necessidade. Nunca entrei numa delegacia. Nunca fui preso. Como ela fez isso com a minha vida e com a vida dela? Ela acabou com a minha vida. Com a vida dela, com a vida dos nossos filhos, por causa de umas porqueiras de umas cadeiras. Como que a pessoa é tão ignorante daquele jeito? Eu não fiz por querer. Eu pedi a ela. Eu não lembro de onde essa faca apareceu. Eu não lembro”, afirmou Ceará, sem seu depoimento.

Prisão
O tapeceiro foi preso por uma equipe da Polícia Rodoviária Federal (PRF) na cidade de Francisco Alves (PR), cerca de 40 quilômetros da fronteira com o Paraguai, para onde estava fugindo. Durante a fuga, o veículo que conduzia, de propriedade de vítima, foi detectado passando por Paraguaçu Paulista, Florínea e Umuarama (PR).
Segundo a PRF, quando os policiais souberam que o automóvel havia passado por Umuarama, desconfiaram que pretendia chegar na cidade de Guaíra (PR) para atravessar a fronteira e se esconder no Paraguai.
Os policiais intensificaram as rondas pela BR-272, sendo que próximo ao trevo principal da cidade de Francisco Alves, viram o veículo e fizeram a abordagem. Durante a prisão, os policiais questionaram se Ceará sabia o motivo de sua prisão e ele afirmou que sim. Sobre a arma usada no crime, disse aos policiais que não estava mais em seu poder.
Como havia deixado a carteira e aparelho celular no local do crime, o suspeito de feminicídio estava sem documentos. Ele trazia consigo a quantia de R$ 303,80 em dinheiro.
O acusado passou por todo o procedimento da prisão em flagrante, inclusive por audiência de custódia, permanecendo provisoriamente detido em Guaíra. Com autorização judicial, foi trazido para ser ouvido na Delegacia de Defesa da Mulher (CCM) de Marília, além de permanecer preso em uma unidade prisional da região de Marília.