Relatório da Vigilância revela alta do HIV e 11 óbitos infantis em Marília

Marília registrou 11 óbitos infantis em menores de um ano, aumento dos acidentes de trabalho, crescimento das notificações de violência e maior procura por atendimento antirrábico no primeiro semestre de 2026.
Os dados constam no Informe Semanal dos Agravos de Notificação Compulsória, da Vigilância Epidemiológica, que reúne informações entre 4 de janeiro e 27 de junho e permite comparação com o mesmo período de 2025.
Atendimento antirrábico aumenta nos serviços de saúde

A procura por atendimento antirrábico — realizado após mordidas, arranhões ou contato com animais com suspeita de raiva — aumentou no acumulado do ano. O número de procedimentos passou de 246 para 406, crescimento de 65,04%.
Também houve aumento nos acidentes envolvendo animais peçonhentos, como escorpiões, aranhas e serpentes, que passaram de 183 para 207 notificações.
Os acidentes com escorpiões subiram de 129 para 140 registros, os envolvendo aranhas passaram de 25 para 28, os casos com serpentes permaneceram em quatro ocorrências e os provocados por outros animais aumentaram de 25 para 35.
Acidentes de trabalho disparam no acumulado de 2026
Entre os indicadores com maior crescimento estão os acidentes de trabalho. O município contabilizou 689 notificações em 2026, frente a 566 no ano anterior, alta de 21,73%.

Houve ainda uma morte relacionada ao trabalho no período, mesmo número registrado em 2025.
Os acidentes com exposição a material biológico passaram de 120 para 163 casos, aumento de 35,83%, enquanto os transtornos mentais relacionados ao trabalho cresceram de 11 para 13 notificações. Em contrapartida, os registros de Lesões por Esforço Repetitivo (LER) e Distúrbios Osteomusculares Relacionados ao Trabalho (Dort) caíram de 59 para 39 casos, redução de 33,89%.
Cidade registra 11 óbitos infantis; sífilis em gestantes cresce
O levantamento da Vigilância Epidemiológica aponta 11 óbitos infantis em menores de um ano e nenhum óbito materno no período analisado.
Entre as infecções sexualmente transmissíveis, os casos de sífilis adquirida aumentaram de 102 para 125. Já a sífilis em gestantes passou de 46 para 56 confirmações. Em sentido oposto, a sífilis congênita — transmitida da mãe para o bebê durante a gestação ou o parto — caiu de 26 para 17 registros.
Os novos diagnósticos de tuberculose recuaram de 31 para 29 casos. As notificações de HIV/Aids em adultos, por sua vez, mais que dobraram, passando de oito para 18 confirmações.
O informe também registra uma gestante com HIV, oito casos de meningite, duas notificações de hanseníase, duas de caxumba e duas de doença de Chagas crônica, que resultaram em dois óbitos.
Casos de violência mostram tendência de alta
As notificações de violência também cresceram em 2026. Foram registradas 425 notificações de violência autoprovocada, categoria que inclui principalmente tentativas de suicídio e episódios de automutilação, ou seja, alta de 27,24% em relação aos 334 registros do ano anterior.
A violência interpessoal — que inclui agressões físicas, psicológicas, domésticas e outras violências praticadas por uma pessoa contra outra — passou de 202 para 276 notificações, aumento de 36,63%, enquanto os casos de violência sexual cresceram de 55 para 69, avanço de 25,49%.

Outro indicador em alta foi o de intoxicação exógena, que reúne casos provocados por medicamentos, produtos químicos, agrotóxicos, alimentos contaminados, drogas ou outras substâncias tóxicas. O município passou de 327 para 482 notificações, crescimento de 47,4% na comparação entre os períodos analisados.
Registros de dengue e covid-19 caem de forma expressiva
A mudança mais expressiva ocorreu nos indicadores da dengue. Após enfrentar uma das maiores epidemias da história em 2025, quando acumulou 14.540 casos confirmados até a semana epidemiológica 25, Marília contabilizou apenas 81 confirmações no mesmo período de 2026. A redução foi de aproximadamente 99,44%. Além disso, o município não registrou nenhuma morte provocada pela doença neste ano.
A covid-19 também apresentou queda significativa. As confirmações passaram de 322 para 70 casos, redução de 78,26%. Em 2025, o município registrou três mortes pela doença. No mesmo período de 2026, não houve óbitos relacionados à infecção.
O que mostram os dados?
O informe reúne doenças e agravos de notificação compulsória, ou seja, situações que os serviços de saúde são obrigados a comunicar às autoridades sanitárias. O objetivo é acompanhar a evolução desses casos e orientar ações de prevenção e controle.