Pai de Katrina faz protesto e acaba preso em Assis; Justiça libera após audiência

A prisão do pai da adolescente Katrina Bormio Silva Martins, morta aos 16 anos durante um rodeio em Promissão, provocou forte repercussão em Assis e nas redes sociais nesta semana. Francisco Martins Romera Junior foi detido na tarde de quinta-feira (21), enquanto distribuía panfletos com críticas ao delegado da Polícia Civil denunciado pela morte da filha. Após audiência de custódia realizada na sexta-feira (22), a Justiça concedeu liberdade provisória sem pagamento de fiança.
Francisco estava acompanhado de uma amiga da família no momento da abordagem policial, ocorrida na Praça Dom Pedro II, na região central de Assis.
Segundo a Polícia Civil, os dois distribuíam materiais contendo a foto do delegado investigado, Vinicius Martinez, além de termos ofensivos e acusações relacionadas ao caso da morte de Katrina.
Os panfletos também apresentavam um QR Code que direcionava para uma reportagem nacional sobre o episódio, ocorrido em 2024. Após denúncia feita pelo próprio delegado e por seu advogado, equipes policiais foram acionadas e apreenderam cerca de 50 exemplares do material, além dos celulares dos envolvidos e um spray de defesa pessoal.
Francisco e a mulher receberam voz de prisão em flagrante e foram encaminhados à Central de Polícia Judiciária (CPJ) de Assis. O caso foi registrado pelos crimes de calúnia, difamação, injúria e perseguição, conhecida como stalking.
Inicialmente, a autoridade policial arbitrou fiança de R$ 6.484 para cada um dos detidos. No entanto, durante audiência de custódia realizada no dia seguinte, a juíza Adna Araujo de Oliveira entendeu que não havia elementos que justificassem as prisões preventivas.
Na decisão, a magistrada destacou que os crimes investigados não envolveram violência física e considerou ainda a situação pessoal de Francisco, que estaria desempregado por problemas de saúde. Com isso, ambos responderão ao processo em liberdade.
Apesar da soltura, a Justiça determinou medidas cautelares. Francisco está proibido de se aproximar do delegado e de familiares dele em um raio de 300 metros, além de não poder manter contato presencial, telefônico ou pelas redes sociais. Também ficou proibida a divulgação de novos conteúdos considerados ofensivos contra o delegado.
As prisões do pai e da amiga da família geraram ampla mobilização nas redes sociais, especialmente entre pessoas que acompanham o caso Katrina. Em vídeo publicado após a detenção do marido, Sabrina Maria Conceição da Silva, mãe da adolescente, afirmou que a intenção da manifestação era chamar atenção para a demora no julgamento do caso.
Segundo ela, Francisco enfrenta abalo emocional profundo desde a morte da filha e teria tentado tirar a própria vida recentemente. Sabrina também possui histórico de disputas judiciais relacionadas ao caso e já teria sido alvo de medidas restritivas envolvendo o nome do delegado.
Morte no rodeio
A morte de Katrina aconteceu na madrugada de 4 de agosto de 2024, durante a Festa do Peão de Promissão. A adolescente aguardava o pai do lado de fora do recinto quando foi atingida no pescoço por um disparo de arma de fogo efetuado delegado denunciado.
Conforme denúncia apresentada pelo Ministério Público de São Paulo (MPSP), o delegado teria efetuado quatro disparos no local, assumindo o risco de atingir pessoas próximas.
Ele responde por homicídio com dolo eventual, mas aguarda o julgamento em liberdade e segue exercendo suas funções na Polícia Civil, lotado atualmente em Ourinhos.