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Ouro Verde ajuda a contar história de Marília e vai receber reforma

Variedades
30 de junho de 2020

Ouro Verde, já edificado, na época em que era construído o Edifício Marília a poucos mais de 100 metros à frente (Foto: Registro Históricos)

Construído em 1952, o Edifício Ouro Verde – localizado na avenida Sampaio Vidal, próximo à esquina com rua Dom Pedro – tem o título de mais antigo prédio de escritórios de Marília. O condomínio anunciou recentemente que vai passar por uma remodelação, com pintura externa completa e troca de pisos.

O prédio tem seis andares, 25 salas comerciais com área entre 57 a 58 m² – mais espaço que a maioria dos apartamentos populares da cidade.

Idealizado pelo fazendeiro e negociante Jupira Souto, foi anunciado na década de 50 como um dos mais modernos do interior paulista. O nome foi uma alusão ao café, verdadeiro “ouro verde” de muitos empreendedores da época, inclusive o próprio investidor.

Conforme apurou o historiador Paulo Corrêa de Lara, as salas foram vendidas em apenas oito dias. Na mesma época, Souto construiu prédios similares em Garça e em Lins. O prédio tem história cadastrada na Comissão de Registros Históricos de Marília.

Há 25 anos o advogado Ovídio Nunes Filho tem escritório no Ouro Verde. Atualmente ele é síndico e conta que não troca seu endereço comercial por nenhum outro na cidade.

“É o melhor lugar de Marília. Você atravessa a rua está no banco, no coração da cidade, é visto por todo mundo. Aqui é fácil de chegar, todo mundo conhece. É um lugar excelente”, afirma.

Avenida Sampaio Vidal hoje; após 68 anos da construção do Ouro Verde (Foto: Divulgação)

O edifício construído no pós-guerra tem as características de muitos prédios da década de 50, conhecidos pelo processo construtivo que priorizava a resistência. “Não tem uma rachadura, não tem problema de estrutura. É um prédio que, cuidando, dura a vida toda”, emendou.

O sucesso do Ouro Verde foi tanto que motivou outras construções, à época imponentes, na avenida Sampaio Vidal. Um deles foi o Edifício Marília, mais alto que o antecessor e híbrido entre comercial e residencial.

Pouco tempo depois, foi construída a Galeria Santa Luzia, um residencial exatamente ao lado do Ouro Verde, que tem a mesma estatura do antigo conjunto de escritório, mas se difere pelas sacadas dos apartamentos e a arquitetura com linhas mais suaves, no topo do edifício.

Poucos anos depois, Ouro Verde ganhou vizinho Galeria Santa Luzia (Foto: Reprodução/Agenda Marília)

Ovídio conta que a preservação do prédio é um dos seus principais objetivos como síndico. A pintura externa será feita na cor coral e haverá também troca de pisos, para valorização dos ambientes. O conjunto, segundo ele, está com manutenção em dia, com os recursos de segurança necessários às modernas construções.

Jupira Souto

O empreendedor que fez o primeiro prédio comercial de Marília, dedicou-se a vida toda ao comércio. De 1944 a 1950 foi gerente da Cooperativa Banco de Marília Ltda.

Foi negociante de café e proprietário da Fazenda Santa Mariana, entre Lácio e Vera Cruz. Construiu o antigo Posto de Gasolina “Ouro Branco”, na rua Bahia.

Na política, militou no União Democrática Nacional (UDN), sendo eleito suplente de vereador para as legislaturas de 1956/59 e 1960/63, tendo assumido provisoriamente por várias vezes. Morreu em janeiro de 1991 e virou nome de rua no bairro Argollo Ferrão.