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Mesmo não sendo ideal, a mudança passa pelo 17

Coluna
26 de outubro de 2018

Meu voto neste domingo será 17. Não contente, não plenamente satisfeito, mas com a consciência tranquila sobre minha escolha. Estou, como a maioria dos brasileiros, desesperado por mudanças.

O Brasil está emergindo de sua pior recessão de todos os tempos após medidas econômicas desastrosas. A ampla investigação da Lava-Jato revelou corrupção arbitrária e profunda em todas as áreas no governo; um ex-presidente popular, Lula, está preso por corrupção; sua sucessora, Dilma Rousseff, foi deposta por impeachment; seu sucessor, Michel Temer , está sob investigação; o crime violento é desenfreado; desemprego alarmante. Como não clamar por mudança neste cenário?

Meu voto é sim de protesto contra o Partido dos Trabalhadores, que se julga dono da verdade e único representante dos anseios populares. Apesar de respeitar profundamente o voto do outro e seus argumentos, acho – de maneira democrática – que ninguém que tenha o mínimo de informação e coerência pode apoiar a existência de um partido como este em qualquer hipótese. Assaltaram e afundaram o país e querem mais uma chance? Comigo não vai rolar.

Como disse o Estadão em recente editorial, “afinal, como é que uma frente política pode ser democrática e popular tendo à testa o PT, partido que pretendia eternizar-se no poder por meio da corrupção e da demagogia?”

Ao longo de 13 anos de poder, o PT aparelhou o Estado brasileiro para atender majoritariamente aos interesses da classe política, deixando o cidadão em segundo plano. Nesse período o governo apresentou um desempenho sofrível na prestação dos serviços mais básicos. Não fez as reformas necessárias mesmo tendo condições para isso. Prega que vai mudar tudo o que já teve chance de mudar.

Interferindo na vida dos brasileiros, o PT sempre prometeu fazer a roda girar. Até conseguiu por um período com Lula, mas como previam os minimamente conscientes, a roda parou e as conquistas ruíram como um castelo de cartas. Não houve investimento estrutural necessário para que o plano do PT se perpetuasse. A ideia para um crescimento robusto era equivocada, estava na cara. Medidas econômicas calamitosas afundaram nosso país na crise. Pouquíssimas coisas funcionam por aqui. É hora de dar liberdade aos cidadãos para que a rode gire novamente. Nós é que iremos levantar o país, basta o governo não atrapalhar.

É bem verdade que tenho dúvidas sobre planos e capacidade de execução de um eventual governo Bolsonaro, no entanto, não há dúvidas em meus pensamentos quanto às intenções dessa quadrilha disfarçada de partido. Nem uma autocrítica decente eles conseguem fazer, sinal claro, para mim, que tudo se repetirá com esse grupo no poder.

Além disso, o malfadado partido é diretamente o responsável pela polarização terrível que vive nosso país. O nós contra eles se tornou realidade. O Brasil precisa mais do que nunca de união para avançar, mas isso parece estar longe de acontecer.

João Amoedo, candidato que na minha opinião deveria estar no segundo turno, disse recentemente que não irá votar no PT, mas que “o roteiro para a construção de um país próspero e sustentável, tendo como exemplo nações desenvolvidas, deve ser outro (se referindo a Bolsonaro)”. Concordo. Se o Brasil fosse um país sério, o segundo turno seria entre Amoedo e Ciro ou Marina.

O PT nos colocou numa situação tão terrível que planos de governo não precisam nem ser debatidos. É impossível de acreditar no que vem dos vermelhos. Viram as promessas do Haddad nos últimos dias? É inacreditável alguém cair nesse golpe mais uma vez.

Por isso, neste domingo voto contra o PT, mas não em algo em que confio. “Não tem tu, vai tu mesmo”, diz o ditado popular. A representação do meu pensamento de mudança passa obrigatoriamente pelo 17 neste momento. Espero estar errado e que Bolsonaro seja o melhor presidente da história. Espero estar certo em ajudar a varrer o PT e suas práticas nefastas da política brasileira. Não sou fascista, não sou racista, não sou homofóbico e vou pagar pra ver.