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Marília reconquista espaço e pode comemorar Dia Nacional do Teatro

Cidade
19 de setembro de 2019

Teatro Municipal, no Centro de Marília (Foto: Divulgação)

Marília tem ganhado cada vez mais importância na cena cultural do interior do Estado de São Paulo e tem motivos para celebrar o Dia Nacional do Teatro, comemorado nesta quinta-feira (19).

Atualmente a cidade conta com excelentes locais de apresentação e presença frequente de espetáculos com elevada qualidade técnica e artística.

Destaque para dois teatros que normalmente são mais abertos ao público em geral – quase sempre com baixo ou nenhum custo.

São eles Teatro Municipal de Marília “Waldir Silveira Mello”, inaugurado em 1982, e o Teatro Sesi Marília, que iniciou suas atividades em 1986.

O Teatro Municipal fica na avenida Rio Branco, no Centro. São disponibilizadas 426 poltronas e milhares de atores e atrizes já se apresentaram por ali, desde nomes consagrados até iniciantes em uma das mais antigas artes da humanidade.

Público no Teatro Municipal (Foto: Divulgação)

Prova da valorização do teatro na cidade é que no mês passado foi realizada a segunda Mostra Internacional de Teatro de Marília com entrada totalmente gratuita. Outros festivais de teatro também têm recebido espaço.

Mais de 50 artistas do Peru, Colômbia, Chile, Argentina e Uruguai estiveram na cidade em agosto. Além de apresentações, o intercâmbio cultural envolveu oficinas de aperfeiçoamento cênico para artistas locais.

Em setembro são nove atrações especificamente envolvendo peças teatrais no Waldir Silveira Mello – além de música e outros tipos de apresentações.

No caso do teatro, são desde peças infantis, comédias, apresentação de alunos de curso de teatro, peças de inspiração religiosa, musicais e até apresentações mais densas como a última do mês, “Frida Kahlo, La Pasión”.

Gustavo César do Coletivo Quasilá (Foto: Divulgação)

Gustavo César atua e dirige a comédia “Vale a Pena Rir de Novo”, que será apresentada mais uma vez pelo Coletivo Quasilá no próximo dia 26 de setembro no Teatro Municipal. Ele já passou diversas vezes por aquele palco.

“Desde a reabertura do Teatro Municipal [em 2016], depois de seis ou sete anos fechado para reforma, a cena teatral da cidade cresceu muito. Tanto em número de peças, público e novos grupos estão surgindo, inclusive por meio de projetos”, comentou.

O Coletivo Quasilá foca quase sempre em textos cômicos, mas com o objetivo de provocar o público. “Na peça atual abordamos a questão do suicídio, mas não de uma forma pesada”, afirma Gustavo. Para ele uma das características do teatro é abordar questões profundas por meio do entretenimento.

Sesi

O Teatro Sesi Marília fica na avenida João Ramalho, número 1.306, e conta com lugares para 130 pessoas. Ali são oferecidas aulas de iniciação teatral e montagem para cerca de 150 alunos.

Só no primeiro semestre deste ano passaram mais de 16 mil pessoas por pelo Teatro do Sesi, seja como aluno, ou na condição de público – nos diversos tipos de apresentações.

Fernando Delabio, orientador do núcleo de artes cênicas do Sesi Marília, afirmou que a programação é montada com base na diversidade de linguagens.

Teatro Sesi Marília funciona desde 1986 (Foto: Divulgação)

Nos últimos meses o palco recebeu, por exemplo, Silvero Pereira, ator do filme Bacurau, premiado em Cannes recentemente. Mas também são sempre privilegiados grupos regionais, com destaque para aqueles com linguagens diferentes, como dito.

São abertos editais estaduais para peças inéditas e também convidados espetáculos já montados que estão rodando por aí.

As últimas peças envolveram trabalhos com máscara e uma apresentação de um texto de Shakespeare através da linguagem do palhaço.

Ao final do mês – no dia 27 – Cisne Negro e Pia Fraus apresentam o espetáculo de dança Goitá, com alta carga teatral. O teatro popular de bonecos, que em Pernambuco é chamado de Mamulengo, é o grande motor desta nova montagem.

Delabio lembrar que Marília tem uma importante tradição teatral. De acordo com o especialista, a cidade teve o segundo teatro de arena no Brasil.

“Tivemos grande figuras do teatro em Marília. Desde os anos 1980 até anos 2000 foi Ramis Pedro Boassali um dos principais incentivadores do teatro na cidade”, conta Delábio.

Boassali, diz ele, participou dos grupos tradicionais de Marília entre 1960 e 1970. “Entre 1980 e 1990 quando houve um grande apagão cultural em Marília ele manteve vivo o teatro e trouxe a Federação da Alta Paulista para Marília, o que foi fundamental para manter a arte relevante”, completa o funcionário do Sesi.