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HQ Radius: viva uma aventura em 3.121

Coluna
09 de dezembro de 2021

Quando estava na 4ª série do Ensino Fundamental no colégio estadual coronel Antônio Nogueira, o Grupão, em Paraguaçu Paulista, sentava perto da minha carteira um colega muito criativo, o Wagner. Wagner desenhava personagens saídos de um mundo extraordinário: eram heróis com armas letais, com capacidade de teletransporte e habilidades incríveis. Lembro que, motivado pelos traços do meu amigo, passei a criar algo parecido.

Por aqueles anos, passava na televisão a saga dos Thundercats, liderados pelo Lion e todo mundo da minha rua era fã do Pantro, uma espécie de ninja-mecânico que com os escombros da espaçonave que trouxe os gatos espaciais para a Terra construiu o tandertanque. Ao invés de bicicleta, a gente queria mesmo era ter um tandertanque, todo equipado e veloz.

Recordo que desenhei um personagem que era meio gente e meio broca de perfurar solo, justamente inspirado num personagem-vilão que vi no Thundercats. Legal que o Lion tinha um mentor invisível que aparecia para ele em momentos cruciais, quando no dia em que o líder dos Thundercats tentou matar alguns animais que pastavam em busca de proteína. “A espada justiceira Lion, não deve ser usada para a destruição”, alertou o mentor.

Três décadas após estas minhas incursões infantis no universo dos desenhos animados sou convidado a integrar um projeto editorial inovador: a HQ Radius, criada pelo meu amigo e publicitário Tiago de Moraes, um dos diretores da Mustache Comunicação e Marketing.

Desde 1996, quando Tiago cursava o Ensino Médio, a HQ habita seu imaginário. Ele concebeu o personagem após conhecer o universo Marvel, de Stan Lee (1922-2018). Embarcar nessa viagem, que se passa numa outra Marília, a de 3.121, está sendo uma das mais empolgantes excursões que jamais fiz.

Quando estamos produzindo, me vem aquele menino da 4ª série que fui no Grupão e, ao mesmo tempo, este escritor de 42 anos, que admirava a inteligência criativa de Stan Lee e, assim como fazia nos filmes de Alfred Hitchcock (1899-1980), prestava atenção nos filmes da Marvel para identificar o momento em que Lee aparecia de supetão nas cenas.

Hitchcock, em ‘Festim Diabólico’ – o meu preferido do mestre do suspense – aparece como um neon ao fundo da cena de um céu metropolitano (skyline) que emoldura todo o apartamento do enredo macabro. Stan Lee também surgia inusitado assim.

E escrever sobre o futuro, na distopia de nosso tempo, também está sendo muito inusitado para mim. Ainda na infância devorava com muita alegria as histórias do meu super-herói predileto: o ranger Tex Willer. Os quadrinhos se passam nos Estados Unidos do velho oeste e Tex não possui superpoderes, mas coragem, boa pontaria e muita força para enfrentar tudo que acontece de errado por lá. Tem a ajuda de seu fiel amigo, Kit Carson.

Em recente conversa com Tiago, durante a produção de Radius, ele me disse uma frase que marcou: “Transformei o meu cachorro em super-herói, dei poderes de fala para ele, acho que realizei o sonho de muitas pessoas que queriam poder conversar e ouvir seus cachorros”.