Apagão da ANP deixa postos de Marília sem fiscalização em 2026

As fiscalizações da Agência Nacional do Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis (ANP) em postos de combustíveis de Marília sofreram um apagão nos primeiros meses deste ano.
A ausência de diligências no município coincide com uma descoberta policial alarmante: uma quadrilha especializada em adulteração de combustíveis confessou realizar entregas clandestinas na cidade.
Operação policial revela esquema
Na última terça-feira (19), uma operação da Polícia Civil em Limeira desmantelou uma estrutura clandestina e apreendeu cerca de 293 mil litros de combustíveis e derivados.
Quatro homens foram presos em flagrante no local. Segundo as investigações, um dos suspeitos, de 26 anos, era responsável por preparar misturas com gasolina, álcool anidro e nafta para burlar testes de qualidade.
O elo direto com o consumidor mariliense surgiu no depoimento de um dos motoristas presos, de 55 anos. Ele confessou que, havia cerca de dois meses, fazia viagens sem documentação fiscal para descarregar o produto adulterado em Marília, além de outras cidades, como Ribeirão Preto, Lins e Governador Valadares.
Outro motorista, de 67 anos, também admitiu o uso de notas fiscais que não correspondiam ao produto transportado. O Marília Notícia acionou a Secretaria de Segurança Pública (SSP) para tentar descobrir quais postos locais receberam a carga, mas ainda aguarda resposta.
Marília abandonada
O histórico recente da ANP em Marília revela uma grande oscilação nas operações. Em 2021, a agência realizou sete fiscalizações no município, com duas infrações confirmadas. No ano seguinte, esse número dobrou, saltando para 14 operações, o que representou alta de 100% nas atividades.
O ritmo caiu drasticamente em 2023, quando apenas duas visitas foram registradas, queda de 85,7%. A retomada começou de forma tímida em 2024, com cinco fiscalizações e uma autuação, aumento de 150% em relação ao ano anterior.
O movimento de alta culminou em 2025, quando Marília registrou seu recorde recente: foram 18 fiscalizações, que resultaram em cinco infrações, salto de 260% nas diligências. O cenário, contudo, mudou em 2026. Até 21 de maio, nenhuma ação havia sido registrada, queda de 100% em relação ao total de operações de 2025.
Sem a atuação dos fiscais para verificar a qualidade nas bombas, a adequação dos equipamentos e a documentação, o consumidor fica vulnerável à ação de grupos criminosos, como o investigado em Limeira.
As autuações e multas contra estabelecimentos locais, que podem variar de R$ 5 mil a R$ 5 milhões, também zeraram neste ano.
O MN questionou a ANP sobre a ausência de fiscalizações em 2026, mas, até o fechamento desta reportagem, não havia obtido retorno. Se houver manifestação, o texto será atualizado.