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O novo ensino médio: uma grande oportunidade de inovação

Coluna
16 de fevereiro de 2022

A partir desse ano começa a vigorar a Lei n° 13.415, aprovada no já distante 16 de fevereiro de 2017, ou seja, há exatos cinco anos, que estabeleceu o chamado “Novo Ensino Médio”.

Com as mudanças trazidas pela Lei, o Novo Ensino Médio deixa de apresentar uma única trilha de aprendizagem, composta por 11 disciplinas, e passa a ter que oferecer ao aluno quatro opções de ensino e aprendizagem de acordo com a área do conhecimento escolhida. Assim, o aluno poderá optar por estudar: 1) linguagens e suas tecnologias; 2) matemática e suas tecnologias; 3) ciências da natureza e suas tecnologias; e 4) ciências humanas e sociais aplicadas.

O principal objetivo é tornar o ensino médio mais atraente e enfrentar um dos grandes problemas da atualidade: o crescimento da população dos “nem-nem”, ou seja, de jovens que “nem estudam e nem trabalham”. Segundo dados do segundo trimestre de 2021, estima-se que 30% dos jovens estejam nessa situação, o que representa um universo de 12,3 milhões de pessoas.

Claro que parte das disciplinas do currículo será igual para todos os alunos (60%), com a expectativa de que eles possam desenvolver as capacidades básicas exigidas para uma boa formação educacional. Contudo, outra parte dos estudos (40%) se centrará no que se convencionou chamar de “projeto de vida”, o qual será desenvolvido pelo aluno de acordo com as suas escolhas. Nesse sentido, a mencionada Lei alterou a Lei n° 9.394/1996, que passou a prever que: “os currículos do ensino médio deverão considerar a formação integral do aluno, de maneira a adotar um trabalho voltado para a construção de seu projeto de vida e para sua formação nos aspectos físicos, cognitivos e socioemocionais” (art. 35-A, §7°).

Essa parte flexível do currículo é chamada de itinerário formativo e se trata de uma trilha de aprendizagem cuidadosamente elaborada para permitir que o aluno desenvolva as habilidades necessárias para dar seguimento aos seus estudos de acordo com a área de conhecimento escolhida.

Assim, se o aluno escolher a área das ciências da natureza, como é o caso do curso de Medicina e tantos outros que ganharam notoriedade durante a pandemia, terá contato, já no ensino médio, com temas que permeiam a área, como doenças infectocontagiosas, técnicas de primeiros socorros, etc.

Se a opção for pelas ciências humanas e sociais aplicadas o foco será outro, tendo as disciplinas um foco maior em outras temáticas, como é o caso da legislação, movimentos sociais, etc.

Apesar das muitas críticas que o modelo tem recebido, particularmente ele me parece muito interessante e bastante louvável. Afinal, como costumo mencionar, já não é possível às instituições de ensino desenvolver um processo educacional que se limite ao seu consumo interno. As escolas não podem mais se conformar em ficar “ensimesmada”, ou seja, focadas apenas no próprio umbigo.

É imprescindível que, cada dia mais, o ensino promovido tenha aplicação prática e permita ao aluno desenvolver as suas potencialidades, vivenciando na sala de aula aquilo que tem significado para a sua vida em sociedade, gerando, nesse sentido, uma íntima correlação entre escola e comunidade.

Nas universidades, essa correlação entre instituição de ensino e comunidade se dá por meio da extensão universitária, que compõe o tripé acadêmico ao lado do ensino e da pesquisa.

Nesse sentido, acredito que a experiência acumulada pelas universidades, em especial a Universidade Marília (Unimar), na execução de projetos de extensão será de grande valia para o desenvolvimento de projetos que visem implementar de forma efetiva e eficiente o Novo Ensino Médio.

Afinal, há muito, os projetos de extensão da Unimar têm permitido que seus alunos elaborem os seus projetos de vida, desenvolvendo atividades não apenas no âmbito profissional, mas também, em muitos casos, seguindo na área acadêmica, com a realização de especializações, MBAs, mestrados, doutorados e pós-doutorados.

Por fim, a Unimar, desde já, se coloca como parceira das instituições que pretendam desenvolver práticas inovadoras no Novo Ensino Médio. Afinal, como sentencia o ditado popular, “juntos somos mais fortes”.