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A decepcionante administração de Daniel Alonso

Coluna
19 de setembro de 2018

Decepção. Essa é a palavra que mais traduz, na minha opinião, o governo do prefeito Daniel Alonso (PSDB) até o momento. Já estamos quase na metade do mandato e percebo nas ruas de Marília o mesmo sentimento.

Parte da população se decepciona sem entender o que acontece de fato. Não sabe quais são os problemas que precisam ser resolvidos, ignora a situação lamentável que Daniel assumiu a Prefeitura, entre diversos outros temas que são distorcidos pelo ‘cidadão médio’, simplesmente pelo fato de que ele odeia tudo e todos na política. Fato absolutamente compreensível.

O que me preocupa de verdade – e compartilho dessa opinião – são os marilienses mais esclarecidos, que igualmente avaliam o governo tucano como ruim. Ando escutando gestores da saúde, pessoas importantes na educação, meio ambiente, tecnologia, empresários, enfim, pessoas de alto gabarito das mais diversas áreas.

Alonso patina em vários aspectos. Da zeladoria da cidade, que foi apresentada pelo prefeito na campanha eleitoral como um dos destaques de seu programa, até a questão do lixo. Marília, por exemplo, continua suja, com mato alto e falta de manutenção na maioria de suas ruas e dispositivos públicos.

Na saúde a secretaria da pasta se esforça para melhorar a situação, mas como sempre, diversos pequenos problemas testam a paciência da população.

O problema do lixo está longe de ser resolvido. Inclusive a Prefeitura é alvo de uma Ação Civil Pública movida pelo Ministério Público Estadual. O motivo? O depósito de entulho ‘provisório’ no distrito em Lácio. O lugar virou um lixão e a administração municipal inclusive levou mais de R$ 100 mil em multas da Companhia Ambiental do Estado de São Paulo (Cetesb).

Outro dia, batendo papo sobre o assunto, ouvi de uma profissional da área muito séria e competente: “O secretário acha que empilhando e queimando o lixo tudo está resolvido, ele não sabe absolutamente nada do tema, é uma vergonha”.  Enquanto isso uma fortuna continua sendo paga apenas para o transbordo das 240 toneladas de lixo produzidas diariamente. Quase R$ 900 mil mensais saem dos cofres públicos.

E a falta de água? Durante a campanha de 2016 Daniel prometeu que acabaria com o problema em um ano e meio de governo. O tempo pedido expirou e os marilienses, principalmente na periferia, sofrem com as torneiras secas quase que semanalmente.

Talvez a Educação seja o tema mais crítico do governo. É inacreditável que se tenha perdido sete toneladas de merenda. É inacreditável que os uniformes e kits escolares não foram entregues. É inacreditável que a Prefeitura se envolva em tantas polêmicas.

Licitações dos mais variados temas surgem com problemas na atual gestão. Nem o processo burocrático é manipulado com qualidade. O transporte público continua um caos. Serviço péssimo e mais polêmica envolvendo o Terminal Urbano.

Poderia falar aqui dos buracos, dos bairros abandonados, dos interesses escusos que envolvem a secretaria de esportes, das dezenas de alertas do Tribunal de Contas, enfim, muita coisa. O prefeito disse que queria melhorar os serviços, o básico, mas até agora não está nem perto disso. A população perdeu a paciência faz tempo.

O governo não é feito somente de erros, lógico que existem acertos, mas a proporção entre medidas positivas e negativas chama a atenção. É muito erro, é muita incapacidade de gerir a cidade, é muita incompetência.

Politicamente Daniel consegue ser pior do que no administrativo. Se afastou e rompeu laços com praticamente todos os setores que o apoiaram na última eleição. Políticos, empresários, classes profissionais, imprensa, servidores municipais, entre outros. Todos que tinham Alonso como esperança, agora se sentem extremamente frustrados.

Falta diálogo com os diversos setores da cidade. A prova disso é o tanto de vezes que a Prefeitura voltou atrás em uma medida. Jogou, foi pressionada e desistiu.

O pior disso é que o governo não consegue enxergar as deficiências. Quando são criticados, automaticamente dizem que o crítico está ao lado dos Camarinhas, inimigos políticos de Daniel. Ora, amigos, é preciso escolher um lado mesmo? Tenho absoluta capacidade de analisar a questão sem escolher. Inclusive acho que a oposição de Abelardo Camarinha, como é feita, não é boa para Marília (mas isso é tema de outra coluna).

Pessoalmente não duvido da índole do prefeito. Isso jamais foi uma questão pra mim. Há boa vontade, mas falta capacidade. O fato é que Daniel faz um governo ruim. Péssimo eu diria. Ainda restam alguns meses. Se recicle Daniel, mude o time, ouça mais os marilienses, a cidade precisa de você.