Justiça define nova data para júri de ex-PM acusado de matar jovem em rodeio

A Justiça remarcou para 1º de dezembro de 2026, às 9h30, o Tribunal do Júri do ex-policial militar Moroni Siqueira Rosa, de 39 anos. O ex-PM sentará no banco dos réus na Sala de Audiência do Plenário do Júri, acusado de assassinar o técnico agrícola Hamilton Olímpio Ribeiro Júnior, de 29 anos, a tiros durante o evento Marília Rodeio Music, em 2024.
A definição da nova data acontece após uma reviravolta às vésperas do julgamento original, que estava agendado para o dia 5 de maio.
No final de abril de 2026, o advogado de defesa, Mauro da Costa Ribas Junior, protocolou sua renúncia ao caso alegando “questões contratuais”, forçando a suspensão da sessão para que o réu tivesse prazo para constituir uma nova equipe jurídica.

Indignação da família
O adiamento repentino gerou forte indignação nos familiares da vítima. O advogado que representa a família, Walisson dos Reis Pereira da Silva, relatou frustração com o cancelamento de última hora, especialmente porque já havia se deslocado de Brasília para acompanhar a sessão.
“Cancelar um júri na véspera gera custos, mobiliza o Judiciário e é um desrespeito. Para nós, soa como uma manobra”, afirmou Silva.
O advogado também enfatizou a necessidade de uma punição rigorosa, destacando que o réu era um agente da segurança pública treinado pelo Estado, mas que optou por utilizar uma arma institucional contra o público de uma festa. Apesar do abalo, a família garantiu que continuará acompanhando o caso em busca de justiça para Hamilton e as demais vítimas.
Relembre o caso
O crime aconteceu na madrugada de 31 de agosto de 2024, no distrito de Lácio. A vítima assistia ao show da cantora Lauana Prado ao lado de sua companheira quando se desentendeu com o ex-policial por conta de um esbarrão banal.
Segundo denúncia do Ministério Público do Estado de São Paulo (MP-SP), Moroni estava de folga, havia consumido bebida alcoólica e portava sua arma funcional (uma pistola Glock calibre .40 pertencente ao Estado).
Durante a discussão, ele sacou a arma e atirou contra Hamilton, atingindo a vítima inclusive pelas costas. Por ter efetuado os disparos no meio da multidão, outras duas pessoas foram atingidas, mas sobreviveram sem ferimentos graves.
Moroni Siqueira Rosa foi pronunciado e será julgado por homicídio qualificado (motivo fútil, uso de meio que resultou em perigo comum e emprego de recurso que dificultou a defesa da vítima) e por duas tentativas de homicídio.
Atualmente, o réu permanece detido no Presídio Militar Romão Gomes, em São Paulo, pois a juíza responsável pelo caso, Josiane Patrícia Cabrini, optou por manter a sua prisão preventiva.
Além de responder no âmbito criminal, ele foi expulso da Polícia Militar em setembro do ano passado, como desfecho de um processo administrativo disciplinar.