Foragido há cinco meses, policial penal segue sem receber salários

O policial penal Gilson Junior dos Santos, de 50 anos, permanece foragido da Justiça há mais de cinco meses, acusado de tentar matar um vizinho a tiros dentro de um supermercado no bairro Palmital, zona norte de Marília. Ele está com o pagamento dos salários bloqueado.
A Polícia Penal do Estado de São Paulo confirmou a medida administrativa e informou que o servidor responde a um processo que pode resultar em demissão.
Desde 16 de novembro de 2025 — dia seguinte ao tiroteio no interior do estabelecimento — Gilson não comparece ao posto de trabalho na unidade prisional de Getulina.
Diante da ausência prolongada, a Polícia Penal informou, em nota recente, que “não houve pagamento de salários ao servidor, tendo em vista que foi solicitado o bloqueio administrativo dos vencimentos em razão da ausência de efetivo exercício.”
Além de responder na esfera criminal, o agente enfrenta consequências administrativas. A Secretaria de Administração Penitenciária (SAP) informou que a apuração disciplinar está em andamento e que, ao final do processo, podem ser aplicadas penalidades previstas em lei, “inclusive eventual demissão por abandono de cargo.”
Tentativa de homicídio
A tentativa de homicídio foi registrada na noite de 15 de novembro de 2025, em um supermercado localizado na avenida República, na zona norte de Marília. Gilson efetuou três disparos contra o vizinho, Johnny da Silva Sarmento, que foi atingido no abdome e nas costas.
Imagens de câmeras de segurança registraram pânico entre clientes e funcionários. Após os disparos, o policial penal ainda teria chutado a vítima, que já estava caída, antes de fugir de carro. Johnny foi socorrido em estado grave e submetido a cirurgia de urgência no Hospital das Clínicas de Marília. O crime teria sido motivado por uma rixa antiga entre os vizinhos, que acumulavam mais de 10 anos de desentendimentos e ameaças mútuas.

Denúncia do MP
O Ministério Público do Estado de São Paulo (MP-SP) denunciou o policial por tentativa de homicídio qualificado, com quatro agravantes: motivo fútil, perigo comum (devido ao uso de arma de fogo em local com intensa circulação de pessoas), recurso que dificultou a defesa da vítima e uso de arma de fogo de uso restrito, uma pistola nove milímetros.
A Justiça decretou a prisão preventiva de Gilson, mas as diligências para localizá-lo não tiveram sucesso até o momento.
Outro lado
O advogado de Gilson, Jader Gaudêncio Filho, contesta a denúncia do Ministério Público e sustenta que as imagens de segurança indicam que não houve tentativa de homicídio. Segundo a defesa, o policial agiu em legítima defesa após voltar a ser ameaçado e provocado pela vítima dentro do supermercado, com registros prévios de boletins de ocorrência por ameaça.
O defensor argumenta que a última imagem do episódio é esclarecedora: se o agente realmente quisesse matar a vítima, teria efetuado mais disparos enquanto ela estava no chão, e não apenas desferido um chute antes de fugir.