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qui. 19 mar. 2026
RECICLAGEM

Marília vira palco de debate sobre crise e futuro da reciclagem

Workshop vai debater desafios e oportunidades do mercado da sucata.
por Alcyr Netto
Paulo Fiuza será um dos palestrantes do Workshop (Foto: Alcyr Netto/Marília Notícia)

A Metalfec, empresa de reciclagem instalada em Vera Cruz, transformou um tema pouco atraente para muitos em pauta estratégica para o setor. Nesta quarta-feira (18), a companhia recebeu o especialista e mentor de negócios Paulo Fiuza para um encontro com o CEO Fábio Donófrio. A reunião serviu como preparação para o 1º Workshop Recicla Legal Metalfec, que acontece nesta quinta (19), às 18h, no Hotel Sun Valley, em Marília.

A proposta é direta: mudar a forma como o mercado de sucata é visto, combatendo a informalidade e mostrando que é possível unir gestão eficiente, ética e rentabilidade.

Com 12 anos de experiência como comprador de sucata na siderúrgica Gerdau — onde foi quatro vezes eleito o melhor do Brasil —, Fiuza identificou cedo um problema recorrente no setor: a falta de gestão. Segundo ele, muitas empresas nascem da prática, com profissionais que dominam a operação, mas têm dificuldades em áreas como contabilidade, liderança e tributação.

Fábio Donófrio, da Metalfec, foi o idealizador e organizador do evento em Marília (Foto: Alcyr Netto/Marília Notícia)

Após empreender fora do segmento, no ramo de salões de beleza, ele voltou à reciclagem durante a pandemia de Covid-19, período de forte crescimento do mercado. Fundou a Fiuza Metais, já com estrutura profissionalizada, e, na sequência, a Fiuza Mentorias.

“A reciclagem há um tempo atrás era o mercado do futuro, hoje ela é o mercado do presente”, afirmou. De acordo com o mentor, mais de duas mil empresas já foram formalizadas com apoio de sua equipe.

Entre os erros mais comuns no setor, ele aponta a falta de capital de giro, a classificação inadequada de materiais e decisões baseadas em expectativa — como segurar estoque apostando em altas de preços que não se concretizam. “É como tratar o negócio como uma bolsa de valores”, comparou.

O peso dos impostos e o baque do STF

A carga tributária foi um dos pontos centrais do encontro. Fiuza alertou que a questão costuma ser negligenciada pelos empresários, mas pode comprometer até 26% do faturamento com a reforma tributária.

Fábio Donófrio e Paulo Fiuza participam do Workshop Recicla Legal em Marília (Foto: Alcyr Netto/Marília Notícia)

O cenário se agravou com uma decisão recente do Supremo Tribunal Federal (STF), que considerou inconstitucional a isenção de PIS e Cofins para o setor de sucata.

Segundo Fábio Donófrio, o impacto foi imediato. O mercado desacelerou e empresas passaram a arcar com 9,25% de tributação sobre vendas, sem possibilidade de gerar créditos sobre estoques já adquiridos.

“Desincentivou a gente se preparando para uma mudança tributária. Do nada vem essa notícia e já está valendo. Essa carga tributária extra acaba penalizando a ponta mais fraca da cadeia, como o carroceiro e o catador”, afirmou.

1º Workshop Recicla Legal Metalfec

Diante dos desafios, o workshop surge como uma tentativa de organizar o setor e reduzir o estigma que ainda recai sobre os chamados “ferros-velhos”, muitas vezes associados a práticas ilegais.

A proposta é mostrar que a formalização e a padronização das operações aumentam a segurança jurídica e afastam a criminalidade.

A procura superou as expectativas. O evento, inicialmente previsto para 120 pessoas, já ultrapassou 186 inscritos, com participantes de diferentes regiões do país, do nordeste ao Rio Grande do Sul. A programação reúne desde catadores até representantes da indústria.

Além de Fiuza, o encontro terá nomes como Anderson Pomini, da Autoridade Portuária de Santos, que falará sobre exportação, e Carlos Roberto de Morais, ex-vice-presidente de grandes empresas, que participa de forma virtual.

Tendências do mercado de reciclagem

Para o futuro, Fiuza aponta duas oportunidades para empresas que optam pela formalização. A primeira são os créditos de reciclagem, ligados à logística reversa. Pela legislação, indústrias precisam comprovar a destinação correta de resíduos e pagam por notas fiscais de empresas regularizadas.

Ele compara o modelo a “descobrir um atalho num videogame”, em que o empresário recebe um bônus financeiro por manter a documentação em dia.

A segunda frente é a exportação. Estratégia já adotada pela Metalfec, permite negociar diretamente com mercados como Coreia do Sul, Estados Unidos, Índia e China, reduzindo a dependência da indústria nacional.

“Em alguns momentos ela lhe dá fôlego para você poder brigar aqui no mercado interno”, explicou Donófrio.

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