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Polícia
ter. 10 mar. 2026
MÊS DA MULHER

Grupos espontâneos reúnem relatos e lutam contra o feminicídio

Mariliense que enfrentou violência doméstica relata experiências em grupo que busca mobilização.
por Carlos Rodrigues
Aplicativo de mensagens, por meio de grupos, funciona como ‘botão do pânico’ para algumas mulheres (Imagem: Divulgação)

Inspiradas pelo drama vivido pela técnica de enfermagem Vanessa Anízia da Silva de Carvalho, de 43 anos, morta pelo então companheiro em pleno Natal de 2025, sobreviventes de violência doméstica, familiares de vítimas fatais e outras mulheres têm se organizado em Marília. Grupos de WhatsApp criados de forma espontânea propõem uma rede de apoio.

Relatos chamam a atenção em um espaço de troca de informações e vivências, com pedidos de socorro, amparo social e também algumas queixas sobre o atendimento em instituições governamentais.

Mesmo com a informalidade, algumas participantes dizem se sentir menos vulneráveis no grupo, que cresce de forma orgânica. A ideia de falar com quem entende — por já ter vivido o mesmo drama — tem trazido alento.

A iniciativa reúne mulheres, familiares e até alguns homens dispostos a ajudar vítimas de violência doméstica, compartilhar alertas e buscar caminhos para proteção.

O Marília Notícia conversou com a confeiteira Daniele de Abreu Andrade, de 31 anos. Ela participa ativamente de dois grupos criados com esse objetivo: “Diga não ao feminicídio”, que reunia cerca de 123 integrantes, e “Vidas de mulheres importam”, com 54 participantes até sábado (7).

Os grupos surgiram como resposta imediata à repercussão do caso Vanessa, que mobilizou a cidade e gerou indignação nas redes sociais. Uma das filhas da vítima, bastante ativa nas publicações, ajudou a incentivar a criação.

“Esses grupos nasceram da dor, mas também da vontade de não deixar que isso se repita. Tem relato de situações de violência, pedidos de ajuda e compartilhamento de informações, porque a lei está longe de ser suficiente e muita gente não está sendo bem atendida na segurança pública”, afirma.

Daniele lamenta os julgamentos ainda presentes na sociedade, nas famílias e, por vezes, nos próprios órgãos de segurança.

“Quando alguma mulher fala no grupo, a gente tenta entender o que ela está passando. Conseguimos ajudar pela vivência, por já ter passado por algo parecido”, conta.

A própria confeiteira afirma já ter vivido um relacionamento abusivo e destaca a importância de uma rede de proteção.

“Muitas mulheres sentem vergonha de contar. Às vezes, até dentro da própria família encontram mais julgamento do que apoio. E quando a mulher gosta da pessoa, ela acredita que ele vai mudar. Existe essa esperança de mudança”, diz.

Dimensões social e emocional

Nem todos compreendem as dimensões social e emocional da violência doméstica. Por isso, muitas vítimas acabam saindo e voltando para o agressor, o que também afasta pessoas que poderiam ajudar.

“Chega uma hora em que algumas pessoas não querem mais se envolver porque a mulher sai da relação e depois volta. Mas cada caso é um caso, e ninguém sabe o que a pessoa está vivendo.”

Pedidos de ajuda urgentes

Segundo Dani, situações urgentes aparecem com frequência nas conversas.

“Na sexta-feira (6), teve uma mulher dizendo que precisava alugar uma casa com urgência. Ela falou que não conseguia pedir medida protetiva porque não tinha para onde ir. São situações muito difíceis”, relata.

Para ela, a falta de estrutura social é um dos principais obstáculos para que mulheres consigam romper com o agressor.

“Como a pessoa vai sair de casa com filho e ir para onde? Essa parte social ainda é uma ponta solta.”

Críticas ao atendimento institucional

Nos relatos compartilhados nos grupos também aparecem críticas ao atendimento recebido em algumas instituições. A confeiteira afirma já ter ouvido histórias de mulheres que se sentiram desrespeitadas ao buscar ajuda.

“Tem casos de mulheres que estavam na delegacia contando o que estavam passando e ouviram deboche. Já teve situação da polícia ver a agressão e não fazer nada”, afirma.

Ela também relata uma experiência pessoal em que, após uma agressão, o ex-companheiro foi liberado em audiência de custódia.

“Ele saiu e já voltou a me incomodar. A lei ainda é muito falha. A chamada Maria da Penha é ruim, mas nós sabemos que sem ela seria pior. Então não se trata de atacar a lei, mas de fiscalizar e melhorar. O problema é que muitas vezes ela nem está sendo colocada em prática”, avalia.

A legislação citada por Daniele é considerada um dos principais instrumentos legais de combate à violência doméstica no Brasil. Vale lembrar que dezenas de prisões, só em Marília, são registradas todos os meses.

Ainda assim, a complexidade do problema faz com que muitas mulheres não consigam usufruir de proteção efetiva.

Mobilização por melhorias

Além de oferecer apoio, os grupos também discutem propostas para melhorar a proteção às mulheres. Entre as demandas estão a criação de uma delegacia presencial com atendimento 24 horas. Atualmente, o serviço ininterrupto existe, mas por meio de atendimento digital.

Elas pedem ainda a criação de uma casa de acolhimento para vítimas e o fortalecimento de patrulhas especializadas.

“Já teve abaixo-assinado pedindo delegacia 24 horas. Porque às vezes a violência acontece no fim de semana. Tem coisa que precisa ser resolvida na hora”, diz Daniele.

A reportagem apurou e informou sobre a existência do atendimento ininterrupto. Conforme a Delegacia de Defesa da Mulher (DDM), após o expediente administrativo da unidade, a Central de Polícia Judiciária (CPJ) oferece uma sala para denúncia online, com uma policial civil em videoconferência.

Mobilização comunitária

Em um dos casos relatados, integrantes do grupo se mobilizaram após uma mãe pedir ajuda ao relatar violência. Participantes acreditam que tragédias recentes poderiam ter sido evitadas com uma resposta mais rápida.

“Quando alguém pede ajuda, as pessoas tentam se mobilizar. A gente tenta não deixar passar. O caso da Vanessa poderia ter sido evitado. As pessoas avisaram, chamaram a polícia. Às vezes falta entendimento da gravidade da situação”, afirma.

Os grupos contam inclusive com a participação de alguns homens e até policiais, embora em número reduzido, sem envolvimento institucional do sistema de segurança pública e Justiça.

Para Daniele, o objetivo agora é ampliar a rede e atrair pessoas com conhecimento técnico para orientar as integrantes.

“A gente gostaria que mais gente do sistema participasse, para dar orientações mais técnicas. Isso ajudaria muito”, afirma.

“Não pode ser fogo de palha. O objetivo desses grupos é não deixar normalizar.”

Interessados em participar de uma das redes podem acessar o link. “Às vezes tudo começa com uma conversa. E essa conversa pode salvar uma vida.”

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