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Perseguições antológicas que inspiraram a ficção

Coluna
01 de julho de 2021

Tem uma música interpretada pela dupla Tião Carreiro & Pardinho que começa assim: ‘Foi por boca de um baiano que fiquei bem informado/De um caso assombroso que se deu no seu Estado’. A moda é uma narrativa de um causo que envolve a lenda do lobisomem e se assemelha muito ao efeito do conto nos leitores: deixa a cena principal para o fim.

Nos últimos dias a caçada ao foragido Lázaro, no sertão de Goiás, por entre matas, rios e na paisagem do cerrado brasileiro, remete à ficção, a casos assombrosos. Às vezes a realidade chega a ser mais bruta que enredos fictícios.

Um enorme aparato policial se colocou no encalço deste fora-da-lei brasileiro, que deixava um rastro de medo, crimes e de terror. O desfecho dele pode ser contato na quantidade de tiros que seu corpo recebeu: quase quatro dezenas de projéteis o perfuraram durante o confronto.

A história recente nos mostra algumas caçadas humanas de repercussão. Em ‘Não há dia fácil’, escrito por um seal, a elite dos fuzileiros navais da marinha norte-americana, é possível acompanhar a estratégia bélica para capturar um dos homens mais procurados da humanidade: o terrorista Osama Bin Laden. Mark Owen, quem assina este livro, não é o nome verdadeiro deste militar, que recorreu ao pseudônimo para narrar detalhes da ação que resultou na execução do responsável pelo atentado de 11 de setembro de 2001.

Como diz um ditado: ‘o diabo mora nos detalhes’. E, pelo que ficou escrito em ‘Não há dia fácil’, um descuido de um aliado de Bin Laden entregou o terrorista. Numa conversa informal pelo telefone este aliado teria revelado a um familiar que havia voltado ao seu trabalho original. A escuta monitorada pelas Forças Armadas dos Estados Unidos entendeu o recado. O aliado estava no Paquistão e foi lá que o terrorista acabou achado.

O ator e diretor Kevin Costner, em ‘Estrada sem Lei’, filme de 2019, interpreta um texas ranger – policial das antigas, cowboy, que percorria as pradarias americanas no lombo de cavalo na cola de malfeitores – que é chamado pela então governadora do Texas, Ma Ferguson, para dar fim a um casal que nenhum policial estava conseguindo capturar: os lendários assaltantes Bonnie e Clyde.

O desfecho de casal de criminosos antológicos foi bem semelhante ao de Lázaro, aqui no Brasil: com uma rajada de balas. Assim como o bandido morto em Goiás, o caso de Bonnie e Clyde foi verídico e se passou na década de 1930.

O casal morreu numa abordagem policial conduzida pelo então texas ranger Frank Hamer (que Kevin Costner interpretou em ‘Estrada sem Lei’) em 1934 na Louisiana. É, são casos assombrosos que ficam na história do mundo, feito a moda do Tião Carreiro & Pardinho, que impressiona com desfecho surpreendente.