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Primeira-dama amplia influência e ‘leva Daniel’ para a periferia

Cidade
31 de julho de 2020

Regina Alonso com moradoras da Vila Barros, na zona Norte da cidade (Foto: Divulgação)

O salto alto e a roupa social não são empecilhos para o bom trânsito e a receptividade nas periferias. Com envolvimento, Selma Regina Alonso, primeira-dama de Marília e presidente do Fundo Social de Solidariedade, ganhou influência na pandemia.

A esposa do prefeito Daniel Alonso (PSDB) fez o que muitos julgavam improvável: “levou o marido” para as comunidades. Com incursões diárias, tem ajudado a derrubar o estigma criado pela oposição de administração apartada do povo.

Em redutos onde a oposição garantia ter espaço consolidado, a primeira-dama posa à vontade para as fotos com as moradoras, comanda orações no meio da rua e conforta mulheres que vivenciam dramas sociais e exclusão.

Primeira-dama liderou campanha que arrecadou mais de 15 mil cestas, em um único mês (Foto: Divulgação/Prefeitura de Marília)

Dona Regina, como é chamada pela equipe de funcionários e voluntários do Fundo Social, cumpre as expectativas do cargo desde o início da gestão, mas se agigantou após a pandemia do novo coronavírus.

“Tive que divulgar mais, ficar mais exposta, para também expor a causa. É urgente, é grave, muitas pessoas estão em extrema carência e precisam do básico. Temos que levar alimento”, disse em entrevista ao Marília Notícia.

Ela intensificou as ações e mobilizou a população; de empresários a pequenos doadores individuais. São cestas básicas, máscaras de proteção facial e apoio a entidades que levam atendimento, principalmente, de emergência alimentar.

No primeiro semestre deste ano, o número de cestas básicas entregues pelo Fundo Social passou de 23 mil e superou, em cinco vezes, o número de doações do mesmo período do ano passado.

Uma única empresa doou 10 mil cestas básicas. No período mais crítico da pandemia – em abril – as entregas nos bairros chegaram a ser diárias, tudo acompanhado pela assessoria de comunicação da Prefeitura.

A divulgação, aposta ela, dá transparência e incentiva outros empresários a também fazerem doações. Faz a confiança da população no trabalho aumentar e motiva a equipe do Fundo Social.

Nos últimos dois meses, Regina tem dividido o tempo entre as entregas nas comunidades e as reuniões nas empresas, para captar mais doações.

Regina Alonso se divide entre as entregas de donativos e reuniões com empresários, para captação (Foto: Divulgação/Prefeitura de Marília)

Lideranças políticas

A articulação do Fundo Social de Solidariedade, para que os alimentos cheguem a quem precisa, é feita através de 56 líderes comunitários.

São presidentes de associações e pessoas identificadas – pela população – pela capacidade de resolver problemas locais, fazer a ponte entre necessidades e serviços públicos.

Nesse meio, Regina encontra várias pessoas envolvidas com a oposição. A escolha dela é seguir em frente, para que a ajuda chegue a quem precisa. Dialogar com eventuais adversários políticos de Daniel não é obstáculo.

“Nesse trabalho que eu realizo, fico tão feliz quando vejo as pessoas beneficiadas, que isso não importa. A verdade vai prevalecer. Acreditamos que reconhecimento ao trabalho que a administração está fazendo virá, mas hoje o que precisamos é garantir o alimento”, afirma.

Projeto Estação, onde Daniel teve que tomar medida impopular, com obrigação de fiscalizar e lacrar boxes, recebe Regina (Foto: Divulgação/Prefeitura de Marília)

Em uma das fases mais difíceis do governo, entre o segundo e início do terceiro ano do mandato – quando adotou várias medidas impopulares – o nome da primeira dama chegou a circular como eventual candidata, ao invés da reeleição do marido.

Ela nega que tenha havido qualquer pretensão, tanto de renúncia de Daniel à briga pela sucessão quanto desejo dela de governar a cidade.

“Jamais isso foi cogitado entre nós. Cada um tem seu papel e meu marido é um homem capaz, competente. Dia após dia está mostrando isso”, garante.

Referência às mulheres

Independente de comportamento, condição social e a religião que professa – evangélica – Regina afirma acreditar na mensagem do “amor de Jesus”, que em sua essência, contempla todas as pessoas.

Ela acredita que a proposta de oração nas comunidades durante entrega de alimentos tem tido adesão, justamente, por serem inclusivas, sem nenhum tipo de preconceito.

Filha de um lavrador e uma costureira, nascida em Herculândia, Selma Regina tem origem em família do campo, sem riquezas materiais. Prosperou com o marido, comerciante de materiais de construção.

Dona abraça moradora (em foto feita antes da pandemia); primeira-dama relata a alegria com o trabalho social (Foto: Divulgação/Prefeitura de Marília)

Eficiente na comunicação com pequenos grupos, ela reproduz em sua história um pouco da esperança de muitas mulheres, que também sonham com dias melhores, filhos saudáveis, instruídos e independentes.

“Todo trabalho, dedicação, investimento na família gera um retorno. Se as pessoas se espelham, acreditando que é possível melhorar de vida se esforçando, buscando isso gradativamente, pelo seu próprio esforço, penso que sim, que posso ser inspiração para outras mulheres”, afirma.

A presidente do Fundo Social diz que descobriu a “boa política”, embora garanta que vai continuar militando na frente assistencial. “A política, quando bem feita, quando tem propósito de melhorar as vida das pessoas, é transformadora. Meu objetivo está se cumprindo, mas vemos que ainda tem muita coisa para ser feita”, acena.