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Moradores reagem à mudança da UBS para Saúde da Família

Cidade
29 de abril de 2022

Moradores do São Miguel, na zona Oeste da cidade, prometem reagir à mudança da Unidade Básica de Saúde (UBS) do bairro em Unidade Saúde da Família (USF).

Leitores do Marília Notícia que vivem na região entraram em contato com a redação e mostraram discordância com a alteração do serviço. Uma audiência pública com a comunidade está marcada para o dia 4 de maio.

A autônoma Vera Lúcia da Silva Oliveira, moradora no bairro, conta que é atendida no posto há cerca de 20 anos. “São dois médicos clínicos, tem pediatra, fonoaudióloga, já teve dois dentistas, mas tiraram um. Podem incluir o médico da família, mas tirar os especialistas não”, reclama.

Conforme já mostrou o MN, a administração municipal – que assumiu o governo em 2017 com 12 UBS – planeja transformar metade delas em Saúde da Família. A justificativa é que os serviços mantidos serão fortalecidos, além de supostos ganhos com o modelo das USFs.

Dona Vera afirma ver vantagem no fato do médico da família fazer visitas domiciliares, com a equipe, o que não acontece no sistema tradicional, mas diz temer a falta de acesso aos médicos especialistas.

“A verdade é que estamos só perdendo. No passado tinha farmácia; agora temos que ir lá na avenida do Terminal, gastar R$ 9 para pagar o ônibus e ainda correr risco de voltar sem remédio. O povo tinha acesso ao pediatra, ginecologista no posto perto de casa. E agora?”, questiona.

Segundo a moradora do bairro, há grande descontentamento no São Miguel com a adoção do modelo Estratégia Saúde da Família (ESF). Vera afirma que a comunidade conta com muitos idosos e também crianças que, segundo ela, necessitam com maior frequência de médicos especializados.

A audiência pública está marcada para ocorrer no salão paroquial da Igreja “Maria Mãe”, às 19h, no dia 4 de maio. O salão fica na rua São Miguel, próximo à avenida Santo Antônio.

NOVA VISÃO

A Secretaria Municipal da Saúde enfrenta críticas, mas aponta vantagens e defende a formatação. Pelo novo modelo, o posto de saúde vai passar a ter médico da família durante oito horas diárias, não mais clínicos e especialistas, em horários e datas alternadas.

Outra mudança será a realização das visitas domiciliares preconizadas pelo Programa, que já funciona em outros 40 locais na cidade, por meio de contrato de gestão de serviços.

Atualmente, os trabalhadores são contratados pela Associação Maternidade e Gota de Leite de Marília, diferentemente dos funcionários das UBSs, que são servidores estatutários.

As USFs são dimensionadas para cada grupo de quatro mil moradores cadastrados. Quando o número ultrapassa, o município deve fazer a complementação ou dobrar a equipe.

MUDANÇA EM CURSO

Transição semelhante – a que vai ocorrer no São Miguel – já foi feita nas unidades do Jardim Bandeirantes (zona Oeste), do JK (Norte) e Costa e Silva (Sul). A Prefeitura nega redução de estrutura de assistência ou mera terceirização de serviços.

Um dos principais argumentos é que o modelo ESF atenderia melhor aos objetivos de prevenção e promoção da Saúde na Atenção Primária, ou seja, na rede de atendimento básico.

Além disso, o formato estaria mais alinhado com as diretrizes do Ministério da Saúde, tanto para o custeio dos serviços ofertados nos postos e programas relacionados quanto em relação à atribuição legal do município no Sistema Único de Saúde (SUS).