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Fique atento aos sinais da disfunção da tireoide

Coluna
15 de abril de 2021

Dr. Levy Figueiredo é médico-cirurgião especialista em cabeça e pescoço (Foto: Divulgação)

Falar de doenças em meio a uma pandemia pode até não soar como de bom tom. No entanto, mais do que apenas “falar de doenças”, a intenção dessa coluna é a de abordar assuntos que sejam pertinentes ao cotidiano das pessoas, trazer soluções e oferecer, mesmo que breve, um conhecimento sobre as inúmeras patologias que podem acometer o corpo humano.

Dentre os diversos problemas que podem afetar uma pessoa, um dos mais comuns, inclusive com índices de crescimento no Brasil e no mundo, é a disfunção da tireoide. Isso pode acontecer pelo uso de medicamentos que influenciam a função da glândula, como o lítio, usado como estabilizador de humor, e o iodeto, que ajuda a tratar deficiências de nutrientes ou casos de exposição à radiação.

Outras condições que podem afetar a tireoide são aquelas que alteram a proteína que carrega o hormônio tireoidiano, como a gestação, uso de hormônios (anticoncepcionais em altas dosagens, por exemplo), causas genéticas, hepatite, câncer de medula óssea e desnutrição.

Além disso, alguns outros fatores podem influenciar na disfunção como, por exemplo, o gênero do paciente (a patologia é de cinco a oito vezes mais comum em pessoas do sexo feminino), idade, excesso ou deficiência de iodo, exposição a raios-x ou a radicações, histórico familiar, entre outros.

TIPOS

Basicamente, as disfunções se dividem em dois grandes grupos, hipertireoidismo (excesso de hormônios produzidos pela glândula) e hipo (produção insuficiente).

No caso de pacientes acometidos pelo fator idade, por exemplo, são mais comuns diagnósticos de hipertireoidismo em mulheres que têm entre 30 e 50 anos. Já os casos de hipotireoidismo são comuns em adolescentes. Também é frequente o aparecimento de nódulos na tireoide em pacientes que tenham entre 40 e 45 anos.

SINAIS

No quadro do hipotireoidismo, os sintomas mais comuns são:

-Lentidão mental

-Quietude

-Sonolência

-Sensibilidade ao frio

-Crescimento deficiente

-Metabolismo baixo

-Diminuição da velocidade circulatória

-Constipação frequente

-Fraqueza muscular

-Suscetibilidade a infecções.

Já no caso do hipertireoidismo, os sinais clínicos mais frequentes são:

-Inquietação

-Sensibilidade ao calor

-Crescimento excessivo

-Metabolismo alto

-Colesterol muito baixo

-Taquicardia

-Palpitações

-Arritmias

-Aumento anormal do apetite ou ingestão excessiva de alimentos

-Diarreia com frequência

-Tremores

-Fraqueza muscular

-Suscetibilidade a infecções.

SE CUIDE

O ponto positivo disso tudo é que ambos os distúrbios são tratáveis. Algumas disfunções são curadas cirurgicamente, quando há indicação, mas na maioria das vezes elas são tratadas ou com a reposição hormonal ou com a introdução de medicamentos que diminuam a ação ou liberação de hormônios tireoideanos, no caso de hipertireoidismo.

Como forma de prevenção ao hipotireoidismo, a pessoa pode fazer a ingestão adequada de iodo (com prescrição médica). Contudo, em relação aos casos de hipertireoidismo, não há nenhum estudo que aborda do assunto. Neste sentido, vale pontuar que muitos sites indicam determinadas dietas, porém não existem estudos que comprovem a real eficácia disso.

Portanto, é importante lembrar que os casos de disfunções da tireoide têm tratamento, que deve ser feito sob orientação de um profissional qualificado. Caso algum destes sintomas se manifestem, a instrução é que procure médico de sua confiança.

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Dr. Levy Figueiredo é médico-cirurgião especialista em cabeça e pescoço (CRM-SP 156210)