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‘Lei do silêncio’ atrapalha, mas DIG esclarece morte de Rafael

Polícia
09 de outubro de 2020

Corpo de Bombeiros e Polícia Militar no local; até a localização do corpo foi dificultada pela “lei do silêncio” no bairro (Foto: Leonardo Moreno/Marília Notícia)

O adolescente Rafael Ferreira Pozzani, de 15 anos, morto no final do mês passado no bairro Marina Moretti, na zona Norte de Marília, foi vítima de uma emboscada. Os criminosos têm envolvimento com o tráfico de drogas, segundo a polícia, e mataram o rapaz em função de um desentendimento por ciúmes de uma garota.

Cinco dias antes de ser encontrado morto, Rafael foi visto pela última vez em uma esquina da rua Arnaldo Spachi. Houve forte comoção no bairro, apelo nas redes sociais e aos serviços de resgate, para a localização do corpo do jovem.

A apuração da Delegacia de Investigações Gerais (DIG) revelou que ele teria discutido com um rapaz de 18 anos, chamando-o de “talarico” – apelido dado a quem se relaciona com mulher já comprometida.

Este motivo teria provocado a morte do adolescente, pouco tempo depois, segundo a polícia. O delegado Valdir Tramontini apontou dificuldade para esclarecer o caso, já que no local impera a chamada “lei do silêncio”, o que intimidou moradores.

Rafael tinha 15 anos e, segundo familiares, nunca tinha passado uma noite fora de casa (Foto: Redes Sociais)

“Consta das investigações que, por volta das 23h do dia 22 de setembro, a vítima estava na esquina da rua Arnaldo Spachi, quando, sob ameaça de arma de fogo, foi rendida e dominada por quatro rapazes, os quais a conduziram Rafael centenas de metros mato adentro, e lá o teriam matado”, aponta relatório policial.

As investigações ainda não esclareceram como ocorreu a execução, já que a polícia ainda não recebeu o laudo necroscópico. Entretanto, há certeza de que foi morte violenta, provocada por terceiros. Houve ainda tentativa de ocultar o corpo, que estava coberto por folhas.

Entre os autores – que não tiveram as identidades reveladas – está um adolescente de 16 anos. Ele foi apreendido e está em internação provisória, por decisão da Vara da Infância e da Juventude de Marília.

Os outros três poderão responder criminalmente pelo homicídio. Todos tiveram suas prisões decretadas por 30 dias – temporária – após representação do delegado titular da DIG.

Droga encontrada na casa do menor que participou da morte de Rafael (Foto: Divulgação/Polícia Civil)

Um rapaz de 20 anos, segundo a polícia, foi preso dias depois da morte de Rafael, sob acusação de tráfico de entorpecentes. O jovem está preso na Penitenciária de Marília.

Todos os autores possuem envolvimento com o tráfico. Em buscas na casa do adolescente nesta sexta-feira (9), policias da DIG localizaram 17 microtubos com cocaína no quarto do menor que participou da morte de Rafael.

“Além de participação no homicídio, ele responderá também por ato infracional de tráfico de entorpecente, sendo encaminhado para Cadeia de São Pedro do Turvo, onde aguardará remoção para a Fundação Casa”, relatou a delegacia de Marília.

Foragidos

Ainda estão foragidos dois envolvidos no crime. Um deles tem 18 anos – pivô do desentendimento com a vítima. O outro foragido tem 19 anos.

A polícia constatou que ambos desocuparam as casas onde moravam. Embora não tenha divulgado os nomes dos autores por ser impedida pela legislação – Lei de Abuso de Autoridade – a Polícia Civil pede que os moradores (com conhecimento do caso) façam denúncias sobre o paradeiro dos criminosos.

As denúncias podem ser anônimas, com sigilo garantido aos denunciantes.

Área onde o corpo do adolescente foi encontrado, depois de cinco dias, oculto por folhas (Foto: Divulgação/Polícia Civil)