Justiça nega liberdade para acusado de homicídio ligado ao tráfico em Marília

A 3ª Vara Criminal da Comarca de Marília manteve a prisão preventiva de Ruan Henrique de Oliveira Carvalho, conhecido como “Jaiminho”. O réu é apontado como responsável pela morte de Diego Lacerda Bastião, assassinado com um tiro na nuca em outubro de 2025.
A decisão é do juiz Fabiano da Silva Moreno, que rejeitou o pedido de liberdade apresentado pela defesa e destacou a necessidade de preservar a ordem pública e a segurança das testemunhas do processo.
Os advogados de Ruan protocolaram, em 27 de maio de 2026, um pedido de revogação da prisão preventiva, decretada em 27 de novembro de 2025.
A defesa argumentou que o acusado possui residência fixa, convívio familiar e exerce atividade lícita como ajudante de montagem de móveis. Também sustentou que ele não representa risco à sociedade e solicitou a substituição da prisão por medidas cautelares, como monitoramento eletrônico e recolhimento noturno.
O Ministério Público do Estado de São Paulo (MP-SP), porém, manifestou-se pela manutenção da custódia. O promotor destacou a gravidade do crime, supostamente relacionado a uma disputa por território do tráfico de drogas, e apontou que Ruan teria confessado a autoria do homicídio por meio de mensagens enviadas a familiares da vítima.
Ao analisar o caso, o magistrado indeferiu o pedido da defesa. Na decisão, ressaltou a existência de fortes indícios de autoria e afirmou que Ruan é um criminoso “multirreincidente genérico”, observando ainda que ele cumpria pena em regime aberto, quando o crime teria sido praticado.
Com a decisão, a Justiça concedeu prazo de 10 dias para que a defesa apresente resposta à acusação.
Assassinato
O crime ocorreu na noite de 2 de outubro de 2025, por volta das 19h45, no bairro Toffoli, zona sul de Marília.
A Polícia Civil foi acionada e encontrou Diego Lacerda Bastião caído de bruços na rua Francisca de Oliveira. A vítima apresentava um ferimento provocado por disparo de arma de fogo na parte posterior da cabeça e intenso sangramento no rosto.
Na ocasião, moradores da região evitaram prestar informações por receio de represálias.
De acordo com a denúncia do Ministério Público, o homicídio foi motivado por disputa territorial relacionada ao tráfico de drogas e por desavenças anteriores entre os envolvidos. Segundo a acusação, Ruan atuava como administrador de um ponto de venda de drogas.
As investigações apontam que acusado e vítima mantinham discussões frequentes. Após uma dessas desavenças, que teria envolvido agressões verbais e físicas, Diego teria dado um tapa no rosto de Ruan.
Ainda conforme a denúncia, pouco depois do episódio, Ruan, supostamente a mando de um líder do tráfico, surpreendeu a vítima e efetuou um disparo à queima-roupa na região da nuca, impossibilitando qualquer reação ou defesa. Em seguida, teria efetuado outros três disparos para o alto e deixado o local.
Ruan Henrique de Oliveira Carvalho e Anderson dos Santos foram denunciados pelo Ministério Público em dezembro de 2025 por homicídio duplamente qualificado, por motivo torpe e mediante recurso que dificultou a defesa da vítima.
Os dois respondem ao processo e poderão ser submetidos a julgamento pelo Tribunal do Júri.