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Jovem que tentou suicídio supera trauma e projeta novo futuro

Cidade
23 de setembro de 2021

Setembro é o mês da prevenção do suicídio. Falar sobre suicídio é importante, mas é necessário cuidados para mitos não serem alimentados. Em alusão à campanha, o Marília Notícia traz hoje o depoimento real do gerente comercial William (nome fictício), de 27 anos, que aos 22 tentou dar fim à própria vida.

Esse texto foi modificado para seguir as recomendações da OMS na cobertura do tema. Não se deve mencionar o método para não acionar o risco do Efeito Werther. O nome do efeito é inspirado no livro do autor alemão Johann Wolfgang von Goethe (1749-1832), “Os Sofrimentos do Jovem Werther”, escrito em 1774. O protagonista, Werther, morre depois de uma frustração amorosa.

O drama incitou uma onda de suicídios com jovens usando a mesma roupa que o protagonista usava e o mesmo método que ele descreve no livro. Hoje, esse livro não teria esse efeito. Naquela época, ele foi inovador ao provocar uma reflexão sobre os sentimentos, o que não ocorria na literatura, e impulsionou o Romantismo na Europa.

VIVER NÃO É FÁCIL, MAS VALE MUITO A PENA

“Acredito que, naquele momento, o que eu mais senti foi raiva. Eu queria resolver o problema”, relata William. O jovem mariliense descobriu a importância de mudar vários hábitos e tomou decisões para reprogramar sua vida.

A mensagem de vida e superação dele encontra todo sentido no contexto do movimento global pela “Valorização da Vida – Setembro Amarelo”. A grande mensagem é que viver não é fácil, mas vale muito a pena.

Aquele momento, nas palavras do rapaz, foi o dia em que ele se trancou no quarto e tentou dar “um fim a tudo aquilo”.

Resolver o problema, para ele, era eliminar tudo que o fazia sofrer, inclusive a própria vida.

Felizmente, o ato não se consumou. William ainda não sabe explicar, mas quando já estava quase inconsciente, seu corpo o ajudou a ficar neste plano.

O jovem, diagnosticado com depressão, estava sozinho em casa. Não haveria ninguém para socorrer. Alguns familiares não sabem do episódio até hoje e William prefere que permaneça assim, como um acontecimento do passado, sem nenhum tipo de reflexo no futuro.

Futuro que o gerente comercial começou a construir quando decidiu assumir o controle da própria vida, há cerca de dez meses.

“Eu tomava vários medicamentos. Foram seis anos de tratamento e sei lá quantos anos de doença. Mas com ajuda médica, eu saí dessa. Tracei metas e coloquei em prática. Parei com cigarro, álcool, açúcar, voltei a praticar esportes, melhorei a qualidade da minha alimentação, passei a estudar com mais foco”, relata.

A tomada decisões e escolhas mais conscientes incluiu frequentar lugares que favorecem a saúde mental. William destaca a importância de ter por perto pessoas que podem colaborar com o processo, ao invés de se manter em um círculo de convivência com outras pessoas que também vivem depressivamente, algumas até sem diagnóstico.

Para ajudar amigos ou familiares que estão nessa situação, é preciso se fortalecer para depois, efetivamente, poder contribuir.

“Acho que o maior problema é a energia que a doença [depressão] traz. Precisamos dar o primeiro passo, depois outro, depois outro. É importante estabelecer metas que sejam mais simples e possíveis, alcançáveis”, ensina.

O jovem decidiu compartilhar sua luta e sua vitória ao perceber que pessoas em volta dele podem ser influenciadas pelo seu progresso.

Embora pessoal, a caminhada de William para superar a depressão pode ajudar a inspirar muitos que também sofrem.

Em Marília, o Poder Público, instituições de ensino e de saúde, entidades de múltiplos setores e empresas promovem ações para marcar essa luta.

A grande mensagem é que viver não é fácil, mas vale muito a pena

Confira abaixo a relação de serviços que podem ser acessados, em casos agudos relacionados à depressão e que exigem intervenção – imediata ou acompanhamento – para promoção da vida.

ESCUTA ATENCIOSA, SEM JULGAMENTOS

O Centro de Valorização da Vida (CVV) conta com voluntários 24 horas por dia, para atender pessoas que têm a necessidade de serem ouvidas, com respeito e sem julgamentos.

O contato pode ser feito pelo telefone 188 ou pelos outros canais disponíveis no site, que pode ser acessado [clique aqui].

SERVIÇOS PÚBLICOS SOBRE A VALORIZAÇÃO DA VIDA

Caps Com-Viver – (14) 3451-4028

Caps-i (Infantil) Catavento – (14) 3451-1660

Caps AD (Álcool e outras drogas) – (14) 3433-8606

Unidades Básicas de Saúde (Saúde da Família e UBSs)

Emergência: SAMU 192, UPA Norte, PA Sul, Pronto Socorro e Hospitais

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