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seg. 02 dez. 2024
RAMON FRANCO

Jornalismo e o Natal

Nem dá para imaginar como o redator conseguiu concluir o conto que até hoje emociona o público de todas as idades.
por Ramon Franco
Ilustração do conto ‘A rena do nariz vermelho’, de Robert May (Imagem: Divulgação)

‘A rena do nariz vermelho’ é um conto infantil escrito pelo redator norte-americano Robert May (1905-1976) que entrou para a memória afetiva de gerações, principalmente após o personagem Rudolph – o cervídeo que tem o nariz bem avermelhado, e, portanto, diferente das demais responsáveis por puxar o trenó do Papai Noel – virou desenho animado.

Robert, quando foi incumbido de redigir um enredo com personagens alusivos aos primórdios da alegoria que hoje assimilamos aos aspectos comerciais de final de ano, estava numa pior. Sem dinheiro, sua mulher vinha enfrentando um grave quadro clínico – o câncer avançava ferozmente – e só pensava em como faria para criar sua filha.

Certa noite, já com a tarefa para desenvolver a história – e escrever para o público infantil é uma missão para poucos, notem que o único escritor de Língua Portuguesa reconhecido com um Prêmio Nobel de Literatura, o português José Saramago (1922-2010), só escreveu um único livro infantil em toda sua longa trajetória literária – olhou para a janela de seu quarto, em Chicago, e entre a neblina que dominava as ruas e o cenário, avistou brilhando, lá na frente, um farol vermelho.

Pronto: ali nascia a base para o desenvolvimento da história. Passou a trabalhar na composição da trama e neste processo chegou ao nome Rudolph, contudo, antes do término da sua história, a esposa faleceu de câncer. Nem dá para imaginar como o redator conseguiu concluir o conto que até hoje emociona o público de todas as idades, principalmente no final do ano.

Recordo que num final de ano, acredito que nas semanas finais de dezembro de 1998, recebi a incumbência de selecionar um texto para que pudéssemos publicar na edição especial de Natal no semanário que trabalhava em Paraguaçu Paulista.

Na época não tinha nem 20 anos e, com pouca experiência, ainda incipiente nas leituras e nas lambadas que a vida nos dá, nem me arrisquei a redigir algo: não teria profundeza e muito menos sentimento para transmitir aos leitores da terra natal. O jeito foi dizer ao então editor que iria tentar encontrar algum poema, crônica ou até conto que se encaixasse no contexto jornalístico da ocasião.

A internet – a exemplo de mim no jornalismo – estava no começo e faltava conteúdo disponível. Passei a folhear, então, uma revista Reader’s Digest, em que, por sorte, havia a reprodução de uma resposta do jornal para a cartinha da menina Virgínia: ‘Sim, Virgínia, Papai Noel existe’, escreveu o editor-chefe Francis Church em forma de editorial no ‘The Sun’ e é considerado até hoje um dos mais importantes textos jornalísticos já publicados pela imprensa mundial – e um dos principais da imprensa dos EUA.

Está, salvo engano, no mesmo patamar do famoso artigo ‘Eu, acuso’ (‘J’accuse), do escritor francês Émile Zola (1840-1902) de 1898, denunciando o erro judiciário sofrido pelo judeu Alfred Dreyfus. Em Israel, no Museu do Holocausto, eu vi a página de jornal com o ‘J’accuse, está na estação que contextualiza o antisemitismo.

‘Sim, Virginia, Papai Noel existe. Existe tão realmente como o amor, a generosidade e a devoção existem’, garantiu o editor no jornal de Nova York naquele 1897 e, 91 anos depois, eu redigi uma matéria relatando toda esta história, reproduzindo a pergunta da então pequena Virgínia – que estava com 8 anos – e viria a falecer aos 81 tendo jamais duvidado da existência do Bom Velhinho – e retratando as amplitudes das respostas.

Anos mais tarde, já na condição de editor na imprensa mariliense, passo a mão no telefone ligo para a casa do artista plástico Artur Garcia Lopes, o Tuta. Anualmente, Tuta arrecadava brinquedos e os distribuía para as crianças carentes de Marília.

Do outro lado do telefone me atende um Tuta que falava fraquinho e me revelava que não estava muito bem de saúde, porém com firmeza e força para seguir com a campanha e fazer a distribuição. Era dezembro de 2013, dois meses depois, em fevereiro de 2014, Tuta se despediria de todos nós.

Lembro que, inspirado na pergunta de Virgínia, fiz uma indagação para o Tuta – não nesta nossa derradeira entrevista, mas na primeira entrevista que fiz com ele, lá no ano 2000 – ‘Não sou o Papai Noel de Marília, o Papai Noel de Marília são as pessoas que doam os brinquedos, que auxiliam nas entregas. Sou, na verdade, o entregador do Papai Noel”.

***

Ramon Barbosa Franco é escritor e jornalista, autor dos livros ‘Canavial, os vivos e os mortos’, ‘A próxima Colombina’, ‘Contos do Japim’, ‘Vargas, um legado político’, ‘Laurinda Frade, receitas da Vida’ e das HQs ‘Radius’, ‘Os canônicos’ e ‘Onde nasce a luz’, [email protected] 

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