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Inadimplência atinge cerca de 35% da população em Marília

Cidade
19 de junho de 2022

O Brasil registrou um novo recorde de inadimplência em 2022. São mais de 66 milhões de brasileiros endividados no mês de abril deste ano, segundo dados da Serasa Experian. Em Marília, foram mais de 85 mil pessoas com alguma dívida no CPF, o que corresponde a 35% da população.

Desde o começo deste ano, mais de 2 milhões de brasileiros se tornaram inadimplentes, totalizando 66.132.670 pessoas. Ao todo, em abril deste ano, foram registrados R$ 271,6 bilhões em dívidas entre os inadimplentes.

Segundo a Serasa Experian, em Marília, no mês de abril de 2022, foram registrados 85.578 CPFs inadimplentes na cidade. Considerando que a cidade conta com 242.249 habitantes, segundo estimativa do IBGE, o número de inadimplentes em Marília significa 35% da população.

O ticket médio da dívida no país foi de R$ 1.201,80. Já o valor médio da dívida entre os marilienses foi maior que a média nacional, com valor de R$ 1.236,40. Com relação ao perfil das dívidas no país, as áreas de cartões e bancos obtiveram 28,1% dos débitos, enquanto contas básicas como gás, luz e água representaram 22,9%.

Para o economista Benedito Goffredo, as classes mais baixas são as que mais sofrem com a inflação e com as altas taxas de juros, pois comprometem um percentual maior do que ganham com produtos básicos. Ele destacou que a inflação no país tem reduzido o poder de compra e não vê uma saída rápida dessa situação em curto ou médio prazo.

“Essa inflação especificamente dos combustíveis influencia os custos dos demais produtos, principalmente nos alimentos. As classes sociais menos privilegiadas contam com um percentual maior do salário consumindo com comida. Essas pessoas são as mais prejudicadas, seja pelo aumento da taxa de juros ou pela inflação, que traz perdas no poder de compra”, disse Goffredo.

O economista mariliense também lembrou que a guerra entre Ucrânia e Rússia contribuiu para a ausência de fertilizantes e consequentemente o aumento nos produtos da cesta básica.

“Infelizmente esse número de endividados ainda deve continuar crescendo. A inflação não deve diminuir e a taxa de juros está num viés de alta. O Banco Central dos Estados Unidos subiu a taxa de juros por lá e isso tem um efeito cascata, que se propaga no mundo inteiro. Já estamos percebendo novamente o aumento do dólar, que influencia no preço do petróleo, aumentando o custos dos produtos e correndo ainda mais o salário das pessoas”, explicou o economista.