Gasolina passa a ter 32% de etanol; preço pode cair e setor orienta atenção
A gasolina vendida nos postos brasileiros passará a conter 32% de etanol anidro, em vez dos atuais 30%, após decisão do Conselho Nacional de Política Energética (CNPE) aprovada nesta terça-feira (14). A nova mistura entra em vigor após a publicação da resolução no Diário Oficial da União, prevista para esta quarta-feira (15), com validade inicial de 180 dias.
Segundo o Ministério de Minas e Energia (MME), a medida busca reduzir a dependência do Brasil da importação de combustíveis fósseis. A pasta estima que o aumento da participação do etanol permitirá reduzir a importação de cerca de 900 milhões de litros de gasolina por ano.
De acordo com o empresário do setor de combustíveis em Marília, Guilherme Moreira, a alteração deve reduzir, em média, cerca de R$ 0,02 por litro no preço final da gasolina ao consumidor. Segundo ele, a queda ocorre porque a participação da gasolina fóssil na mistura passou de 70% para 68%, embora o aumento da proporção de etanol também eleve parte do custo da composição.
O empresário do setor Gustavo Cezar Henrique da Silva afirma que veículos flex mais modernos não devem apresentar alterações significativas, por já serem projetados para operar com misturas mais elevadas de etanol.
Já em relação aos veículos mais antigos movidos exclusivamente a gasolina e a alguns modelos importados, principalmente os equipados com motores de alta performance, Gustavo avalia que podem surgir problemas de funcionamento, uma vez que esses automóveis não foram originalmente desenvolvidos para operar com uma concentração maior de etanol.
Segundo ele, outro ponto de atenção é que o etanol possui característica mais higroscópica, ou seja, absorve umidade do ar com maior facilidade, o que pode representar um risco adicional para veículos que permanecem longos períodos sem uso. O empresário também afirma que a nova composição pode provocar uma pequena redução no rendimento, já que a gasolina possui maior poder energético que o etanol.
Por outro lado, o Ministério de Minas e Energia informa que a adoção da mistura E32 foi respaldada por estudos técnicos previstos na Lei do Combustível do Futuro. De acordo com a pasta, os testes realizados não identificaram danos significativos ao funcionamento dos veículos compatíveis com a gasolina comercializada no país.
A nova composição permanecerá em vigor pelos próximos seis meses e poderá ser prorrogada por igual período, conforme decisão do Conselho Nacional de Política Energética.