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Marília
seg. 30 jul. 2018

Equipe de USF leva teatro à escola para prevenção da leishmaniose

por Amanda Brandão

Equipe da unidade de saúde representou personagens para divertir e ensinar. (Foto: Júlio César de Carlis)

Eles aprenderam, de forma lúdica, sobre o perigo do lixo orgânico e da falta de cuidado com os cães para a transmissão da leishmaniose. O teatro “Fim da Picada”, com a equipe da USF (Unidade Saúde da Família) Figueirinha, impactou alunos da Emefei (Escola Municipal de Ensino Fundamental e Educação Infantil) Roberto Caetano Cimino.

Apresentações fazem parte do PSE (Programa Saúde na Escola) e atingiram mais de 400 alunos, distribuídos em quatro grupos na última sexta-feira (27). O trabalho teve início após a participação da escola nas oficinas ministradas pelos veterinários Lupércio Garrido Neto e Ticiana Donatti dos Reis, da Divisão de Zoonoses de Marília.

Durante o curso, realizado na sede da Secretaria Municipal da Educação, com a participação da Equipe Técnica da Secretaria e de professores coordenadores de 40 Emeis, foram transmitidas informações sobre o surgimento, avanço e a situação da doença na região, além de aspectos técnicos.

(Foto: Júlio César de Carlis)

FIM DA PICADA

Em cada território, o PSE tem diferentes estratégias, de acordo com o perfil da população. O bairro Figueirinha, localizado na zona norte, não registrou casos de leishmaniose em humanos, mas tem grande população canina e proximidade de áreas com transmissão confirmada, como Jânio Quadros e JK.

Para contar a história de uma família que só aprende a limpar o quintal após ter uma criança e um cão infectados pelo mosquito palha, os profissionais de saúde encararam os personagens: papai, mamãe, mosquito, cãozinho, entre outros.

A enfermeira Elanir Morro, que improvisa como roteirista e apresentadora do teatro, conta que a proposta lúdica movimentou a unidade. “Todos se envolveram, fizemos as fantasias, cenário, enfim, foi um trabalho de equipe e o resultado é excelente”, disse.

Para a diretora da escola, Rosemeire Frazon, que recebeu o grupo ao lado da auxiliar, Elissandra Medeiros, a ludicidade e contato com os profissionais de saúde permitem às crianças fazer a transposição do conhecimento para o cotidiano, o que torna o trabalho mais eficaz.

“Eles assimilam, de fato, o tema. Importante que a partir desse trabalho, é feita a conexão com a realidade deles, envolvendo a família e a comunidade de forma geral”, explica a educadora.

Equipe de apoio da Atenção Básica, representante do RH da Maternidade Gota de Leite (parceira do município na ESF – Estratégia Saúde da Família) e o coordenador de serviços administrativos da Secretaria Municipal da Saúde de Marília, Antônio Roberto Ruiz, participaram da plateia e aprovaram a iniciativa.

“O PSE é uma arma poderosa para que possamos atingir, ainda mais, a população, conscientizando sobre a importância de hábitos simples e de grande repercussão no controle da doença, como a limpeza dos quintais e a atenção aos cães”, disse Roberto.

(Foto: Júlio César de Carlis)

O QUE É A LEISHMANIOSE

A leishmaniose visceral é uma doença grave que acomete o homem, os cães e outros mamíferos. É causada pelo parasita Leishmania chagasi, que é transmitido por meio da picada do mosquito palha. Nas áreas urbanas, o cão é a principal fonte de infecção. Ao picar um cão infectado, o mosquito palha passa a transmitir a doença.

O mosquito costuma picar a partir do final da tarde até o amanhecer. O “palha”, que recebe esse apelido por sua cor, se reproduz depositando seus ovos no solo. As larvas alimentam-se de matéria orgânica até se tornarem adultos.

Para evitar a proliferação do mosquito palha, é preciso manter o ambiente limpo, livre de entulhos e matéria orgânica. A cidade apresenta casos da doença em humanos desde 2011, quando foi confirmada uma notificação de leishmaniose visceral na zona norte.

Em 2014 foram outras duas ocorrências e em 2015 mais uma. Em 2016 o número disparou: foram dez casos. Sem ações específicas de controle entre 2014 e 2016, o avanço da doença prosseguiu.

Desde janeiro de 2017 funciona um Grupo Técnico, com a participação da Sucen (Superintendência de Controle de Endemias), específico para acompanhar a doença e definir ações. Em 2017 foram confirmados 15 casos e este ano apenas um registro positivo.

(Foto: Júlio César de Carlis)

(Foto: Júlio César de Carlis)

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