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Com quem eu posso contar? Se livre da dependência emocional!

Coluna
16 de maio de 2019

Esse tipo de dependência pode ser que tão tóxica quanto uma dependência química.

Pedir a opinião de pessoas que estimamos para tomarmos decisões importantes e poder contar com o respaldo delas frente às consequências que, porventura, possam ocorrer é algo reconfortante. A psicologia do desenvolvimento nos mostra que as relações de apego são essenciais para a ativação e estimulação das nossas capacidades e habilidades, o que permite o crescimento humano. E essas primeiras interações são primordiais para que, desde a infância, a criança crie registros de memória de segurança ou insegurança diante do mundo que a cerca.

A criação desses vínculos, poderão influenciar o aspecto emocional que daremos aos acontecimentos por toda a nossa trajetória de vida, e consequentemente nosso comportamento, nossa percepção da realidade e expectativa do futuro, em geral de maneira inconsciente. Ou seja, necessitamos dessa interação com o outro e para termos a sensação de que “temos com quem contar”, o que é algo normal e importante para as relações.

No decorrer da vida é muito saudável o compartilhamento entre casais, familiares, amigos, pais e filhos, etc. Entretanto, a necessidade de ‘ter com quem contar”, pode tornar-se patológica em casos de apego excessivo a uma outra pessoa.

É o caso da Dependência Emocional, que é um transtorno de personalidade, que consta na Classificação Internacional de Doenças e Problemas Relacionados à Saúde (CID 10) caracterizado por excessiva dependência de outros para tomar decisões, baixa auto-estima, medo patológico de ser abandonado(a), submissão passiva às vontades do outro e dificuldade em expressar as próprias vontades e necessidades.

Esse tipo de dependência pode ser que tão tóxica quanto uma dependência química e trazer sérios prejuízos para quem sofre desse transtorno, assim para quem convive com o dependente.

De acordo com a psicóloga Andréia Lima, a dependência emocional pode surgir de uma necessidade extrema de ser amado. “Observamos que dependentes emocionais apresentam comportamentos de submissão ao outro, sinais de abstinência na ausência do objeto amado, ausência de decisões nos relacionamentos, sentimentos de insatisfação, vazio emocional, medo da solidão, baixa tolerância a frustração, tédio, desejo de autodestruição e sentimentos negativos, falta de consciência sobre seus problemas, sensação de estarem presos ao relacionamento e de que não conseguirão deixá-lo, conflitos de identidade, foco excessivo no outro e autonegligência. O dependente emocional se sente responsável pelos acontecimentos e necessidade de ajudar o parceiro, tentando resolver todos os problemas, porém num estado de auto estima baixíssimo”, explica.

Outro aspecto que tem recebido atenção dos estudiosos são os mecanismos neurológicos envolvidos nas relações amorosas. Observa-se que os sentimentos amorosos utilizam as mesmas vias neurais que substâncias psicoativas, ativando os sistemas de recompensa do cérebro (Fisher, Aron, & Brown, 2005) e criando sintomas de dependência similares. Portanto, apesar do termo “dependência” ser tradicionalmente ligado ao uso de substâncias ou drogas psicoativas, as dependências de sentimentos ou as Dependências de Relacionamentos também merecem ser objeto de pesquisa e intervenção, visto que apresentam etiologia e sintomatologia semelhante à de outras dependências.

A psicóloga explica que uma relação de dependência pode ser definida por quatro elementos: motivacional, afetivo, comportamental e cognitivo. O componente motivacional refere-se à necessidade de suporte, orientação e aprovação. O segundo componente, afetivo, está relacionado à ansiedade sentida pelo indivíduo diante de situações nas quais ele necessita agir independentemente. O componente comportamental alude à tendência a buscar ajuda de outros e de submissão em interações interpessoais. E o último componente remete à percepção do sujeito como impotente e ineficaz. “Desta forma a dependência emocional pode manter pessoas em relações que não funcionam, que não lhes fazem felizes, o que gera um mal-estar emocional significativo. Além disso, contribui para a inércia diante de problemas como a violência física ou psicológica”, explica.

Como superar a dependência emocional

A reflexão e conscientização de colocar um ponto final em relações que provocam prejuízos são passos importantes, além do resgate da autoestima. “Nem sempre o dependente emocional tem condições de fazer isso por si só, ele pode não ter mais recursos internos emocionais suficientes para a mudança, nesse caso ajuda psicológica é fundamental”, complementa a psicóloga.

Vale lembrar que cuidar da mente é tão importante quanto cuidar do corpo, desta forma autocuidado e a autoestima são essenciais para a saúde.

Portanto, ame-se muito, ame-se o suficiente para dar conta de seguir em frente quando te deixarem para trás.