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Com filho nas costas, pai pede ajuda para comprar cadeira de rodas

Geral
15 de junho de 2014

Gilberto, também conhecido como Beto, vive a menos de 20km da Arena das Dunas, estádio que consumiu mais de R$ 1 bilhão com recursos públicos para abrigar a Copa do Mundo. Mas sua realidade está anos-luz do imponente estádio. O senhor de 55 anos põe nas costas diariamente o filho Ronaldo, de 24 anos, e sai em busca do sustento da família.

Desempregado e responsável por criar onze pessoas (sendo oito crianças), Beto acopla no corpo o filho, que é portador de deficiência, carregando também o peso da fome e da sede. As ladeiras e o calor de Natal, que não dá trégua nem em junho, endurecem seu caminho diário.

Beto não dá a mínima para o Mundial. A torcida é apenas para que as esmolas aumentem com a chegada de estrangeiros à cidade. Em dia bom, pai e filho ganham R$ 180. São esperados em Natal turistas norte-americanos, japoneses, mexicanos, italianos, entre outras nacionalidades. “Essa Copa vai trazer bastante gente pra cá. Quero juntar dinheiro para comprar a cadeira dele”, diz.

A expectativa de Beto é que o turismo Impulsione a arrecadação de fundos para a compra de uma cadeira de rodas. Ele afirma ter separado R$ 80 para adquirir o equipamento. A cadeira de rodas que Ronaldo usava quebrou faz alguns meses. O equipamento havia sido dado por uma pessoa sensibilizada com a situação. Beto transporta o filho em direção à orla de Ponta Negra, em Natal.

“Eu carreguei ele a vida inteira. Meu filho é pesado e não anda. Mas eu ando”, sintetiza Gilberto. O filho de 24 anos é cego, paraplégico e não tem acompanhamento médico. A medicação necessária para tratamento é usada quando se tem. Ouvir jogos do América pelo rádio é uma terapia ao jovem, torcedor do time natalense.

De guarda-sol em guarda-sol, Beto abriga as moedas em uma garrafa pet cortada. “Tem gente que dá R$ 100. Às vezes me dão R$ 50. É difícil [juntar] porque tem que os filhos e netos. Eu não consigo dizer não em casa quando me pedem R$ 2”, explica. Beto e Ronaldo percorrem diariamente de ônibus o trajeto da região do Planalto, onde residem, à orla de Ponta Negra, em Natal. Lembrança boa é de quando um taxista ofereceu carona até a moradia da dupla.

Semianalfabeto, Beto não tem celular e tampouco traça planos. As esmolas são sua fonte de renda. Seu contato mais próximo é uma pessoa ligada à família chamada Antônio (84 8606 1877).

Pouco movimento de turistas

Natal será sede de quatro partidas México x Camarões, Gana x EUA, Japão x Grécia e Itália x Uruguai.

Mas a Copa do Mundo ainda não pegou na cidade. A quatro dias da estreia de Natal no torneio, o movimento de turistas é baixo. Hoteis estão com ocupação reduzida. Comerciantes da região de Ponta Negra calculam que o movimento está 60% menor em relação a anos anteriores.

Das oito seleções que virão jogar no Rio Grande do Norte, apenas Gana montará sua base de treinamento no Estado.

Telefone 

Quem quiser ajudar pode entrar em contato com Antônio pelo telefone: 84 8606 1877

Fonte: Reprodução UOL