Desde 2014, mais de 51000 artigos.
,/2020

Casa do Pequeno Cidadão encolheu pela metade na gestão Vinicius

Cidade
17 de outubro de 2020

Crianças das Casas do Pequeno Cidadão de Marília, em 2018, durante evento do Sorria Marília na APCD (Foto: Prefeitura de Marília)

O programa Casa do Pequeno Cidadão, que em 2012 (final do governo Bulgareli/Toffoli) tinha dez unidades na cidade e mil crianças e adolescentes, tem atualmente seis pontos de atendimento e metade do público atendido. Os principais cortes e mudanças na política social aconteceram entre 2013 e 2016, na gestão do ex-prefeito Vinícius Camarinha (PSB).

Por conta da pandemia, o atendimento presencial está suspenso. Como a maioria das famílias relataram dificuldade para fazer atividades online, a Secretaria Municipal de Assistência e Desenvolvimento Social preferiu não adotar atividades remotas.

Uma vez por semana, funcionários abrem as Casas do Pequeno Cidadão para entregar material impresso. Equipes da Prefeitura também vão até os atendidos com periodicidade. A ideia é preservar vínculos e transmitir alguns conhecimentos, principalmente voltados à cidadania e saúde.

Polêmica

O tema ficou em evidência depois que o candidato Abelardo Camarinha (Podemos) mencionou que a gestão atual fechou as unidades do Pequeno Cidadão na cidade. A afirmação, segundo a secretária municipal da pasta, Wania Lombardi, provocou indignação entre os servidores, que mantém o serviço ativo.

Gravação com coral da Casa do Pequeno Cidadão no Teatro Municipal, em 2015 (Foto: Mauro Abreu)

O Marília Notícia apurou que o programa teve redução de cinco unidades no governo Vinicius Camarinha e ampliou o número de Casas – dividindo uma delas – com Daniel Alonso.

Unidade XI – 2013

Em dezembro foram enceradas as atividades da Casa do Pequeno Cidadão XI, que funcionava no Educandário Bento de Abreu Sampaio Vidal. O prédio pertence a Santa Casa de Marília e atualmente abriga ambulatórios de saúde.

A Prefeitura manteve parceria com o Educandário – transferido para o Patronato – mas o convênio passou da Assistência Social para a Educação. A Prefeitura ainda cede servidores para atendimento às crianças. O serviço é coordenado pelos religiosos do São Vicente de Paulo.

Unidade VII – 2014

Em fevereiro a Prefeitura encerrou o convênio com Associação Espírita Cairbar Schutel. O motivo alegado é que as crianças atendidas passaram a ser assistidas em escolas de período integral, por isso houve redução dos usuários atendidos.

Unidade IX – 2015

Foi encerrada em julho. Na unidade, era feito acolhimento institucional (abrigo permanente) de meninos. A Vara da Infância e Juventude passou a realizar audiências concentradas semestrais, para avaliação da possibilidade de volta à família ou um responsável legal.

Nova legislação passou a determinar que nenhuma criança e adolescente deve permanecer acolhido (internado) por mais de dois anos. Houve grande redução do público (masculino), que foi absorvido pela Filantrópica, na zona Norte da cidade.

Grupo da Casa do Pequeno Cidadão em 2018, durante passeio no Centro de Venenos e Animais Peçonhentos de Botucatu (Foto: Divulgação)

Unidade II – 2015

Em agosto do mesmo ano, a Casa do Pequeno Cidadão II, que era mantida em convênio com a Aliança Brasileira Assistência Social Educacional (Abase), teve mudança solicitada pela mantenedora.

A entidade firmou convênio com a Secretaria Municipal da Educação e implantou a Escola “Irmão Policarpo”, como entidade parceira para serviços educacionais.

Todos os atendidos pela instituição – no Cascata – eram de outros bairros e a recomendação foi para que as famílias procurassem a Casa do Pequeno Cidadão mais próxima da residência.

Unidade VI – 2016

O motivo de cancelamento do projeto também foi a mudança da escola (que a maioria dos assistidos frequentava) para período integral. Com isso, segundo a Prefeitura, houve redução dos atendidos.

Levantamento teria apontado que a maioria das crianças residia na Vila Coimbra, onde já tem uma Casa do Pequeno Cidadão.

Grupo da Casa do Pequeno Cidadão faz passeio em cinema, em 2019 (Foto: Divulgação)

Gestão atual

O governo Daniel Alonso (PSDB) encerrou uma unidade do Pequeno Cidadão e criou outras duas, incorporadas a instalações de Centros de Referência em Assistência Social (Cras).

A unidade encerrada – fato amplamente explorado pela oposição – ficava na Via Expressa Sampaio Vidal, por meio de convênio com a Loja Maçônica Marília de Dirceu.

Levantamento teria apontado que a maior parte das crianças atendidas moram perto dos Cras Teotônio Vilela (bairro de mesmo nome) e Rosa dos Santos Modelli (CDHU), ambos na zona Sul.

Grupo a caminho de passeio, em 2018, a Botucatu (Foto: Divulgação)

Atualmente, em Marília não existe mais nenhuma Casa do Pequeno Cidadão em formato de abrigo. A nova política nacional para o tema, frontalmente contra a internação, teve mais responsabilidade por essa mudança que os gestores municipais.

Atualmente, as seis unidades do Pequeno cidadão  

– Casa do Pequeno Cidadão Santa Antonieta
Rua Dr. Arnaldo Toledo de Barros, 1.589 – Bairro Santa Antonieta

– Casa do Pequeno Cidadão Rosália
Rua Belmiro da Rocha, 155 – Distrito de Rosália

– Serviço de Convivência e Fortalecimento de Vínculos CRAS Rosa dos Santos Modelli.
Rua Ioneu Carvalho Domingos, 586. Bairro Paulo Corrêa de Lara

– Serviço de Convivência e Fortalecimento de Vínculos – Cras CRAS Teotônio Vilela.
Rua: Sebastião Mazzali s /n – Teotônio Vilela

– Casa do Pequeno Cidadão Padre Nóbrega
Avenida José Paschoal Gervásio,930, Padre Nóbrega

– Casa do Pequeno cidadão Vila Coimbra
Rua Amador Bueno 855 Vila Coimbra

Evento com as famílias na Casa do Pequeno Cidadão da zona Sul (Foto: Divulgação)

Grupo se apresenta no Sorria Marília, edição de 2018 (Foto: Divulgação)

Festa junina na Casa do Pequeno Cidadão da Via Expressa, em 2016; unidade foi dividida e equipe transferida para a periferia na gestão Daniel (Foto: Divulgação)