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Camarinha foi contratado sem concurso pelo Metrô e nunca trabalhou lá

Cidade
08 de novembro de 2019

Abelardo Camarinha nunca trabalhou no Metrô e recebe quase R$ 20 mil (Foto: Divulgação/Alesp)

O ex-prefeito e ex-deputado Abelardo Camarinha (PSB) foi contratado de forma direta, por força de influência política e sem concurso público, há 30 anos pelo Metrô de São Paulo, mas na prática nunca trabalhou no local e tem remuneração de quase R$ 20 mil.

Em entrevista ao Marília Notícia no último dia 3 de outubro, Camarinha, ao que parece, mentiu ao dizer que era funcionário concursado.

“O Metrô de São Paulo não realizou contratações via concurso público antes de 1990. A admissão do senhor Camarinha ocorreu em 1989, de forma direta”, respondeu o Governo do Estado após questionamento feito pelo site.

Foi necessário apelar para a Lei de Acesso à Informação (LAI) para obter as explicações. Mesmo assim, não foi dada resposta para a pergunta sobre quem foi a pessoa responsável pela nomeação de Camarinha. O MN vai recorrer para obter essa informação.

Segundo o Metrô, Camarinha foi contratado no dia 16 de janeiro de 1989 e no mesmo dia já foi cedido para a Secretaria de Estado da Habitação e Desenvolvimento Urbano.

Desde a contratação são ao todo 14 afastamentos ininterruptos durante esses 30 anos. Nesse período o político foi eleito algumas vezes deputado e prefeito de Marília e o afastamento foi na modalidade não remunerado nesses casos.

Já quando não exerceu cargo político eletivo, Camarinha foi cedido pelo Metrô para órgãos públicos, como acontece agora com a Assembleia Legislativa do Estado de São Paulo (Alesp), que desta vez reembolsa a empresa de transporte público. No entanto, em outras ocasiões, o político recebia do Metrô e trabalhava em outros lugares sem reembolso.

Ele também recebeu diretamente do Metrô nas ocasiões em que obteve licença para fazer campanha política.

Durante todo esse tempo, segundo o Metrô, “Camarinha desempenhou funções compatíveis com os cargos eletivos para os quais concorreu e obteve nomeação”. E o controle de frequência do político em seus trabalhos nunca ficaram a cargo da companhia.

“O controle de frequência deve ser informado pelos órgãos aonde o senhor Camarinha prestou serviço”, consta na resposta obtida via LAI.

Cargo na Alesp

Em 2019, até agosto, o político já recebeu R$ 75 mil líquido do serviço de transporte público da Capital.

Neste ano, Abelardo assumiu a função no Metrô em março. Naquele mesmo mês, no dia 19, ele foi nomeado para o gabinete da liderança do PSB na Alesp, na função de assistente legislativo administrativo.

O líder da sigla no parlamento paulista é seu filho, ex-prefeito e deputado estadual Vinicius Camarinha.

A nomeação de Abelardo no legislativo é na modalidade “comissionado sem prejuízo”. Ou seja, sem prejuízo de seu salário pago pelo Metrô.

Quer dizer que ao invés de receber da Alesp – onde ele afirma estar trabalhando – o dinheiro de seu salário sai da Secretaria de Transportes Metropolitanos. No entanto, o Metrô afirmou ao site por meio de nota que a Alesp reembolsa tais pagamentos.

No mês passado a Secretaria Geral da Alesp atribuiu a Abelardo a “gratificação de representação”. Na publicação do Diário Oficial do Estado não consta o valor da gratificação.

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