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‘Amor que não se mede’ move pedras e cria caminhos

Cidade
08 de maio de 2022

Daniela está com 33 anos e foi a primeira aluna do Espaço Potencial, fundado pela mãe (Foto: Michele Correia/Marília Notícia)

O amor por um filho pode criar novos caminhos. Foi assim na vida da professora aposentada Arsênia de Mello Rodrigues de Oliveira, uma das fundadoras do Espaço Potencial – Associação de Pais e Amigos do Autista.

Com a dificuldade em encontrar uma escola que acolhesse a filha Daniela – autista -, Arsênia se reuniu com uma professora de educação especial e outra mãe de criança com o mesmo diagnóstico e juntas criaram uma escola voltada a menores com a mesma condição.

“Quando tentei colocar a Dani na escola, eu só recebi não. Passava dois ou três meses e eles me chamavam dizendo que não dava pra ficar com ela, porque ela não parava na sala, não ficava sentada. Quando a Dani estava com dez anos e já tinha passado por tudo quanto é escola, fizemos uma reunião na minha casa, começamos com a ideia e fomos montando devagarzinho. [O espaço] começou a funcionar em uma igreja, no início com cinco crianças, e depois alugamos uma casinha na rua Paes Leme”, conta.

Atualmente, com 13 anos de fundação e em sede própria, na rua Beline Marconato, 300, zona Norte, o Espaço Potencial atende 163 crianças.

“Antes daqui, minha filha me questionava porquê eu a tinha tirado da escola, e não era eu quem tinha tirado. Eu me sentia pequenininha. Eu digo que Deus foi bom conosco, de juntar as pessoas certas, na hora certa. Aqui ela se sente feliz. Ela fala que eu fiz o Espaço (Potencial) para ela. Eu falo que não fiz só pra ela. Eu fui procurar um jeito, buscar um caminho para ela ser feliz e eu me senti realizada, porque ela é minha companheira”, destaca a aposentada.

AMOR QUE MOVE SEGUIDORES

Vânia com as filhas Ana Carolina e Mariana, do perfil ‘Mariana Educada’ (Foto: Babi Borba/Arquivo Pessoal)

A criadora de conteúdo digital Vânia Santana é a mãe por trás do perfil “Mariana Educada”, que acumula mais de três milhões de seguidores se somadas as três redes sociais nas quais está inscrita.

“Eu sempre filmei a Mariana desde pequeninha. Desde que ela nasceu, eu sempre mostrei para os amigos e familiares para que eles vissem que nós criávamos a Mariana sem tabu. O fato de ela ter síndrome de Down não era um problema para nós, e as pessoas poderiam vir até nós sem receio. Por isso, sempre gostei de mostrá-la nas redes sociais, em princípio para os amigos”, explica Vânia.

A ideia da criação do perfil surgiu depois que um vídeo publicado pela mãe viralizou. A gravação mostrava uma pequena discussão entre Mariana e a irmã, Ana Carolina.  Uma amiga pediu para compartilhar o vídeo, onde a mãe dizia para que Mariana mostrar que era “educada”, tornando-o público.

Depois disso, outras mães, não só de crianças com deficiência, procuraram a família pedindo que o perfil fosse liberado, e que fosse criada uma página para que pudessem acompanhar a vida da menina.

“Ser mãe de uma criança sem nenhum tipo de deficiência é uma alegria, e ser mãe de uma criança que tem uma limitação ou uma deficiência, é um sentimento que somente as mães atípicas podem descrever. É um desafio gigantesco, mas eu acredito que Deus escolhe essas mães, porque essas crianças são presentes. A gente aprende a amar cada dificuldade, cada necessidade. O que eu faço pela Mariana como mãe não chega a 1% da quantidade de coisas boas ela me dá, e faz. Sem romantizar, eu digo que eu não mudaria nem um fio de cabelo da Mariana por mim. Eu a amo com toda a intensidade e força do jeito que ela é”, diz.

QUANDO O MILAGRE ACONTECE, E SE REPETE OUTRAS VEZES

Gabriela com os três filhos e o marido Alan (Foto: Arquivo Pessoal)

Mas, e quando ter um filho parece representar um sonho distante? Aos 16 anos, depois de sentir muita dor, a confeiteira Gabriela Franco descobriu dois tumores, um em cada ovário. “Um tinha 13 e o outro nove centímetros. Quando o médico viu, já me encaminhou direto para o centro cirúrgico”, contou Gabriela.

Os tumores eram hemorrágicos e estavam corroendo o útero. Terminada a cirurgia, a confeiteira soube que tinha ficado com apenas parte de um ovário (o outro foi retirado por completo), e que ter filhos seria missão quase que impossível, até porque ainda restavam alguns cistos.

“Depois de um ano e cinco meses, engravidei da minha primeira filha, Helena, hoje está com quatro anos. Depois veio o Matheus, de dois anos, e por fim a Ana Lívia, com nove meses. No fim, meu sonho de ser mãe deu certo, tenho três crianças arteiras e cheias de saúde”, comemora.