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Brasil
dom. 18 jan. 2026
ECONOMIA

Acordo Mercosul-UE amplia acesso do Brasil a 36% do comércio global

Estudo da CNI aponta impacto estratégico para indústria e exportações brasileiras.
por Agência Brasil
Tratado amplia exportações, reduz tarifas e fortalece integração do Brasil (Foto: Agência Brasil)

O Brasil poderá ampliar de 8% para 36% o acesso ao mercado global de importações de bens com a entrada em vigor do acordo comercial entre o Mercosul e a União Europeia (UE), segundo levantamento da Confederação Nacional da Indústria (CNI). O percentual considera que a UE respondeu, sozinha, por 28% do comércio mundial em 2024, de acordo com dados analisados pela entidade.

A avaliação foi divulgada neste sábado (17), após a assinatura do tratado comercial entre os países do Mercosul e o bloco europeu, durante cerimônia realizada em Assunção, no Paraguai. Para a CNI, a formalização do acordo representa uma mudança estratégica para a indústria brasileira.

De acordo com o estudo, 54,3% dos produtos negociados — mais de cinco mil itens — terão tarifa de importação zerada na União Europeia assim que o acordo entrar em vigor. No Mercosul, o Brasil terá prazos mais longos, entre 10 e 15 anos, para reduzir tarifas de 44,1% dos produtos, o equivalente a cerca de 4,4 mil itens, o que garante uma transição gradual.

“Com base nos dados de 2024, 82,7% das exportações do Brasil para a UE passarão a ingressar no bloco sem tarifa de importação desde o início da vigência. Por outro lado, o Brasil se comprometeu a zerar imediatamente tarifas de apenas 15,1% das importações com origem na União Europeia, reforçando a diferença favorável ao país”, avalia a CNI.

Após a assinatura, o texto do acordo ainda precisa ser ratificado pelo Parlamento Europeu e pelos congressos nacionais de cada país do Mercosul. A entrada em vigor da parte comercial depende dessa aprovação legislativa e deve ocorrer de forma gradual nos próximos anos.

Segundo a confederação, o Brasil terá, em média, oito anos adicionais para se adaptar à redução tarifária em comparação com o prazo adotado pela União Europeia, considerando o comércio bilateral e o cronograma previsto no acordo.

“A assinatura do acordo é um marco histórico para o fortalecimento da indústria brasileira, a diversificação da pauta exportadora e a integração internacional do país ao comércio global”, afirma a CNI. A entidade destaca ainda que “em negociação há mais de 25 anos, trata-se do tratado mais moderno e abrangente já negociado pelo Mercosul”.

No campo econômico, a CNI informou que, em 2024, a cada R$ 1 bilhão exportado do Brasil para a União Europeia foram gerados 21,8 mil empregos, com movimentação de R$ 441,7 milhões em massa salarial e R$ 3,2 bilhões em produção.

No setor agroindustrial, a entidade avalia que o acordo também traz ganhos relevantes. As cotas negociadas para carne bovina superam as concedidas pela UE a parceiros como Canadá e México. No caso do arroz, as cotas ultrapassam o volume atualmente exportado pelo Brasil ao bloco europeu, ampliando o potencial de acesso ao mercado.

A CNI aponta ainda que o tratado cria um ambiente favorável à ampliação de projetos de pesquisa e desenvolvimento voltados à sustentabilidade e à inovação tecnológica. “As novas exigências regulatórias e de mercado impulsionam oportunidades em tecnologias de descarbonização industrial”, destaca a entidade, citando áreas como captura e uso de carbono, hidrogênio de baixa emissão, motores híbrido-flex e reciclagem de baterias.

Em 2024, a União Europeia foi destino de US$ 48,2 bilhões das exportações brasileiras, o equivalente a 14,3% do total exportado, mantendo-se como o segundo principal mercado externo do país, atrás da China, segundo dados da CNI. No mesmo período, o bloco respondeu por US$ 47,2 bilhões das importações brasileiras, ou 17,9% do total.

Ainda conforme a confederação, 98,4% das importações brasileiras provenientes da Europa foram de produtos da indústria de transformação, enquanto 46,3% das exportações do Brasil à UE corresponderam a bens industriais. A UE também se mantém como o principal investidor estrangeiro no Brasil, com estoque de US$ 321,4 bilhões em 2023, equivalente a 31,6% do total.

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