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ter. 16 jun. 2026
OPINIÃO
MARIANA SAROA

Sua marca é realmente sua? O erro que pode custar anos de trabalho

O direito de exclusividade sobre uma marca nasce, em regra, com o registro realizado perante o Instituto Nacional da Propriedade Industrial.
por Mariana Saroa
Mariana Saroa de Souza é advogada de direito do trabalho empresarial (Foto: Divulgação)

“A empresa pode utilizar uma marca durante anos e, ainda assim, ser obrigada a deixar de usá-la se não possuir o registro adequado perante o Inpi.”

Você passou anos construindo sua empresa. Investiu em divulgação, conquistou clientes, criou reputação e fez seu nome ser reconhecido no mercado.

Mas existe uma pergunta que muitos empresários não sabem responder:

A sua marca está registrada?

Se a resposta for não, talvez você não tenha a proteção que imagina.

Muitos empreendedores acreditam que abrir um CNPJ, registrar a empresa na Junta Comercial ou criar um perfil nas redes sociais é suficiente para garantir a propriedade da marca. Na prática, não é assim que funciona.

No Brasil, o direito de exclusividade sobre uma marca nasce, em regra, com o registro realizado perante o Instituto Nacional da Propriedade Industrial (Inpi).

Isso significa que uma empresa pode utilizar um nome durante anos e, ainda assim, enfrentar problemas caso outra pessoa obtenha o registro antes.

Quando o problema aparece

Imagine uma empresa familiar que atua há 10 anos em determinada cidade utilizando um nome conhecido pelos clientes.

Em determinado momento, ao tentar expandir suas operações, abrir uma franquia ou investir em marketing, descobre que a marca já foi registrada por terceiros.

O resultado pode ser extremamente prejudicial:

  • obrigação de alterar o nome da empresa;
  • troca de fachadas, embalagens e materiais publicitários;
  • perda de investimentos feitos na construção da identidade da marca;
  • discussões judiciais longas e custosas;
  • confusão perante clientes e fornecedores.

Em alguns casos, o empresário é obrigado a recomeçar praticamente do zero em termos de posicionamento de mercado.

Registrar custa menos do que perder

Muitos empresários adiam o registro por acreditarem que se trata de um procedimento complexo ou caro.

Porém, quando comparado ao custo de uma eventual troca de marca, perda de mercado ou disputa judicial, o investimento costuma ser pequeno.

Além da proteção jurídica, o registro proporciona diversas vantagens:

  • exclusividade de uso em todo o território nacional dentro do segmento de atuação;
  • maior segurança para expansão do negócio;
  • valorização da empresa;
  • possibilidade de licenciamento da marca;
  • aumento da credibilidade perante investidores e parceiros comerciais.

Em outras palavras, a marca deixa de ser apenas um nome e passa a ser um ativo efetivamente protegido.

Como saber se sua marca está protegida?

O primeiro passo é verificar se já existe registro ou pedido semelhante junto ao Inpi.

Muitos empresários se surpreendem ao descobrir que ter um CNPJ com determinado nome, utilizar a marca há anos ou possuir perfis nas redes sociais não garante o direito de exclusividade sobre ela.

Por isso, antes de investir na marca ou iniciar o processo de registro, é importante realizar uma análise especializada para identificar riscos, verificar a viabilidade do pedido e definir a melhor estratégia de proteção.

O registro da marca exige estratégia

Outro equívoco comum é acreditar que basta preencher um formulário e protocolar o pedido perante o Inpi.

Antes do registro, é fundamental realizar uma pesquisa de viabilidade para identificar marcas semelhantes já existentes, avaliar riscos de oposição por terceiros e definir corretamente as classes de proteção relacionadas à atividade exercida pela empresa.

Um pedido realizado sem a análise adequada pode ser indeferido, gerando perda de tempo, custos adicionais e, em alguns casos, a necessidade de reiniciar todo o processo.

Além disso, muitas empresas registram a marca em classes inadequadas ou deixam de proteger atividades estratégicas, criando vulnerabilidades que poderiam ser evitadas com um planejamento prévio.

Por isso, contar com assessoria jurídica especializada faz diferença desde o início. Um profissional capacitado pode auxiliar na definição da melhor estratégia, acompanhar eventuais exigências do INPI, monitorar o processo e aumentar as chances de obtenção do registro, garantindo que a marca seja protegida da forma mais ampla e eficaz possível.

Quando falamos em marca, não estamos tratando apenas de um nome ou logotipo, mas de um dos ativos mais valiosos do negócio.

Conclusão

Construir uma marca leva anos.

Perder o direito sobre ela pode acontecer muito mais rápido do que se imagina.

Por isso, empresários que investem tempo, recursos e dedicação em seus negócios devem enxergar o registro de marca não como uma despesa, mas como uma medida de proteção patrimonial e valorização da empresa.

A marca representa a reputação construída perante clientes, fornecedores e o mercado. Muitas vezes, ela vale mais do que os próprios bens físicos da empresa.

E um patrimônio tão importante merece proteção jurídica adequada.

Antes que terceiros registrem aquilo que você levou anos para construir, vale a pena verificar se sua marca está efetivamente protegida e contar com orientação especializada para conduzir o processo de forma segura, estratégica e alinhada aos objetivos de crescimento do seu negócio.

***

Dra. Mariana Saroa de Souza é advogada de direito do trabalho empresarial

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