Marília registra taxa de homicídios quase quatro vezes menor que a média nacional

O recém-lançado Atlas da Violência 2026, publicação do Ipea e do Fórum Brasileiro de Segurança Pública que completa 10 anos, traz um panorama da letalidade no Brasil e aponta Marília como uma das exceções positivas no cenário nacional. O município registrou taxa de homicídios abaixo das médias nacional e estadual.
De acordo com o diagnóstico, que usa dados de 2024 como base, Marília, com população de 246.627 habitantes, teve taxa estimada de 6,5 homicídios para cada 100 mil habitantes.
O índice coloca a cidade em posição favorável na comparação com a média brasileira, estimada em 23,4 homicídios por 100 mil habitantes no mesmo período. O resultado também ficou abaixo da média do estado de São Paulo, de 12,8.
O desempenho de Marília contrasta com uma das principais constatações do relatório: a interiorização da violência. Segundo o Atlas, os municípios médios brasileiros, com população entre 100 mil e 500 mil habitantes, apresentaram a maior taxa média de homicídios estimados do país, com 24,1 mortes por 100 mil habitantes. O índice supera o dos grandes centros urbanos, de 23,2, e o das cidades pequenas, de 19,7.
Enquanto um subconjunto de cidades médias, especialmente nas regiões Norte e Nordeste, eleva a média de letalidade, Marília aparece entre os municípios que mantiveram taxas de um único dígito, o que ilustra a desigualdade territorial da violência no país.

Transparência e qualidade nos dados de saúde e segurança
Um dos destaques metodológicos da edição de 2026 do Atlas é o cálculo dos “homicídios ocultos”, mortes violentas por causa indeterminada (MVCI) que não foram corretamente tipificadas pelo Estado, mas que a metodologia do estudo reclassifica probabilisticamente como assassinatos.
No cenário nacional, os homicídios ocultos chegaram a representar 14,3% dos homicídios estimados no Brasil, com impacto na análise de estados como São Paulo, Minas Gerais e Rio de Janeiro. Em Marília, os dados indicam maior precisão nos registros.
Em 2024, a cidade contabilizou 14 homicídios oficialmente registrados e dois homicídios classificados como ocultos, somando 16 mortes letais intencionais estimadas. O resultado sugere melhor fluxo de compartilhamento de informações entre as autoridades locais de saúde e segurança, reduzindo o risco de subnotificação observado em outras partes do país.
Em um país que ainda busca lidar com a sensação de insegurança e com as transformações provocadas pela interiorização do crime organizado, os dados apresentados pelo Atlas indicam que Marília manteve baixos índices de violência letal, consolidando-se como um ambiente urbano relativamente seguro para seus moradores.
