Antes de Marília: quem vivia na região antes da cidade existir?

Muito antes da formação do Patrimônio Alto Cafezal e da fundação oficial de Marília, em 1929, a região onde hoje está o município era ocupada por povos indígenas e coberta por vegetação nativa.
Neste 19 de abril, quando se celebra o Dia dos Povos Indígenas, o contexto histórico local ajuda a relembrar que a ocupação do território não começou com a chegada dos colonizadores, mas faz parte de um processo mais antigo, ligado à presença de comunidades originárias no interior paulista.
Antes da expansão agrícola, especialmente do café, que impulsionou o desenvolvimento da cidade, a área era composta por matas e cortada por cursos d’água, como o rio do Peixe.
Esses ambientes naturais serviam como base para a sobrevivência de grupos indígenas, que utilizavam os recursos disponíveis para alimentação, deslocamento e organização social.

Você sabia?
- Antes da cidade existir, a região de Marília era um território de mata fechada e cursos d’água, cenário muito diferente da área urbana atual.
- O nome “Alto Cafezal”, ligado à origem do município, reflete a importância do café na ocupação inicial da região.
- A urbanização de Marília é relativamente recente: tem menos de 100 anos, enquanto a ocupação humana do território é muito mais antiga.
- Parte da história indígena da região acabou ficando pouco visível com o avanço da cidade, embora seja anterior à formação do município.
Com o avanço da colonização no interior de São Paulo, a partir do final do século XIX e início do século XX, o cenário começou a mudar, principalmente para os povos originários que viviam na região.
Expulsão de kaingangs
A ocupação passou a ser direcionada pela atividade agrícola, com a abertura de fazendas e, posteriormente, a divisão de terras que deu origem ao Patrimônio Alto Cafezal — núcleo inicial que resultaria na criação de Marília.

Esse processo foi antecedido pela invasão, expulsão e eliminação de quem já estava por aqui, na esteira do avanço da construção de ferrovias: o povo kaingang, que habitava ampla faixa de terras no interior do Estado – incluso o centro-oeste paulista.
Somente depois desse avanço violento, patrocinado pelo governo paulista que amplas áreas acabariam negociadas – entre tantas, aquela que seria batizada de Fazenda Cincinatina, onde o português Antonio Pereira da Silva e seu filho José Pereira da Silva, iniciariam o povoado que marcaria o nascimento de Marília.
Pós-urbanização
O processo de urbanização, que se intensificou nas décadas seguintes, transformou completamente a paisagem e reduziu a presença dos elementos naturais e das referências aos povos que habitavam a região anteriormente.

Hoje, embora a cidade tenha se consolidado como um importante polo regional, com forte presença urbana e industrial, a memória da ocupação indígena permanece pouco visível no cotidiano.
A data deste 19 de abril reforça a importância de reconhecer essa camada da história, que antecede a formação dos municípios e ajuda a compreender a origem dos territórios e suas transformações ao longo do tempo.