Laudo pede interdição do terminal do aeroporto de Marília

Um laudo técnico emitido nesta sexta-feira (17) recomenda a interdição imediata do terminal de embarque e desembarque do aeroporto estadual Frank Miloye Milenkovich, em Marília, administrado pela Rede Voa.
O parecer foi elaborado pelo arquiteto Pedro Leonardo Negreiros Bonani, a pedido do diretor de segurança de voo do Aeroclube de Marília, Jolando Gatto Netto, e aponta riscos estruturais na edificação utilizada para atendimento ao público.
O documento, intitulado “Parecer Técnico de Conformidade quanto aos Requisitos Mínimos de Segurança Estrutural”, foi feito por arquiteto com formação de piloto privado formado pelo Aeroclube de Marília o que, segundo ele, contribui para a compreensão das condições operacionais e de infraestrutura do local.
Apesar de ter sido contratado por um dirigente do aeroclube — entidade que mantém disputa judicial com a concessionária do aeroporto —, o responsável técnico incluiu no laudo uma declaração de imparcialidade, na qual afirma ter atuado com independência e sem vínculos que comprometam a análise.
Apontamentos estruturais
O documento conclui que o terminal apresenta “manifestações patológicas relevantes”, com fissuras e trincas em evolução, especialmente em elementos de vedação e pontos estruturais. Também menciona a predominância de cobertura em madeira, em grande parte exposta, o que ampliaria a vulnerabilidade da estrutura.
Segundo o parecer, as vibrações decorrentes das operações de pouso e decolagem, somadas ao fato de o prédio ter sido projetado há mais de 50 anos, antes da operação de aeronaves de maior porte, podem agravar os danos identificados.

O documento também aponta ausência de medidas adequadas de segurança contra incêndio, como a inexistência de projeto aprovado de prevenção e combate a incêndio (PPCI), em desacordo com normas do Corpo de Bombeiros, além de falhas de acessibilidade. Segundo o arquiteto, o imóvel apresenta risco de colapso parcial, o que comprometeria a segurança dos usuários.
Embate jurídico
A divulgação do parecer ocorre em meio ao impasse entre o Aeroclube de Marília e a Rede Voa, concessionária responsável pela administração do aeroporto desde março de 2022. As partes discutem na Justiça a utilização de áreas no local.
Procurada, a Rede Voa informou, por meio de assessoria, que a reforma do terminal de passageiros, prevista originalmente para 2029 no contrato de concessão, já foi protocolada para antecipação, mas a execução está sob análise judicial no Fórum de Marília.
Enquanto não há decisão, a empresa afirma que realiza manutenções periódicas provisórias para melhorar as condições de infraestrutura e garantir o atendimento aos passageiros que ainda utilizam o aeroporto local.
Em janeiro de 2025, durante visita a Marília, o CEO da concessionária apresentou proposta de ampliação do terminal com uso de hangares atualmente ocupados pelo aeroclube. Na ocasião, a empresa estimou a entrega das melhorias para março deste ano, o que não ocorreu.
Rede Voa
Em nota, a Rede Voa informa que reforma do terminal de passageiros, prevista no contrato de concessão para acontecer em 2029, já foi protocolada para acontecer de maneira antecipada. Porém, a situação encontra-se sob judice no Fórum de Marília por questões técnicas.
Enquanto a decisão não acontece, a concessionaria diz que fará manutenções periódicas provisórias para melhorar as condições de infraestrutura do Aeroporto e no terminal, “visando o maior conforto dos nossos passageiros.”