Chegada de João Pinheiro na Bolívia tem protesto de produtores

Enquanto a Justiça boliviana realizava a audiência cautelar que determinou a prisão preventiva de João Pinheiro na carceragem de Bermejo, na Bolívia, famílias de agricultores mantiveram um forte esquema de pressão nas ruas. Com cartazes com dizeres como “João Pinheiro, devolva o dinheiro para o nosso novo engenho” e “ao pobre não se estafa”, os manifestantes expressaram a dor de anos de espera.
A comoção entre os moradores locais é profunda. O protesto reuniu diversas pessoas idosas, e lideranças destacaram que alguns dos produtores originais já morreram sem recuperar o capital investido. Segundo relatos, famílias depositavam extrema confiança no projeto, chegando a levar economias amarradas em lenços para entregar ao negócio.
Durante o protesto, a revolta foi agravada por uma atitude considerada discriminatória por parte da defesa do réu. Advogados teriam argumentado que Pinheiro, por ser estrangeiro, não deveria permanecer na cadeia de Bermejo, comentário interpretado como desrespeito aos moradores da região. O julgamento do empresário brasileiro, acusado de um golpe milionário, está marcado para 1º de julho de 2026.

Nas eleições municipais de 2024, João Pinheiro concorreu à Prefeitura de Marília e foi considerado o candidato mais rico do Brasil, após declarar ao Tribunal Superior Eleitoral (TSE) um patrimônio de R$ 2,8 bilhões. Ele foi preso pela Interpol em Madri, na Espanha, em 27 de maio de 2025, de onde resistiu à extradição por mais de 300 dias.
Na Bolívia, ele é apontado como pivô do escândalo do Complexo Industrial da Cana-de-Açúcar (Cicasa), iniciado em 2019. O brasileiro prometia a construção de uma usina com capacidade para processar 2.500 toneladas de cana por dia, projeto visto como um impulso ao desenvolvimento da região de Bermejo.
O empreendimento, porém, não saiu do papel. Segundo denunciantes, para dar credibilidade à fraude, Pinheiro levou produtores ao Brasil para apresentar uma fábrica que não lhe pertencia.
Estima-se que cerca de 400 famílias tenham acumulado prejuízo próximo a US$ 1 milhão, incluindo aportes diretos entregues ao empresário e gastos com terrenos e estudos de solo.
Com provas consideradas consistentes pela Justiça boliviana e diante do risco de fuga, a prisão preventiva foi decretada. Agora, a população de Bermejo aguarda o julgamento de 1º de julho de 2026, quando as famílias esperam recuperar parte dos recursos investidos.