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Entrevista da Semana
ter. 23 set. 2025
POLÍCIA CIBERNÉTICA

‘O primeiro passo é sempre desconfiar’, diz delegado sobre crimes virtuais

Mário Furlaneto Neto foi pioneiro na investigação de crimes cibernéticos na Delegacia Seccional de Marília.
por Alcyr Netto
Mário Furlaneto Neto foi pioneiro na investigação de crimes cibernéticos na Delegacia Seccional de Marília (Foto: Divulgação)

O rápido avanço tecnológico trouxe consigo uma nova e complexa onda de criminalidade, na qual criminosos operam no ambiente virtual. Diante de golpes, fraudes e ameaças que se multiplicam, a atuação da polícia se tornou um pilar fundamental para a segurança digital.

A Polícia Civil de Marília tem se destacado nesse combate, com investigações especializadas que já desmantelaram esquemas criminosos que atingem tanto indivíduos quanto empresas. Nesse cenário, o delegado Mário Furlaneto Neto, especialista em crimes cibernéticos, é referência no enfrentamento dessas infrações.

Pioneiro na cidade, ele integrou o Núcleo de Crimes Informáticos de Marília, criado em 2005 pela Delegacia Seccional, onde centralizou investigações de delitos praticados pela internet. Em 2008, defendeu sua tese de doutorado com o tema “O assunto do e-mail como indício de fraude: contribuições da organização da informação para a prevenção criminal”.

Em entrevista ao Marília Notícia, o delegado falou sobre os crimes mais frequentes, os desafios da investigação digital, a cooperação entre forças de segurança e deu conselhos de prevenção para a população.

***

MN – Quais são os crimes cibernéticos mais frequentes na sua área de atuação e como eles evoluíram nos últimos anos?

Mário Furlaneto Neto – Na região de Marília, os mais comuns são crimes contra a honra, ameaças e estelionatos. Com o crescimento do uso da internet, esse ambiente se tornou propício à prática dessas infrações.

MN – Quais são os maiores desafios da Polícia Civil ao investigar crimes digitais?

Mário Furlaneto Neto – No Brasil, os provedores ainda usam o IP versão 4, o que permite compartilhar o mesmo número entre vários clientes por meio da porta lógica. Porém, os provedores de aplicação não armazenam essa informação, alegando lacuna no Marco Civil da Internet, o que atrasa ou até inviabiliza a identificação da autoria. Além disso, há casos em que o crime envolve outros países, exigindo cooperação internacional para a coleta de provas.

MN – Que tipo de tecnologia e ferramentas forenses são utilizadas para rastrear criminosos e coletar provas digitais?

Mário Furlaneto Neto – Usamos métodos de investigação definidos pela Academia de Polícia, de acordo com o ambiente digital e a modalidade do crime.

Delegado Mário Furlaneto Neto em sala de aula do mestrado da Univem (Foto: Divulgação/Univem)

MN – Como a Polícia se prepara para enfrentar esse tipo de delito?

Mário Furlaneto Neto – A Academia de Polícia oferece cursos específicos sobre crimes digitais, desde a preservação inicial das evidências até técnicas de investigação adequadas a cada infração penal.

MN – Existe cooperação com outros estados e com a Polícia Federal nesses casos?

Mário Furlaneto Neto – Sim. As investigações atuais, sejam de crimes físicos ou digitais, exigem cooperação entre instituições, dentro dos limites que cada caso determinar.

MN – A legislação brasileira é suficiente para abranger os crimes cibernéticos?

Mário Furlaneto Neto – A legislação já protege bens jurídicos relevantes. No entanto, como a internet potencializa os efeitos da infração, seria importante prever um agravante genérico para crimes praticados em ambiente digital. Isso permitiria ao juiz aplicar penas acima do mínimo legal.

MN – Além da repressão, qual o papel da Polícia na prevenção e conscientização da população?

Mário Furlaneto Neto – A prevenção é o melhor caminho. Procuramos divulgar informações educativas em canais oficiais para reduzir o número de vítimas de crimes digitais.

Delegado Mário Furlaneto Neto durante atendimento de ocorrência pela DIG de Marília (Foto: Arquivo Pessoal)

MN – Qual o perfil mais comum dos criminosos cibernéticos? Eles agem sozinhos ou em grupos?

Mário Furlaneto Neto – Normalmente são jovens com conhecimento de informática. Nos crimes contra a honra e ameaças, a autoria costuma ser individual. Já estelionatos, exploração sexual infantil, extorsão e outros delitos – mais graves -, geralmente, envolvem grupos organizados.

MN – Quais conselhos o senhor daria a quem suspeita ter sido vítima de um crime digital?

Mário Furlaneto Neto – O primeiro passo é desconfiar sempre. Não clique em links suspeitos, não atenda ligações de desconhecidos, evite compras em sites não oficiais e desconfie de preços muito baixos. Se for vítima, preserve as evidências com ferramentas de autenticação, ata notarial ou apresentando o dispositivo à polícia. Isso garante mais agilidade e precisão na investigação.

MN – Quais são as tendências futuras em crimes cibernéticos?

Mário Furlaneto Neto – O uso de inteligência artificial para criar deepfakes e fraudes com reconhecimento de voz e biometria deve crescer. Isso pode facilitar golpes, como abertura de contas falsas e estelionatos virtuais.

MN – Como a Polícia lida com crimes envolvendo criptomoedas?

Mário Furlaneto Neto – A Academia de Polícia tem oferecido cursos específicos sobre crimes financeiros que utilizam criptomoedas.

MN – Pode citar um caso de destaque investigado em Marília?

Mário Furlaneto Neto – Desarticulamos um grupo de estelionatários que usava cartões de crédito virtuais em compras online. Os produtos eram entregues em um imóvel alugado e depois revendidos pela internet. A operação resultou em grande apreensão de bens e identificação de todos os envolvidos.

MN – Como a polícia age em casos de vazamento ou roubo massivo de dados de grandes empresas?

Mário Furlaneto Neto – A Lei Geral de Proteção de Dados exige que empresas redobrem cuidados com bancos de dados pessoais. O acesso não autorizado a dispositivos e informações caracteriza crime, pois dados em mãos erradas podem ser usados em fraudes.

MN – Além do prejuízo financeiro, quais os impactos sociais e psicológicos desses crimes nas vítimas?

Mário Furlaneto Neto – Os crimes digitais geram intranquilidade social e impactos psicológicos que variam de acordo com a gravidade do delito, idade e gênero da vítima.

MN – A colaboração com empresas de tecnologia e provedores é essencial nas investigações?

Mário Furlaneto Neto – Sim. O Marco Civil da Internet obriga provedores a armazenar registros de conexão e acesso. Parte desses dados pode ser solicitada pela polícia, e outra somente por ordem judicial. Esses vestígios digitais são fundamentais para elucidar os crimes.

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