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Brasil
sex. 20 jun. 2025
MEIO AMBIENTE

Presidência da COP30 propõe agenda de ação global para conferência

Carta reúne 30 ações divididas em seis eixos.
por Agência Brasil
Embaixador André Corrêa do Lago (Foto: José Cruz/Agência Brasil)

A presidência brasileira da 30ª Conferência das Nações Unidas sobre Mudança Climática (COP30), encabeçada pelo embaixador André Corrêa do Lago, divulgou, nesta sexta-feira (20), uma nova carta propondo a definição de uma agenda de ação global a ser adotada pelos países signatários da Convenção do Clima (UNFCCC, na sigla em inglês).

A proposta inclui 30 ações concretas divididas em seis eixos como uma estratégia para a implementação do Balanço Global (GST, na sigla em inglês) do Acordo de Paris, documento de avaliação das metas do tratado multilateral.

O documento propõe que o GST passe a ser uma espécie de Contribuição Nacionalmente Determinada (NDC, na sigla em inglês), para a escala global, e descreve a agenda de ações como “um reservatório de iniciativas que conectem ambição climática a oportunidades de desenvolvimento, por meio de investimentos, inovação, finanças, tecnologia e capacitação.”

Segundo o a inovação da proposta ocorre na inversão do processo adotado nas COPs anteriores, quando a construção da agenda era parte do processo de negociação. Neste ano, a ideia é que os debates já partam dos temas aprovados no GST, avançando para a implementação com a legitimidade do consenso.

Os seis eixos apresentados são:

  • transição energética, da indústria e dos transportes;
  • gestão das florestas, oceanos e biodiversidade;
  • transformação da agricultura e dos sistemas alimentares;
  • criação de resiliência para as cidades, infraestruturas e oferta de água;
  • promoção do desenvolvimento humano e social;
  • promoção e aceleração de capacidades, incluindo financiamento, transferência tecnológica, fortalecimento e desenvolvimento de habilidades.

Somam-se à iniciativa todas as outras estruturas pensadas para o funcionamento da COP30. O encontro será realizado em Belém em novembro. “Primeiro a mobilização, a reunião dos chefes de Estado, a negociação em si e a agenda de ação em que nós estamos identificando uma fortíssima oportunidade para a gente conseguir acelerar a implementação”, ressalta Corrêa do Lago.

O documento destaca ainda que a síntese do Sexto Relatório de Avaliação do Painel Intergovernamental sobre Alterações Climáticas (IPCC) – iniciativa que reúne cientistas para monitoramento das mudanças climáticas – aponta que a participação de todos os setores globais, além dos governos signatários dos acordos climáticos, aumenta os benefícios alcançados em cascata, de forma transversal, evitando medidas isoladas e fragmentadas com impacto limitado.

Diante dessa avaliação, Corrêa do Lago afirma que a agenda de ações passa a ser uma oportunidade para atores que não atuam diretamente na mesa de negociações, como governos subnacionais, setor privado, academia e sociedade civil, tomarem a frente das iniciativas. “Muitas vezes é o setor privado, por exemplo, que se antecipa ao governo na implementação dos acordos”, ressalta.

O documento orienta ainda que essas medidas devem ser pensadas com flexibilidade e adaptabilidade aos diferentes contextos geográficos, econômicos e sociais.

“A natureza multifacetada do desafio climático exige que as soluções inovadoras sejam adaptadas de acordo com as circunstâncias regionais, nacionais e locais para beneficiar mais comunidades e países”, reforça a carta assinada por Corrêa do Lago.

De acordo com a carta, haverá uma “consulta inclusiva” com participação de todos os setores, que será liderada pelos dois Campeões de Alto Nível da COP29 e da COP30, Nigar Arpadarai e Dan Ioschpe, com o objetivo de definir uma visão e um plano para os próximos cinco anos da agenda de ação. Serão criados também grupos de trabalho em cada área temática durante a construção dos resultados da COP30.

“As principais reclamações sobre o processo de negociação são que a gente assina documento e nada acontece, então a arquitetura que está pensada para viabilizar a implementação do GST, aprovado por 198 países, prevê ainda 420 reuniões para a COP30”, complementa o presidente designado da COP30.

Confira as 30 ações propostas pela presidência da COP30 para a implementação do Balanço Global, divididas por eixos:

Eixo 1

  1. Triplicar as energias renováveis e duplicar a eficiência energética,
  2. Acelerar as tecnologias de emissões zero e baixas em setores críticos,
  3. Garantir o acesso universal à energia e
  4. Abandonar os combustíveis fósseis, de forma justa, ordenada e equitativa.

Eixo 2

  1. Investimentos para acabar e reverter o desmatamento e a degradação florestal,
  2. Esforços para conservar, proteger e restaurar a natureza e os ecossistemas com soluções para o clima, a biodiversidade e a desertificação, e
  3. Esforços para preservar e restaurar os oceanos e os ecossistemas costeiros.

Eixo 3

  1. Recuperação de terras e agricultura sustentável,
  2. Sistemas alimentares mais resistentes, adaptáveis e sustentáveis, e
  3. Acesso equitativo a alimentos e nutrição adequados para todos.

Eixo 4

  1. Governança em vários níveis,
  2. Construções e edifícios sustentáveis e resilientes,
  3. Desenvolvimento urbano resiliente, mobilidade e infraestruturas,
  4. Gestão da água e
  5. Gestão dos resíduos sólidos.

Eixo 5

  1. Promoção de sistemas de saúde resilientes,
  2. Redução dos efeitos das mudanças climáticas na erradicação da fome e da pobreza,
  3. Educação, capacitação e criação de emprego para fazer face às mudanças climáticas,
  4. Cultura, patrimônio cultural, e ação climática.

Eixo 6

  1. Financiamento climático e sustentável, integração do clima nos investimentos e seguros,
  2. Contratos públicos integrados no clima,
  3. Harmonização dos mercados de carbono e das normas de contabilização do carbono,
  4. Clima e comércio,
  5. Redução de gases além do CO2,
  6. Desenvolvimento e acesso a tecnologias climáticas,
  7. Governança, capacitação de estatais e reforço institucional para a ação climática, planejamento e preparação,
  8. Inteligência artificial, infraestruturas públicas digitais e tecnologias digitais,
  9. Inovação, empreendedorismo climático e pequenas e microempresas,
  10. Bioeconomia e biotecnologia,
  11. Integridade da informação sobre mudanças climáticas.

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