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Marília
qua. 01 jul. 2020

Comércio dribla as dificuldades para sobreviver na pandemia

por Carlos Rodrigues

Funcionária fotografa produto para enviar aos clientes; loja aposta na busca ativa e relacionamento (Foto: Divulgação)

Aplicativos de mensagens, trabalho interno e relacionamento com clientes são estratégias de guerra na crise provocada pela pandemia. Alguns estabelecimentos, mais resistentes, se arriscam com meia porta, para indicar que estão atendendo, mas a maioria aderiu a nova realidade.

No primeiro dia após a volta da quarentena na “fase 1 – vermelha” em Marília, foi possível comprar e vender quase de tudo em Marília, mesmo com portas fechadas, com versatilidade e criatividade.

Em shoppings centers e lojas de rede, porém, o cenário é de paralisia. Mesmo assim, lojistas dos centros de compras trabalham no sistema delivery. As lojas de departamento tentam atrair o consumidor para as plataformas digitais.

Porta entreaberta na região central da cidade, no primeiro dia do fechamento de todas as atividades não essenciais (Foto: Carlos Rodrigues/Marília Notícia)

Se desistir não é uma boa ideia, ao invés de esperar que os clientes procurem seus produtos e serviços, os lojistas fazem agora busca ativa de clientes na internet, com anúncios nas redes sociais e envio de mensagens com ofertas.

A data comemorativa do Dia dos Pais já motiva uma loja de presentes e decorações em uma travessa da avenida das Esmeraldas, na zona Leste da cidade.

Sandra Regina Cruz, que antes cuidava apenas de serviços administrativos, agora também ajuda nas vendas, disparando mensagens com fotos de produtos.

Celular tornou-se principal aliado, para tentar driblar a crise e fechar negócios (Foto: Divulgação)

“Vamos montar algumas opções de presentes com vinhos e artigos masculinos. Vai ser como no Dia das Mães, quando também estávamos com portas fechadas. Precisamos nos adequar na maneira de trabalhar, mas no geral, sempre trabalhamos para fidelizar”, conta.

A loja faz entregas e também vende pela internet, em um e-commerce que já existia antes da pandemia. Eram duas lojas, uma delas em um shopping da cidade, que teve de ser fechada em função da pandemia.

“Isso vai passar. Temos que ter essa esperança e continuar trabalhando, porque as pessoas continuam a confiar em nós e a necessidade de presentear não deixou de existir”, acredita Sandra.

Diversificação

Proprietários de uma pastelaria no Centro da cidade, Denílson e Célia Taroco estavam prontos para investir em uma nova atividade, antes da pandemia. Eles alugaram um estacionamento, antigo posto de combustíveis, com a intenção de montar um novo negócio.

Com a paralisação das atividades, o que pareceu ser um péssimo momento para expandir virou uma tábua de salvação. O antigo estacionamento, com entrada pela rua Coronel Galdino e saída para a São Luiz virou um drive-thru ideal.

Mas com a perspectiva da redução da alimentação fora de casa, o produto no novo ponto vem direto da roça, para ser preparado em casa. O amplo espaço é agora uma quitanda, em que é possível comprar sem descer do carro.

Centro comercial fechado na rua Nove de Julho, com a avenida Tancredo Neves (Foto: Carlos Rodrigues/Marília Notícia)

“Virou uma opção interessante para nós. Ficou tudo mais difícil com essa pandemia e eu tive muita preocupação com esse novo ponto, mas o Denílson decidiu encarar. Abrimos hoje (terça-feira) e vamos trabalhar, fazer o nosso melhor”, anunciou Célia.

Informais

Quem mais sofre com a pandemia são os informais, trabalhadores com menos escolaridade e menor renda. Cozinheira desempregada há dois anos, Maria Regina Egas, de 57 anos, virou costureira em 2018, após perder emprego fixo, e vendedora de máscaras de tecido, em 2020.

Ela mora no bairro Palmital (zona Norte) e há algumas semanas aproveita o movimento na popular ilha da Galeria, na avenida Tancredo Neves, para vender a proteção facial que ela mesma fabrica.

Maria Regina, de cozinheira à costureira e vendedora; trabalhadora enfrenta adversidade com disposição (Foto: Carlos Rodrigues/Marília Notícia)

Cada máscara sai por R$ 5, ou três por R$ 10. No primeiro dia após o fechamento das atividades não essenciais, Maria Regina não viu tanta diferença nas vendas.

“Dá para ganhar algum dinheiro sim, ajuda bem. Graças a Deus, a gente vai se virando, ficar parada eu não fico”, conta a costureira, que tem dois filhos adultos morando em casa, trabalhadores de atividades não impactadas pela pandemia.

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