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Marília
ter. 30 jun. 2020

Entregadores organizam ato e paralisação contra apps em Marília

por Leonardo Moreno

Alguns dos organizadores da paralisação dos motoboys e entregadores em Marília (Foto: Divulgação)

Motoboys e entregadores de Marília se organizam para aderir nesta quarta-feira (1º) a um boicote nacional contra os aplicativos de entregas, como iFood, Rappi, Loggi e Uber Eats. As queixas também são contra lanchonetes e restaurantes locais.

O movimento está sendo organizado via WhatsApp e a pauta de reivindicações da categoria envolve principalmente a melhoria no percentual repassado pelos aplicativos.

Em relação aos que trabalham diretamente com os estabelecimentos marilienses, eles exigem um valor fixo como diária mais o repasse integral da taxa de entrega.

Um dos organizadores do movimento no município, identificado apenas como Carlos, disse ao Marília Notícia que a ideia é fixar o valor de R$ 45 pelo trabalho durante o dia e R$ 65 para o turno da noite, além da tarifa paga pelos clientes pelo produto em casa.

A ideia se padronizar a taxa vem da tabela do frete conquistada pelos caminhoneiros. “Nossa manifestação tem duas frentes, uma é a do aplicativo, que remunera baixo e nos maltrata. Outra é a das lanchonetes, que muitas vezes só repassa metade da taxa de entrega e fica com o resto”, denuncia Carlos.

Outro motoboy de Marília que atua na mobilização local é José Nilton Torres. Ele afirma que o objetivo do movimento é “conquistar uma melhora para todos nos trabalhadores, pois existem patrões que acham que somos escravos, desvalorizando nosso trabalho pelo fato de dependermos disso”.

Além da paralisação no serviço, os manifestantes pretendem fazer uma concentração para em seguida circular pelas ruas e avenidas de Marília com suas motos em um buzinaço. Ponto de encontro e trajeto estão em discussão.

Bloqueio

Outra queixa dos entregadores é sobre os bloqueios de colaboradores nos aplicativos que, segundo eles, acontecem sem uma política de transparência definida. Alguns motoboys acusam os aplicativos de punirem quem se nega a realizar entregas, por exemplo, na chuva, ou em determinados horários e dias.

“Eles (os aplicativos), com essa política de bloqueio, nos obrigam a trabalhar na hora em que eles querem”, afirma Diógenes Souza, um dos líderes do movimento na cidade de São Paulo. “Quem se nega a fazer o serviço porque não gosta de pilotar no meio da chuva corre o risco de ficar o dia inteiro bloqueado”, diz.

Jean Carlos, de Marília, foi ouvido pelo MN (Foto: Divulgação)

Remuneração

Segundo os motoqueiros, os aplicativos vêm gradativamente reduzindo a comissão paga pelas entregas. A redução se dá mesmo com o aumento dos pedidos durante a pandemia do coronavírus, que colocou boa parte das famílias em isolamento social e suspendeu a operação presencial de restaurantes.

“Eu trabalhava oito horas para faturar R$ 150 em um dia. Agora, preciso trabalhar de 12 a 15 horas diárias para ganhar a mesma coisa”, conta Simões, líder do movimento no Rio de Janeiro. Ele pede para não ser identificado pelo primeiro nome com receio de represálias dos aplicativos. “Eles com certeza vão me bloquear”, afirma.

Em nota, o iFood informa que não adota nenhuma medida que possa prejudicar aqueles que rejeitam pedidos. “Ao rejeitar muitos pedidos, o sistema entende que o entregador não está disponível naquele momento e pausa o aplicativo, voltando a enviar pedidos, em média, 15 minutos depois.” A empresa também afirma que, em nenhuma hipótese, penaliza colaboradores que participam de movimentos.

Outra pauta rechaçada pelas empresas é a de que os aplicativos tenham reduzido o repasse aos motoboys pelas entregas.

Segundo a colombiana Rappi, o frete varia de acordo com o clima, dia da semana, horário, zona da entrega, distância percorrida e complexidade do pedido.” Rappi também criou um mapa de demanda para ajudá-los a identificar as regiões com maior número de pedidos.”

Manifestações

Não é a primeira vez que os entregadores se organizam em torno dessas pautas. Em abril, eles organizaram um buzinaço em São Paulo e, em junho, realizaram um protesto. Desta última experiência, aliás, eles começaram a discutir uma paralisação nacional.

“Foram surgindo grupos de WhatsApp de todos os cantos com o mesmo tema, paralisação dia 1º de julho. Eu saí de um monte, porque não dou conta, mas estou em cinco deles, com uns mil motoqueiros no total”, afirma Diógenes Souza. Segundo os líderes, cerca de 50% dos entregadores de São Paulo devem aderir ao movimentos. No Rio está sendo esperada a adesão de mais de 70%.

MPT

Após o início da pandemia, o Ministério Público do Trabalho emitiu uma nota técnica listando algumas medidas que precisam ser tomadas pelas empresas de aplicativos durante a crise sanitária.

Pelo documento, as empresas precisam fornecer gratuitamente aos colaboradores álcool em gel (70% ou mais), espaço para lavagem de mão e para higienização dos veículos, com sabão e papel toalha, além de água potável para o consumo desses profissionais.

Segundo os manifestantes, essas exigências não foram atendidas. “Antes, os restaurantes deixavam a gente usar o banheiro. Agora, a gente roda o dia inteiro sem conseguir beber água e nem ir ao banheiro”, afirma Simões.

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