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Com 14 crianças na fila por leito, Saúde busca medidas

Cidade
06 de maio de 2022

Aline e o filho Richard também estão no PA Sul desde segunda-feira (2) à espera de internação (Foto: Arquivo Pessoal)

O número de crianças que estão em unidades de emergência do município à espera de leito em hospitais chegou a 14 nesta quinta-feira (5). Dado foi revelado pela Secretaria Municipal da Saúde, após pedido de informações do Marília Notícia. A pasta garante que já está tomando medidas para aumentar as vagas de internação, em parceira com o Estado.

Gargalo nas pediatrias foi noticiado com exclusividade pelo MN, que mostrou o caso emblemático do menino Theo Alfen, de apenas três meses. Ele recebeu diagnóstico de bronquiolite e está em leito improvisado com a mãe, desde segunda-feira (2), no Pronto Atendimento (PA) da zona Sul.

A criança ainda luta contra complicações de saúde que teriam sido decorrentes do parto. A mãe teme pelo agravamento do quadro.

Depois do primeiro relato, o MN conheceu a história de Aline Rodrigues, de 30 anos. Ela também está com o filho desde segunda no PA. Richard Gael, de um ano e oito meses, está com broncopneumonia e depende do suporte auxiliar de oxigênio. “Eu já não tenho mais lágrimas. Meu bebê está cada dia pior. Ele tem uma mancha no pulmão e não tem condições de ficar aqui”, afirma.

O principal serviço de assistência hospitalar pediátrica em Marília pelo Sistema Único de Saúde (SUS) admitiu a sobrecarga. “O aumento dos casos pode ser identificado a partir do dia 18 de abril; de lá para cá, a média de ocupação das UTIs do Hospital Materno Infantil atinge a marca de 113% e na enfermaria 103%”, informou a instituição, em nota.

Mariane com o filho Theo; três meses de vida e 63 dias intubado; alta foi comemorada por pouco tempo (Foto: Arquivo Pessoal)

CRIANÇAS NA FILAS

A Secretaria Municipal da Saúde informou que vai passar a emitir um boletim com dados da ocupação de leitos pediátricos na cidade. A medida vai permitir, a exemplo do que ocorreu na pandemia de Covid-19, o acompanhamento da população sobre a gestão feita para normalizar a assistência pediátrica.

Dos 14 pacientes na fila, na manhã desta quinta-feira (5), metade aguardava na Unidade de Pronto Atendimento (UPA) da zona Norte e outra metade no PA Sul.

Em resposta à crise, conforme apurou o MN, o município já estaria negociando com os hospitais conveniados (Santa Casa de Marília e Hospital Beneficente Unimar) a abertura de leitos pediátricos. Mas para isso, as instituições ainda devem apresentar propostas que contemplem estrutura e recursos humanos.

Um dos gargalos frente à explosão da demanda pediátrica tem sido exatamente a falta de médicos especialistas. Fontes da gestão apontam que a grande procura pelos profissionais – em várias cidades do Estado – já teria afetado até o valor exigido pelos médicos para aceitar plantões.

NOVOS LEITOS

Além da abertura de leitos nas instituições conveniados, o município tem dialogado – segundo interlocutores da pasta – com o Estado para que o Hospital Materno Infantil (HMI) amplie a oferta de leitos.

Na impossibilidade de ampliação no hospital de gestão estadual, o município sinalizou estar disposto a “uma proposta de custeio compartilhada” de leitos de enfermaria, visando dar fim à crise na assistência pediátrica na cidade.

A Secretaria de Estado da Saúde também foi procurada pelo MN e informou que o Departamento Regional de Saúde (DRS) de Marília monitora a situação e está em diálogo com os gestores locais, com o objetivo de oferecer a assistência necessária para a população.

“A Central de Regulação de Ofertas e Serviços de Saúde (Cross) é um serviço que auxilia na transferência entre serviços. O papel da Cross, que funciona 24 horas por dia, não é criar leitos, mas auxiliar na identificação de uma vaga no hospital mais próximo e apto a cuidar do caso. Nenhuma negativa parte deste serviço, que é apenas intermediário”, diz o Estado.

“Vale esclarecer ainda que a demanda de transferências é descentralizada na rede, uma vez que há regulações municipais ou regionais, com os respectivos serviços de referência para sua área de abrangência”, completa.

Sobre a criação de leitos no Hospital Materno Infantil, o Estado não respondeu.