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Prédio público vira ponto de droga na zona Leste

Cidade
12 de janeiro de 2018

“Tudo nóia”, diz pichação em prédio abandonado (Foto: Leonardo Moreno)

“Tudo nóia” diz uma das pichações no abandonado Centro Poliesportivo Comunitário Integrado Olício Gadia, localizado na Vila Altaneira, zona Leste de Marília. O local foi ocupado pelo mato e, segundo vizinhos, por moradores de rua, usuários de drogas e marginais.

O antigo espaço de lazer e convivência na rua Jericó também tem uma quadra com chão de concreto onde o mato cresce, mas faltam uma trave e a rede que sobrou está rasgada. Na tabela de basquete não existe aro. A cobertura está destelhada e os vidros quebrados.

A reportagem do Marília Notícia encontrou indícios de que pessoas estão vivendo ali (como um colchão), mas não encontrou ninguém. Os portões foram arrombados e ficam abertos 24 horas.

No local também existe um campo de grama em desuso e arquibancada prejudicada, uma pista de bocha desativada e outros dispositivos para a prática de esportes e convívio social inviabilizados pelo tempo, falta de manutenção e vandalismo.

Nem sempre foi assim, claro. Uma aposentada que mora nas proximidades há quase 20 anos disse que quando se mudou para aquela região no terreno do Poliesportivo funcionava um salão de danças para a terceira idade.

Em uma daquelas placas fixadas na parede de prédios públicos durante eventos oficiais consta que em 2004 o então prefeito Abelardo Camarinha entregou a ampliação, “proporcionando aos moradores da Vila Altaneira e adjacências conforto e segurança na prática desportiva e nas atividades de integração socioculturais”.

Moradores das proximidades contaram para a reportagem que por vários anos o Centro Poliesportivo Comunitário foi muito bem utilizado pela população. Mas o abandono da área se deu entre três e seis anos atrás, segundo os relatos.

“Antes tinha até um forró da terceira idade, mas quem frequenta aí hoje bastante são os ‘nóia’, está feio o negócio. Ninguém fica em paz. Vemos garrafas jogadas e inclusive água parada. Soube que pelo menos quatro pessoas tiveram dengue por aqui”, afirma a aposentada Cleusa Anguita, 68 anos que mora em frente ao “problema”.

Outro vizinho do Centro Poliesportivo abandonado pelo poder público é o optometrista Giancarlo Maniescal, 45 anos. Ele afirma que entrar e sair de casa é sempre um momento de apreensão, já que a área é “mal frequentada”. “Era um espaço de esporte e virou um espaço para uso de drogas. Uma mudança geral”.

O ambiente, de acordo com ele, é desagradável. “Tem pessoas que frequentam aí e fazem suas necessidades. O prédio é do município e não tem nenhum vigia. Nunca vimos. Tudo abandonado”.

Outro lado

Procurada pela reportagem, a assessoria de imprensa da administração municipal respondeu por meio de nota. “A Prefeitura de Marília, por meio da Secretaria Municipal de Esportes, Lazer e Juventude, informa que a atual administração recebeu os poliesportivos completamente abandonados e que praticamente todos estão precisando de reformas e melhorias”.

O texto enviado diz que “diante da situação financeira, a administração não tem condições de reformar todos os poliesportivos ao mesmo tempo e que está fazendo as reformas um de cada vez”.

O primeiro que está passando por remodelação completa, de acordo com a Secretaria de Esportes, “é o poli do bairro Santa Antonieta”.

A promessa é de que “assim que a reforma estiver concluída, o próximo será o poliesportivo do JK. Após o JK, será a vez do poli da Vila Altaneira receber as melhorias necessárias.”

Em janeiro de 2016, há um ano, o Marília Notícia também denunciou o abandono do Poliesportivo do JK, citado na resposta da Prefeitura com os mesmos problemas do Centro Comunitário da Vila Altaneira.

(Foto: Leonardo Moreno)

(Foto: Leonardo Moreno)

(Foto: Leonardo Moreno)

(Foto: Leonardo Moreno)

(Foto: Leonardo Moreno)

(Foto: Leonardo Moreno)