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Mulher morre após suposta negligência médica em parto

Cidade
31 de março de 2020

Amanda tinha 27 anos (Foto: Arquivo Pessoal)

Uma suposta negligência médica pode ter causado a morte de uma mulher de 27 anos em Marília. É o que denuncia Maicon dos Santos Jevino, de 32 anos, em registro feito na polícia durante esta segunda-feira (30).

Maicon é marido de Amanda Caroline Ramos de Lima, de 27 anos, que acabou morrendo durante o parto. Ele contou à reportagem do Marília Notícia que sua esposa estava grávida do quarto filho – o casal já tem três meninos, de 11, 8 e 5 anos – e fazia acompanhamento pré-natal no posto de saúde do distrito de Rosália.

Na última quarta-feira (25) pela manhã, Amanda foi levada para a Maternidade Gota de Leite, onde permaneceu internada por já estar com quatro dedos de dilatação, o que poderia fazer com que o parto acontecesse a qualquer momento. Maicon voltou para casa e ficou aguardando o nascimento do filho.

“Às 22h minha cunhada ligou no hospital e falaram que o bebê ainda não tinha nascido. Às 23h minha cunhada ligou novamente e falaram que o bebê havia acabado de nascer. Meia-noite me ligaram pedindo para ir com urgência ao hospital, porque tinha dado uma complicação no parto. Eu corri lá e depois de uma hora esperando, vi uma correria e me chamaram. O médico me perguntou se ela tinha algum problema de saúde e respondi que não”, contou Jevino.

Ainda segundo o marido, o médico informou que o recém-nascido passava bem, no entanto, Amanda não teve a mesma sorte.

“Ele me informou que o parto havia corrido bem, que estava tudo certo com o neném, mas que a Amanda depois de 20 minutos começou a gritar e agredir as enfermeiras. Falou que precisaram amarrá-la e em seguida ela teve uma parada cardíaca. Conseguiram reanimá-la e estavam transferindo pro Hospital das Clínicas”, falou.

No HC, Amanda teve mais duas paradas cardíacas, chegou a passar por uma cirurgia, mas não resistiu e morreu por volta de 6h da quinta-feira (26).

Maicon acredita em negligência por parte do médico que realizou o parto. Um plantonista que estava na unidade de saúde no dia dos fatos, chegou a confidenciar para o marido da gestante sobre a conduta do profissional em relação à mulher.

“Tive contato com uma pessoa que estava de plantão no dia. Essa pessoa falou que foi negligência médica sim. Disse que minha mulher entrou na sala de parto e uma médica atendeu ela super bem, fez todos os procedimentos corretos, mas pouco depois houve a troca de turno e entrou outro médico. Esse médico teria dito que era para deixar ela gritar que ele ia dormir um pouco.  Depois de muitos gritos ele ainda teria afirmado que a minha mulher era uma noia e usuária de drogas”, relatou o marido inconformado.

Ainda de acordo com Jevino, “na hora que o médico resolveu fazer o parto, a minha mulher já estava com a vagina roxa de tanta demora. Foi parto normal e por isso acho que deu uma hemorragia”.

Maicon ainda disse à reportagem que apesar de informarem à família que o bebê nasceu por volta de 23h, mesmo sua cunhada tendo ligado às 22h, no documento que lhe entregaram para fazer o registro de nascimento do menino consta que o nascimento ocorreu perto das 21h.

“Registrei o Boletim de Ocorrência, vou procurar um advogado e quero Justiça. Já pedi na maternidade a ficha médica dela, mas ainda não me entregaram”, finalizou Maicon.

O caso foi registrado na Polícia Civil como homicídio culposo e será investigado.

Outro lado

Após ser questionada pela reportagem, a Gota de Leite informou por meio de nota que no momento “não tem nada a declarar porque desconhece o teor deste Boletim de Ocorrência e não foi informada, oficialmente.”