Justiça autoriza mãe de motorista do Maranhão a visitar filho no HC

A Justiça autorizou a visita da mãe do motorista de ônibus Claudemir Morais Moura, preso e internado sob escolta policial no Hospital das Clínicas (HC) de Marília. O pedido foi apresentado ao Judiciário após a mulher percorrer cerca de três mil quilômetros para tentar ver o filho, que está em coma profundo. Ele conduzia o ônibus que capotou na rodovia Transbrasiliana (BR-153), acidente que deixou sete passageiros mortos.
Moradora da cidade de Centro Novo, no Maranhão, a dona de casa chegou ao hospital após três dias de viagem de ônibus. No entanto, foi impedida de entrar pela administração da unidade de saúde, que informou ser necessária autorização judicial para visitas a pacientes sob custódia do Estado.
Diante da situação, a defesa do motorista apresentou pedido urgente à 3ª Vara Criminal de Marília solicitando autorização para que a mãe pudesse visitar o filho durante o período de internação. No documento, o advogado destacou que o homem está hospitalizado em estado grave e que a negativa estaria causando sofrimento adicional à família.
Segundo a defesa, o objetivo do pedido foi garantir o direito de assistência familiar ao preso, previsto na legislação brasileira, além de possibilitar um gesto de apoio em um momento considerado crítico para os familiares.
O Ministério Público do Estado de São Paulo (MP-SP) manifestou-se favoravelmente ao pedido, avaliando que a visita não comprometeria a segurança nem o andamento do processo, especialmente porque o paciente permanece internado em ambiente hospitalar e sob escolta policial.
Ao analisar o caso, o juiz autorizou oficialmente a visita. Na decisão, o magistrado determinou que a mãe poderá ver o filho enquanto ele permanecer internado no Hospital das Clínicas de Marília, desde que sejam respeitados os horários de visita da unidade e mantida a escolta policial do custodiado.
A decisão também determinou o envio de ofício à diretoria do hospital para que a autorização seja cumprida.
Denúncia
O Ministério Público ofereceu denúncia contra Claudemir Morais Moura, apontado como responsável pelo acidente ocorrido na madrugada de 16 de fevereiro de 2026. Ele segue internado no HC, sob escolta policial, preso em flagrante por dolo eventual pelas mortes. A denúncia foi aceita pela Justiça nesta segunda-feira (2).
De acordo com o MP, o motorista é acusado de assumir o risco de produzir o resultado morte ao conduzir o ônibus em condições mecânicas precárias e inseguras. O veículo, pertencente à empresa RD Viagens, transportava trabalhadores do Maranhão para a colheita de maçãs em Santa Catarina.
O acidente resultou nas mortes de Raimundo Nonato Sousa da Silva, José Milton Ribeiro Reis, Robson Rodrigues Alexandrino, Edilson da Silva Lima, Antônio da Silva Nascimento, Gonçalo Lisboa dos Santos e Santana Barros de Oliveira.