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Idosa cai de maca, morre no HC e revolta família

Polícia
15 de abril de 2019

Bisneto de vítima fez longo desabafo após o óbito (Foto: Alexandre Ribeiro/Marília Urgente)

A paciente Maria das Neves, de 89 anos, morreu na madrugada do último sábado (13) após cair de uma maca no Hospital das Clínicas de Marília. A família só foi informada sobre o acidente 14 horas após a morte.

Segundo o Boletim de Ocorrência registrado, a vítima deu entrada no Pronto-Socorro do HC no dia 10 deste mês. O documento não revela detalhes do estado de saúde da paciente ao chegar no hospital.

Ainda de acordo com o registro policial, ela teve uma queda da maca ao ser transferida para a sala de emergência.

O comunicado para a polícia não deixa claro quais foram as consequências da queda. Ela teve a morte constatada por volta das 00h30 deste sábado.

O Marília Notícia questionou o HC sobre o episódio. “A Superintendência do HC/FAMEMA irá instaurar uma sindicância para apurar os fatos ocorridos, que também serão acompanhados pelas Diretorias Clínica e Técnica do Hospital das Clínicas de Marília”, disse a assessoria do hospital em nota.

A sindicância deve apurar todos os envolvidos na morte de Maria das Neves e, caso seja confirmado alguma negligência, deve punir os responsáveis.

A ocorrência foi registrada como “morte suspeita” na Central de Polícia Judiciária (CPJ) de Marília.

Desabafo e revolta

Nas redes sociais, o bisneto da vítima, Alexandre Ribeiro, fez um longo desabafo sobre o caso. Veja abaixo na íntegra.

“No início da madrugada de quarta-feira, dia 10, acionamos o Samu até a residência da minha avó, na zona Sul de Marília, pois a minha bisavó estava ofegante e aparentemente com falta de ar. A mesma era cadeirante a 11 anos devido a um acidente vascular cerebral (AVC).

Ela era como uma criança, pois não se locomovia e dependia 24 horas de atenção e cuidados, incluindo alimentação, banho, etc. Em menos de 10 minutos a viatura do Samu já estava no endereço solicitado prestando todo o apoio e encaminhando minha bisa até o HC. Lá, ela foi atendida e em seguida levada a “sala amarela” da unidade”, diz o rapaz em um primeiro momento.

Segundo o bisneto, na quarta de noite ela teve uma piora no quadro e precisou ser levada para o setor de emergência. No sábado, por volta das 00h30, a família foi informada do óbito.

“Fomos atrás dos trâmites para o velório e sepultamento e após isso ficamos aguardando a liberação do corpo. Por volta das 13h do sábado, liguei no HC e pedi informações sobre a liberação do corpo, pois já havia passado várias horas e começado aquele velho e irritante jogo de empurra empurra. Passaram a ligação para o Serviço de Verificação de Óbito (SVO) o qual pela minha surpresa me questionou se eu estava sabendo que a vítima havia caído da maca, sofrendo uma lesão na cabeça e sangramento no ouvido e que não tinha previsão de liberação do corpo”, relata Alexandre.

“Fiquei surpreso, pois ninguém nos havia informado que ela havia caído da maca. Nenhum médico, enfermeiro ou até mesmo o setor social nos avisou. Na hora pensei que pudesse estar ocorrendo algum erro. Pedi para meu tio ligar lá também e fazer o mesmo questionamento sobre a liberação do corpo. Ele teve a mesma resposta que eu tive: ela caiu da maca. Fomos pessoalmente conversar com os funcionários do SVO, queríamos tirar essa história a limpo, o qual novamente nos explicaram o que aconteceu, nos orientando sobre as providências que tínhamos que tomar.

Subimos até o setor social da unidade, questionando sobre a queda que ela teve e por que não fomos avisados no dia, nem mesmo depois do óbito. Conversamos por cerca de 15 minutos com a doutora que ficou o maior tempo com ela e que nos afirmou que realmente teve a queda da maca, mas que não sabia que não tínhamos sidos avisados.

Disse ainda que não sabe informar como isso aconteceu e que houve erro de comunicação da equipe médica naquele plantão por não ter avisado a família. Sabemos que acidentes acontecem e o mínimo que o Hospital das Clínicas de Marília teria que ter feito era nos avisar de imediato sobre o acidente.

Conclusão: após horas de angústia, dúvidas e sofrimento, conseguimos fazer o seu velório. Chegamos a ir na delegacia atrás de notícias da liberação do corpo.

O HC foi omisso, negligente e o que passamos foi humilhante. Um descaso total. Não só com a minha família, mas com uma filha desesperada que também estava atrás da liberação do corpo de seu pai (morador da cidade de Garça).

Acabamos de chegar do sepultamento e o sentimento é de revolta, tristeza e várias perguntas ainda sem respostas. Algumas dessas perguntas: e se o Serviço de Verificação de Óbito não nos informa sobre a queda da maca? Iríamos sepultar ela sem saber desse ocorrido e como morte natural? A queda foi o principal motivo da morte ou se agravou por conta disso?

Nesses 11 anos na cadeira de rodas ela nunca tinha sofrido queda. Minha vó, vô, e tio (que passavam o maior tempo com ela) nunca deixaram isso acontecer. Foram 11 anos! Não foram 11 dias, nem 11 meses.

Hospital das Clínicas, não queremos indenização nem aparecer, só queremos que vocês sejam leais com todos os seus pacientes.
Espero que esse texto sirva de alerta para as autoridades, médicos, enfermeiros e para todos que um dia precisem da unidade.

Sabemos que o hospital tem excelentes profissionais, alguns até são meus amigos, mas dessa vez vocês erraram feio. Não vou postar a foto da minha bisa por respeito à minha família que já sofreu bastante. Basta de sofrimento, mas queremos explicações e a verdade.

Esse simples motivo do óbito por “morte natural- causa não determinada,” não colou. Nem a demora de 24 horas na liberação do corpo.
Aos seguidores, fiscalizem bem a morte de seus entes queridos no hospital mencionado. Um boletim de ocorrência foi registrado e a causa da morte será investigada.

Minha bisa se chama Maria das Neves, tinha 89 anos”.