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Marília
ter. 17 maio. 2022

Dia Internacional da Luta Contra a Homofobia traz reflexão

por Michele Correia

Elói Maia foi presidente do Coletivo Arco-Íris de Marília (Foto: Arquivo Pessoal)

Foram anos a fio de luta e, os motivos, diversos. Apesar da série de ganhos ao longo das últimas três décadas, o combate ainda se faz necessário mesmo nos dias atuais. Nesta terça-feira (17), a comunidade LGBTQI+ celebra o Dia Internacional de Luta Contra a Homofobia.

A data, talvez uma das mais importantes do calendário para este público, remete ao histórico de enfrentamento frente a uma sociedade conservadora e sem espaço para a diversidade.

O 17 de maio foi marcado em 1990, quando a Organização Mundial da Saúde (OMS) deixou de classificar a homossexualidade como doença, e retirou o gênero sexual da Classificação Estatística Internacional de Doenças e Problemas Relacionados com a Saúde (CID).

“Acaba sendo um marco, porque a partir daí que começamos a ser vistos de fato como cidadãos de direito. Até então, como a medicina nos colocava como pessoas doentes, havia um status de pena, dó; de pessoas que precisavam de tratamento, de cura. Consequentemente, com isso, a gente acaba tendo uma abertura de direitos. O movimento LGBT consegue ter uma consistência melhor e maior, e a sociedade começa a te enxergar como cidadão de direito e de exercício da cidadania”, afirma Elói Maia de Oliveira, que foi presidente do Coletivo Arco-Íris.

Segundo o ativista, é partir da data que foi possível conquistar outros espaços – na política, de reconhecimento da união civil e outros. “Acredito que esse marco é interessante pelo ganho de garantias e pelo ganho de reconhecimento do cidadão LGBT na sociedade, de poder exercer a sua condição no aspecto social, buscando sair da marginalidade, uma vez que ele era considerado um doente”, completa.

COMBATE AO PRECONCEITO

Chris Zanelatti é militante trans e foi madrinha da Diversidade nos anos de 2017 e 2018 (Foto: Arquivo Pessoal)

Para quem vive na pele, o preconceito ainda é sentido de diversas formas. Chris Zanelatti, militante trans, sofre com a falta de compreensão.

“Sempre tem um preconceito velado em forma de ‘as vagas foram preenchidas’ na hora de procurar emprego. E até mesmo no ramo da beleza, no qual também trabalho, pessoas me chamando no masculino ‘ele’, fingindo ter se confundido, mesmo se tratando de pessoas que me conheceram depois da transição”, conta.

Chris diz que quando a pessoa é aberta à conversa, ela aproveita para chamar a atenção sobre a atitude preconceituosa. Mas, quando se trata de alguém que não aceita, o jeito é se fazer de forte e ignorar.

“Talvez por isso eu nunca tenha sofrido violência física. Tem uma frase que eu falo sempre: ‘eu não te obrigo a me aceitar, me entender, mas sim a me respeitar’.”

NOME SOCIAL

Cin Falchi precisou entrar na Justiça para ter o direito ao uso do nome social (Foto: Arquivo Pessoal)

Cin Falchi é professor de educação infantil da rede municipal e precisou recorrer à Justiça para ter o direito ao nome social garantido no trabalho.

“Eu utilizei do Decreto do Nome Social, que é Federal, por conta da não utilização social no meu local de trabalho. Tive ganho em duas instâncias, e aí sim a Prefeitura reviu a sua situação para com os servidores. Tivemos um ganho que é o Decreto de Nome Social no município de Marília”, explica o docente.

O professor destaca a importância das placas que informam sobre o respeito ao nome social nos estabelecimentos, sejam eles públicos ou privados. Porém, salienta que é importante que as práticas mudem, com a conscientização das pessoas e responsabilidade do governo.

“As pessoas que não estiverem agindo de acordo com a lei, precisam ser chamadas e responsabilizadas. Não admitidos mais ser violentados. Esse ainda é um dia de luta para nós”, classifica.

DISQUE 100

O Disque 100 foi um canal criado para fazer denúncias sobre violação dos direitos humanos. Por meio do serviço, o Ministério da Mulher, da Família e dos Direitos Humanos recebe, analisa e encaminha aos órgãos de competentes as denúncias de violações de direitos de crianças e adolescentes, pessoas idosas, pessoas com deficiência, população LGBTQI+, população em situação de rua, entre outros.

O canal funciona 24h por dia. As ligações podem ser feitas de qualquer tipo de telefone, bastando discar 100.

Em 2021, três denúncias da comunidade LGBTQI+ de Marília chegaram ao Disque 100. Esse ano, até o momento, houve uma denúncia registrada no mês de março.

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