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‘Centrão’ de Marília dá espaço para Daniel conquistar maioria na Câmara

Cidade
21 de novembro de 2020

Prefeito Daniel Alonso terá que negociar com vereadores eleitos (Foto: Daniela Casale/Marília Notícia)

Após ampliar seu capital eleitoral em comparação com 2016, quando a cidade ficou praticamente dividida, o prefeito Daniel Alonso (PSDB) tem agora mais espaço para conquistar rapidamente a maioria na Câmara Municipal.

A coligação do empresário elegeu cinco vereadores, um deles não coligado oficialmente, com apoio declarado. Já o grupo de partidos que estavam com Abelardo Camarinha (Podemos) fez sete cadeiras. O PSL correu por fora e conquistou a vaga do agente federal Junior Féfin.

Com os candidatos fora dos palanques e as urnas apuradas, um novo cenário se desenha. Seja na oposição ou na situação, vereadores obtêm ônus e bônus eleitorais pela escolha, que podem impactar nas próximas eleições – por isso os realinhamentos são possíveis.

Nos bastidores, já é dada como certa a possibilidade do vereador eleito Rogério Alexandre da Graça, o Rogerinho (Progressistas), compor com Daniel Alonso. Ele admite o diálogo para o ‘bem da cidade’.

“Vamos conversar sim com o prefeito Daniel e com os demais vereadores, para ver o melhor caminho, para podermos ajudar a cidade de Marília”, disse ao Marília Notícia.

O fato de Rogério ter sido eleito para seu primeiro mantado não diz nada sobre sua experiência política. Ele foi assessor de Ticiano Toffoli (PT), passou pela Empresa de Mobilidade Urbana de Marília (Emdurb) e presidiu a Codemar, na gestão de Vinicius Camarinha (PSB).

Outro indício de que ele poderá aportar no governo é a pretensão – legítima – de ser presidente da Câmara Municipal. Mas para isso, não basta o resultado das urnas. É preciso ter os votos dos colegas.

A experiência de Rogério não permitiria ignorar o peso dos votos do PSDB (Eduardo Nascimento e Evandro Galeti), e do PL (Júnior Moraes e Professora Daniela), sem falar de Marcos Rezende (PSD), todos governistas.

O Progressistas virou fiel da balança após conquistar duas cadeiras, com Rogério e Elio Ajeka – o que gerou uma sensação de ‘déjà vu’ em Daniel Alonso. Em 2016, o mesmo partido também fez duas cadeiras, com João do Bar e Maurício Roberto.

O comerciante e o policial militar disputaram eleição pela coligação de Camarinha, mas migraram para o governo e “fecharam” com Daniel até as vésperas da nova eleição.

E isso acontece por um motivo muito simples. O Progressistas é um partido com DNA governista. Na esfera nacional, é o mais legítimo ‘centrão’. Nos últimos anos a legenda foi de Lula à Bolsonaro, passando por Dilma e Temer, com arranhões da Lava Jato e muito óleo de peroba.

Se Daniel terá ou não tranquilidade na Câmara, também dependerá do Republicanos (antigo PRB), da estreante Vânia Ramos, e do agente federal Júnior Féfin (PSL).

Independente do apreço de Vânia com Camarinha, o Republicanos não difere do Progressistas e não tem talento para ser oposição.

Em Marília foi assim com o vereador e militar da reserva José Carlos Albuquerque – que se entendeu bem com Bulgareli e melhor ainda com Daniel, mesmo tendo sido candidato com Vinicius, em 2016.

Já o PSL, presidido pelo policial militar da reserva Marcos Farto, que tem pretensões políticas maiores, ainda é uma incógnita em relação às posições que adotará em relação ao governo Daniel Alonso.

O partido elegeu o agente federal Junior Féfin, que promete independência. A falta de ligação com grupos políticos – após a era bolsonarista do partido – faz crer que o PSL, muito cobrado pela pequena, mas barulhenta militância, terá que ser conquistado a cada pauta.

No mais, poucas dúvidas persistem no xadrez que opõe PSDB e o bloco PSB/Podemos, controlado por Vinicius e Abelardo.