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Tecnologia
ter. 22 out. 2019

AliExpress estuda abrir centro de distribuição no País

por Agência Estado

Ao chegar no Brasil, há seis anos, o site chinês AliExpress parecia um grande repositório de bugigangas: produtos baratos, alguns com qualidade duvidosa, e pelos quais o consumidor tinha de esperar por meses. Mesmo assim, a divisão de comércio eletrônico da gigante chinesa Alibaba se tornou, em 2019, o principal site internacional de compras na preferência dos brasileiros, deixando para trás Amazon e eBay.

A demanda local, que faz do Brasil um das cinco principais mercados do AliExpress no mundo, é o motivo pelo qual Ken Huang, líder da chinesa para o mercado latino-americano, vem ao País a cada dois meses. Seu maior desafio é reduzir o tempo de entrega dos produtos, que costuma passar de um mês – e que ele admite estar bastante aquém do desejável. Para resolver a questão, Huang disse ao Estado que a empresa estuda, a médio prazo, abrir um centro de distribuição local, mantendo produtos mais perto dos brasileiros.

Além disso, trabalha com parceiros para flexibilizar entregas e uma rede de fornecedores para ter produtos mais baratos. Além de logística, o executivo falou sobre o uso de tecnologia nos negócios da companhia e a possibilidade de abrir lojas físicas por aqui – no mês passado, a empresa fez loja pop-up (temporária) em Curitiba, em parceria com o unicórnio Ebanx.

A AliExpress é o site internacional de compras líder no País. A que se deve esse sucesso?

Há poucos mercados com uma população tão grande quanto a do Brasil. Os consumidores são jovens, engajados e têm hábitos digitais. Há algumas razões para a AliExpress ser bem recebida no Brasil. Uma é a seleção de produtos. A melhor maneira de ter acesso à diversidade de produtos é a importação direta da China. Somos o único país capaz de fabricar todos os tipos de produtos. Temos um preço muito competitivo, pois muitos dos nossos produtos são despachados direto das fábricas. Isso nos dá uma vantagem competitiva contra varejistas que precisam trabalhar com intermediários.

Quais são os principais desafios da AliExpress no Brasil?

Sem dúvida, a logística. Fazemos entregas dentro da China em até 30 minutos. Uma entrega da China para o Brasil não chega nem no aeroporto em meia hora. E ainda tem alfândega e entrega local no País.

Quais as chances de iniciar operações de logística no Brasil?

Ainda temos uma diferença grande no tempo de entrega, quando comparado a concorrentes locais. Hoje, exploramos o potencial e opções para despachar os produtos localmente. Poderíamos abrir um estoque de produtos ou reduzir o tempo de entrega.

Se vocês decidirem enviar os produtos localmente, como isso seria feito?

Há algumas opções. Não há nada confirmado, mas estudamos abrir um centro de distribuição com depósitos alugados, para onde despacharíamos os produtos. Ou fecharíamos parcerias locais. É algo a médio prazo.

Como o sr. descreve as preferências de compra dos brasileiros?

Tivemos um crescimento significativo no valor de compra nos últimos anos. Os brasileiros deixaram de comprar produtos super baratos e passaram a prestar atenção em eletrônicos, celulares, fones de ouvido e pulseiras conectadas – estas últimas têm sido muito populares, estão entre as mais vendidas.

A AliExpress abriu uma loja física em Madri e teve um piloto em Curitiba com a Ebanx. Há planos para uma loja física no País?

O projeto em Curitiba foi liderado pela Ebanx para testar a reação das pessoas, já que o nosso marketing sempre foi online. A Ebanx percebeu que muita gente não está nos achando na internet. Vimos alguma tração, mas não há certeza se foi um sucesso. Foi um teste e isso é sempre bom. Em Madri, a loja também foi uma parceria com o varejo local. Até agora, não há planos concretos para abrir lojas físicas no Brasil. Ainda acho que há grandes oportunidades para otimizar nossa operação online.

Se um projeto físico existir, ele seria feito por meio de parcerias?

A AliExpress sempre foi um ecossistema aberto. Não posso dizer que seria exclusivamente com parceiros, mas ele teria papel importante.

Por que brasileiros ainda não podem vender pela plataforma?

Entrar em cada mercado exige preparação: impostos, regulação, avaliação jurídica, questões financeiras… Seguimos avaliando oportunidades.

Como a AliExpress usa inteligência artificial (IA)?

Temos um departamento chamado AliLanguage, que reconhece e traduz idiomas. Na AliExpress temos 18 idiomas – traduzidos para versões locais do site. Também temos tradução em tempo real entre vendedores e consumidores. O reconhecimento de linguagem é um elemento importante.

Tudo isso é feito na China?

Sim. Na AliExpress, moldamos e melhoramos essa tecnologia para atender a países diferentes. A recomendação para brasileiros e russos é bem diferente. Neste momento, os russos estão esquiando no inverno. Aqui, as pessoas querem biquínis. Nesse sistema, o comportamento individual do usuário não entra na conta.

Como a IA ajuda na logística ou em outros desafios da empresa?

A Cainiao, que é o braço logístico do Alibaba, também é parte da plataforma tecnológica do Alibaba. Muito da operação logística é baseado em tecnologia e IA. Imagina despachar produtos de diferentes partes da China para partes diferentes do Brasil. Você pode escolher rotas diferentes: você pode ir pela Europa, pelos EUA, pela Austrália… Isso exige muita IA e aprendizado de máquina.

Existem planos para usar drones em entregas?

É provável que não. Drones podem ser úteis em galpões ou espaços confinados. Em áreas públicas, há questões de segurança e de ruído que não tornam isso desejável.

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