Marília registra uma violação de direitos dos idosos a cada 53 minutos
No mês marcado pela campanha Junho Violeta, cujo lema em 2026 é “A liberdade não tem prazo de validade”, os dados sobre a violência contra a pessoa idosa em Marília acendem um alerta. Acompanhando uma tendência nacional de alta, os registros locais extraídos do Painel de Dados da Ouvidoria Nacional de Direitos Humanos apontam para uma escalada na média diária de casos neste ano.
Enquanto o Brasil registrou crescimento de quase 19% nas denúncias feitas pelo canal Disque 100 nos quatro primeiros meses de 2026, em comparação com o mesmo período do ano passado, Marília apresenta um cenário que exige atenção redobrada das autoridades e da sociedade.
Para compreender o impacto da violência atual, é necessário observar o comportamento dos dados consolidados dos anos anteriores. Em 2024, a cidade contabilizou 647 protocolos de denúncias, que resultaram em 1.101 denúncias e 7.527 violações de direitos.
Em 2025, houve queda no número de queixas formalizadas. Os protocolos recuaram para 619, redução de 4,33%, enquanto as denúncias caíram para 1.010, diminuição de 8,27%. Apesar disso, o total de violações subiu para 7.619, alta de 1,22% em relação a 2024. O cenário sugere que os casos levados ao conhecimento das autoridades se tornaram mais complexos ou reuniam múltiplas formas de violência contra as mesmas vítimas.
Aumento percentual em 2026
A preocupação se concentra nos dados mais recentes de 2026, contabilizados até 10 de junho. Em menos de seis meses, Marília já soma 330 protocolos, 564 denúncias e 4.372 violações.
Na prática, os dados indicam mais de 27 violações por dia — o equivalente a uma ocorrência a cada 53 minutos.
Como os dados deste ano abrangem apenas 161 dias, a forma mais precisa de avaliar a evolução dos registros é comparar a média diária de ocorrências de 2026 com a de 2025. A análise aponta crescimento em todos os indicadores.
Os protocolos de denúncia registraram aumento de 20,86%, passando de média de 1,7 por dia em 2025 para mais de dois registros diários em 2026. As denúncias cresceram 26,60%, saindo de 2,7 por dia para 3,5 ocorrências diárias. Já as violações de direitos apresentaram alta de 30,09%, alcançando média superior a 27 registros por dia, ante pouco mais de 20 diários no ano passado.
Embora alarmantes, os números podem representar apenas parte da realidade. A subnotificação ainda é considerada elevada, já que muitas vítimas deixam de denunciar por medo de represálias. Segundo o Observatório Nacional dos Direitos Humanos, os tipos de violência mais recorrentes são os abusos físicos, psicológicos e financeiros, além dos casos de negligência.
As principais vítimas costumam ser mulheres entre 70 e 74 anos. Os suspeitos, em grande parte dos casos, são integrantes da própria família, que se aproveitam de relações de confiança. A legislação prevê punições rigorosas por meio do Estatuto da Pessoa Idosa, que vão de sanções administrativas à reclusão.
Qualquer suspeita de violência contra pessoas idosas em Marília ou em qualquer outra localidade do país deve ser comunicada às autoridades. Os canais de atendimento incluem o Disque 100, que funciona 24 horas por dia e garante o anonimato, além de delegacias, Ministério Público, Centro de Referência de Assistência Social (Cras) e Centro de Referência Especializado de Assistência Social (Creas).